Grafiteiras que estão movimentando o cenário em Salvador

vanessa brunt
08.05.2019, 11:25:00
Atualizado: 08.05.2019, 13:16:59

Grafiteiras que estão movimentando o cenário em Salvador

No universo do grafite baiano ainda há poucos nomes de mulheres. Mas elas estão na área, até poucos anos dominada pelo universo masculino. “Não podemos grafitar sozinhas nas ruas, porque, apesar de haver respeito dos outros grafiteiros hoje,  fora da cena as pessoas não olham pra nossa arte e nos objetificam por estarmos ali fora. Não enxergam ainda como trabalho e lugar de mulher”, diz Andressa Monique, uma das entrevistadas pela coluna, que ainda falou com a grafiteira Sarah Barbosa.

Veja o vídeo

Após as afirmações das grafiteiras, que mostram os diversos pontos positivos das suas movimentações na profissão e que citam mudanças ainda necessárias e graduais para que o machismo seja quebrado na cena, a nossa coluna de hoje resolveu enaltecer mais delas. Conheça mais de cinco grafiteiras que estão movimentando o cenário na capital baiana e fique atento(a): existem mais dicas pelos meios dos textos...


1. Tami Martins | @tamimartinsss

Tami Martins, 28, veio diretamente do Amapá para a Bahia, onde reside há pouco mais de um mês. A artista saiu do  emprego de professora de design e resolveu mergulhar nos encantos da terra do dendê: "Vim para fazer arte urbana, escrever roteiros..." Mas os projetos de Tami em Salvador não param por aí. Com ilustrações animadas, ela tem criado e dirigido o curta do projeto Solitude Animação, que é do Amapá. Além disso, foi recentemente convidada para animar, junto com uma equipe, as ilustrações do artista Duardo Costa, que estarão no show de lançamento do novo álbum da cantora baina Larissa Luz.

Nas temáticas primordiais das obras de Tami estão a natureza servindo como metáfora para o crescimento (com flores, por exemplo), a vida urbana e o empoderamento feminino. "Seja a arte-mural ou o grafite, são trabalhos que exigem muito do físico. Por vezes passando bastante tempo no sol, ou subindo e descendo andaimes e escadas", explica a artista, mostrando as diversas forças femininas da área. "Então costumo cobrar um preço que valorize o tempo dedicado a esse processo. Nunca cobraria menos de R$ 1.500 por qualquer  pintura", conclui.


 2.  Nila Carneiro | @nila_carneiro

Baiana  de Feira de Santana e residente em Salvador, Nila Carneiro, 34, é artista visual, graduada em Design Gráfico pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia e também atua como grafiteira, designer e ilustradora.

Influenciada pelo trabalho de diversas artistas negras de várias linguagens, as criações de Nila brincam com metáforas em meio a tons mais literais, nos quais aborda a representação do feminino em seus variados aspectos. Na poética de suas produções está sempre o reforço da necessidade de mulheres ocupando espaços públicos.

Entre algumas das suas artes pelas ruas estão os murais Mulher – Natureza Selvagem, no Hospital da Mulher (Largo de Roma), e Águas Fluviais, da Nova Concha Acústica (Campo Grande). Em 2013, teve um de seus trabalhos publicados no Calendar of Tales, sendo finalista no Prêmio da Ilustração Latinoamericana 2013 em Palermo. O orçamento com possíveis preços de Nila é variado e depende do tamanho da obra em questão.


3. Annie Kpitú | @ganzalarts

Annie Ganzala, 31, é soteropolitana e mora atualmente em Vila de Abrantes. Grafitando desde 2011, a artista tem como principais temáticas as que são voltadas para a comunidade negra e baiana, em especial mulheres negras. Mas, ela deixa claro: não fica fechada para outras possibilidades.

É possível encontrar diversas críticas sociais em meio a metáforas nas artes de Kpitú, que aborda a vida de comunidades também ilustrando outras partes das cidades e mulheres brancas que fazem parte de diferentes realidades. "Faço oficinas de desenho e graffiti, participo de festivais, e recentemente fui selecionada juntamente com a grafiteira Ananda Santana para o Queens Festival de Graffiti Feminino de São Paulo, para representar a Bahia por lá", conta a ilustradora.

Ganzala explica que faz intervenção de graffiti enquanto ativismo e também trabalha com encomendas, tendo preços variados de acordo com o projeto do cliente e o tamanho do muro.


4.  Lina María Herrera | @nativa.ilustra

"Meu  nome é Lina María Herrera e sou uma artista urbana NATIVA de Cali, Colômbia". É assim que começa a descrição de María. Com uma trajetória de quatro anos como designer gráfica do Instituto Departamental de Belas Artes da cidade de Cali, María se considera como uma artista urbana.

Foi a conexão que sempre sentiu com a Bahia que a fez, há alguns anos, fazer as malas para as terras soteropolitanas. "É um reconhecimento de minhas raízes latino-americanas e colombianas, compartilhar as raízes afro e indígenas fortalece minha ligação com essas terras, onde hoje aprendo com o movimento e a simplicidade da vida em frente ao mar", reflete a grafiteira.

Através do design gráfico, a artista busca reinterpretar e valorizar aspectos culturais, seja em colaborações com bandas ou eventos culturais. Com uma faixa de valor que, em geral, começa com R$ 150 por metro quadrado, as obras de Herrera mudam de acorda com o povo que ela está representando. Não há um estilo específico de pessoa que é mais aparente nas obras da artistas. Existem as ilustrações e grafites mais voltados a um aspecto de HQ, enquanto outras, misturam paisagens dentro de personagens, por exemplo, criando simbolismos diversos.


5. Lina Pires | @aquarelinar

Carolina Pires da Silva, que assina apenas como Lina, tem 21 anos e mora em Cajazeiras, Salvador. Apesar de ser natural do Rio de Janeiro, a artista mora na Bahia desde a infância e se considera baiana. Estudante de Bacharelado Interdisciplinar em Artes na UFBA, a ilustradora e grafiteira desenvolve, juntamente com o também grafiteiro Dante Oliveira projetos de oficina para crianças através de encadernação artesanal, feitas no laboratório Barquinho Criativo.

Para a ilustradora, que tinha costume de utilizar o papel como meio principal, o grafite representa uma superação da técnica artística. "Ir para a parede me ajuda a superar as inseguranças, a ansiedade, a timidez e a sair da zona de conforto. É o lugar em que eu  me exponho sem medo de ser o que sou e de dizer o que quero", conclui Pires, que  faz orçamentos mediante o contato do cliente e a noção do tamanho do espaço e da quantidade de spray ou tinta a serem utilizados.


Outros destaques@juliana_pina@leal_crb@octa_edro, @zahra.graffiti, @asartesdequel, @tatagraffiti, @ludmilasinga, @jessysereia e @rbecasilva.


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