Foliãs encaram o machismo de shortinho

entrelinhas
29.02.2020, 07:15:00
Atualizado: 02.03.2020, 19:24:13

Foliãs encaram o machismo de shortinho

As notícias que marcaram a semana

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No segundo Carnaval com a Lei de Importunação Sexual em vigor – ela foi aprovada pelo Congresso em 2018 -, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) confirmou o registro de nove casos nos circuitos da festa, em Salvador. O número é mais que o dobro das  quatro  ocorrências de 2019. 

Nos pontos de acolhimento criados pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia (SPM-BA) em Brotas e em Periperi, foram realizados 65 acolhimentos de mulheres que sofreram algum tipo de situação constrangedora na festa.

Para além da realidade dos números, a verdade é que as foliãs este ano decidiram fazer do próprio corpo uma bandeira bem mais eficiente que os panfletos de conscientização que, boa parte das vezes, não são lidos e viram lixo para entupir as bocas de lobo da cidade. 

As meninas saíram de casa de shortinho, top cropped (conhecidas como mini-blusa para quem tem mais de 40), maiô, biquíni, mini-saia de tule e tudo o mais que quiseram vestir para aproveitar a folia em uma cidade cujas temperaturas andam escaldantes.

Foliãs deram o recado de que não vão se autocensurar por conta do machismo (Foto: Marina Silva/CORREIO)

O lema é um só: ‘meu corpo estando coberto ou descoberto, não é um bem público em que todo mundo pode passar a mão’. 

Aos rapazes, nos circuitos do Carnaval ou fora deles, cabe entender e respeitar que quando a cantada vira agressão tem outro nome: assédio e, a depender da situação, estupro. E essa é uma verdade universal, inclusive, que sequer deveria precisar de campanha para ser compreendida.

Uma foliã ouvida pelo CORREIO nos dias de Carnaval disse que este ano não precisou ‘bater em ninguém’ para se livrar de assediadores. Mas, ainda assim, sentiu-se incomodada com frases de baixo calão e olhares que a deixaram constrangida. Ela encarou a rua vestindo sua sainha e foi ser feliz na festa que tem fama de democrática. 

Aos assediadores o recado não podia ser mais claro: "não passarão!"

Outros destaques da semana

>>O Executivo contra o judiciário

Um vídeo compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro via WhatsApp, com a convocação de um protesto da população contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), gerou ainda mais tensão entre o Planalto e o poder Judiciário. Políticos e parlamentares de diferentes partidos reagiram à atitude do presidente, vista como desrespeitosa ao princípio de separação entre os poderes e um risco à democracia. Em suas redes sociais, o presidente, sem fazer referência direta à polêmica, afirmou que troca mensagens “de cunho pessoal” com “poucas dezenas de amigos” no aplicativo. O vice Hamilton Mourão, sem citar Bolsonaro, reconheceu  na sexta, 28, que a   instabilidade no governo é culpa da " divulgação de vídeos e do calor das redes sociais". 

>>Delegado suspeito de racismo

O delegado Vinícius Leão está sendo investigado por suspeita de ter cometido crime de racismo contra outros policiais civis. O caso aconteceu na Terça-feira de Carnaval, dia 25, enquanto ele trabalhava no circuito Osmar (Campo Grande). Segundo denúncia, o delegado se recusou a almoçar com agentes negros em um refeitório e teria afirmado: "Não vou almoçar com essa negaiada toda". O Ministério Público da Bahia confirma  que uma reclamação foi registrada no órgão e que o Centro de Apoio aos Direitos Humanos do MP vai apurar o ocorrido.

>>Entregador morto com crueldade

O entregador de lanches Linconl Santos Santana, 22 anos, que estava desaparecido desde a segunda-feira, 24, teve o corpo identificado na quinta-feira, 27. O corpo carbonizado do jovem foi encontrado em um lixão no bairro de São Marcos. Segundo a família, ele trabalhava em uma hamburgueria, em Colina Azul. Na noite em que desapareceu, tinha saído para fazer uma entrega. A mãe do rapaz participou de um ato em protesto à morte de Linconl, que foi enterrado na sexta-feira, 28, no Cemitério de Candeias. A DHPP investiga o crime.

Bruna Marquezine foi vítima de body shaming, quando a forma física de uma pessoa é ressaltada com a intenção de humilhá-la (Foto: Divulgação)

Frase:

“Só vou postar foto agora segurando meu exame de sangue para ver se param de se ‘preocupar’ tanto assim com a minha saúde...” (Bruna Marquezine)

A Atriz usou o Twitter para ironizar as pessoas que fiscalizam seu corpo, ora dizendo que ela está ‘cheinha', ora reclamando que está ‘magra demais’. O humorista Danilo Gentili foi um dos que fez um comentário maldoso sobre o corpo da atriz, insinuando que Marquezine estaria usando drogas: 'Parece que ela trocou um craque por outro'. A frase de Gentili provocou revolta entre amigos e fãs de Bruna. A atriz e diretora Suzana Pires chamou o apresentador de 'irresponsável, criminoso e misógino'.

Ataque aéreo na Síria em 2018;  a Rússia iniciou esses ataques em 2015, virando a guerra a favor do governo Assad (Foto: Arquivo CORREIO)

Cinco pontos para entender a Guerra na Síria

A Síria está em guerra desde 2011. Nos últimos dias, a situação no país piorou bastante com a ofensiva do governo do presidente Bashar al-Assad contra os rebeldes que ainda resistem no noroeste do país, ajudados pela Turquia de Recep Erdogan. Ao lado de Assad está a Rússia, governada por Vladmir Putin. Na quinta-feira, 27, uma ofensiva do governo sírio resultou na morte de 33 soldados turcos. Para retaliar o ataque, Erdogan ordenou nesta sexta-feira, 28, que as fronteiras da Turquia com a Síria, que estavam fechadas, fossem reabertas por 72 horas para permitir a passagem dos milhares de refugiados que tentam deixar o país destruído pelo conflito, que já dura nove anos. Os sírios, no entanto, ao atravessar a fronteira turca para chegar à Grécia ou a Bulgária e, desses países alcançarem à União Europeia, estão sendo novamente empurrados para a Turquia pelos guardas das divisas grega e búlgara, que não hesitam em usar bombas de gás para reprimir o avanço de famílias com crianças e idosos. Desde o começo da Guerra, 13 milhões de sírios já abandonaram suas casas e cidades. Mais de 400 mil – a maioria mulheres, crianças e idosos - foram mortos pelos bombardeios. Outro contingente pereceu de fome ou frio, inclusive bebês estão morrendo congelados enquanto o fim da guerra parece longe. Para que você entenda o conflito, o CORREIO fez um resumo dos principais pontos da guerra. Confira:

1. O Começo – A Guerra Civil na Síria começou em 15 de março de 2011, mas os conflitos tiveram seu embrião numa série de protestos ocorridos em janeiro daquele ano, contra o desemprego, os altos índices de corrupção e a falta de liberdade política no país. Os manifestantes se inspiraram na Primavera Árabe. Os protestos de março foram violentamente reprimidos pelo governo sírio, dando início ao conflito armado. Os opositores do governo alegam que estão lutando pela democracia, enquanto o governo diz combater terroristas islâmicos.

2. Os atores - Os principais apoiadores do governo sírio são a Rússia e o Irã, enquanto os Estados Unidos, a Turquia e a Arábia Saudita apoiam os rebeldes. Esses países apoiadores de um lado e do outro têm demandas e interesses específicos e ganham terreno estimulando o conflito étnico-religioso entre os sírios. Em 2015, a Rússia iniciou ataques aéreos que viraram o andamento da guerra a favor de Assad.

3. O drama - Segundo a ONU, em 9 anos de bombardeios incessantes, mais de 400 mil sírios foram mortos e 13 milhões fugiram do país. É o maior êxodo humano por motivos de conflito bélico já registrado desde a II Guerra Mundial. Somente entre dezembro do ano passado e este mês, 900 mil pessoas tentam deixar a Síria de uma vez, forçando as fronteiras com os países vizinhos. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, 570 mil combatentes de todos os lados envolvidos no conflito estão desaparecidos, o que pode significar ainda mais mortos.

4. A retomada – O governo sírio retomou o controle das maiores cidades do pais e na última semana, reassumiu grande parte da região de Idlib, um dos últimos enclaves dos rebeldes. O governo sírio diz que essa parte do país é reduto de jihadistas ligados a Al-Qaeda. Especialistas acreditam que as ofensivas do governo sírio, ajudado pela Rússia e Irã, acirram as divergências entre sunitas, maioria muçulmana no país, e o secto xiita alauíta, que é ligada à família Assad.

5. O impasse - Apesar da reconquista de parte de Idlib, a guerra parece longe do fim. Desde 2014, nove rodadas de negociação de um acordo de paz foram organizadas pela ONU sem que os lados envolvidos na guerra chegassem a um acordo. Bashar al-Assad, que sucedeu seu pai no comando do país, não parece disposto a abrir mão do poder e os rebeldes, por sua vez, insistem que ele renuncie e eleições sejam convocadas. Enquanto isso, os civis morrem feito moscas ou perdem tudo o que tinham.

Cinco dicas de filmes sobre epidemias

A Covid-19, infecção provocada pelo novo coronavírus descoberto em dezembro do ano passado, na China, é um assunto sério. Mas, para amenizar o clima de medo do contágio, já que o vírus chegou a quase 50 países, incluindo o Brasil, o CORREIO separou dicas de filmes sobre epidemias para maratonar. Confira:

Epidemia é protagonizado por Dustin Hoffman (Foto: Divulgação)

*Epidemia, 1995 (Wolfgang Peterson): O filme mostra o começo de um surto de ebola nos Estados Unidos depois que um macaco é trazido clandestinamente de uma floresta na África, onde a doença dizimou um acampamento. O ator Dustin Hoffman interpreta um médico responsável por pesquisar a doença.

Sonhos Tropicais conta a trajetória de Oswaldo Cruz (Foto: Divulgação)

*Sonhos Tropicais, 2001 (André Sturm): O filme é inspirado no romance de Moacyr Scliar sobre a história do sanitarista Oswaldo Cruz e mostra a trajetória dele na busca da cura de doenças como a peste bubônica e a febre amarela; além de sua luta para erradicar a varíola no Brasil do começo do século XX, com a vacinação em massa.

Epidemia leva ao colapso da sociedade em Ensaio sobre a Cegueira (Foto: Divulgação)

*Ensaio sobre a Cegueira, 2008 (Fernando Meirelles): Adaptação do livro homônimo do escritor português José Saramago, conta a história de uma epidemia de ‘cegueira branca’ que se espalha misteriosamente, levando ao colapso de uma cidade. Julianne Moore e Mark Ruffalo vivem o casal de protagonistas.

Eva Green e Ewan Mcgregor protanizam Sentidos do Amor (Foto: Divulgação)

*Sentidos do Amor, 2011 (David Mackenzie): Conta a história de um casal vivido por Eva Green e Ewan McGregor. Ela é uma epidemiologista e ele um chef de cozinha. Quando os dois se apaixonam, o mundo começa a viver uma misteriosa epidemia em que os doentes perdem o uso dos cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato.

Contágio mostra corrida contra o tempo para identificar vírus mortal (Foto: Divulgação)

*Contágio, 2011 (Steven Soderbergh): Conta a história de Beth Emhoff, vivida pela atriz Gwyneth Paltrow, que chega aos EUA após uma viagem de negócios a Hong Kong carregando no corpo um vírus letal que se espalha pelo mundo.

***

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