Grupos fazem apelo para que devotos deem presentes sustentáveis a Iemanjá

sustentabilidade
31.01.2019, 13:00:00
A proposta é ofertar gratidão, devoção e boas vibrações, evitando poluir as águas e a areia da praia (Marina Silva)

Grupos fazem apelo para que devotos deem presentes sustentáveis a Iemanjá

É bom é ofertar a Iemanjá objetos que não afetem o meio ambiente

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No sábado, 2 de fevereiro, todos os caminhos vão levar ao Rio Vermelho e outras praias  para homenagear a Rainha do Mar: Iemanjá. Apesar da beleza e da devoção, vale ressaltar que a devoção não deve ser sinônimo de poluição das águas e da areia da zona costeira.

Coordenador do Projeto Biota Aquática e um dos membros do Projeto Fundo Limpo, Rodrigo Maia enfatiza que qualquer embalagem plástica deve ser evitada, mas que não é só, pois nem tudo que é biodegradável faz bem para as águas e para as criaturas que vivem nela. “Antigamente se falava que não se jogasse vidro na água, apenas o perfume, mas não sabemos o impacto que esse produto químico tem sobre algas, peixes, mamíferos ou corais. O ideal é que isso seja evitado, assim como sabonetes e produtos do tipo”, esclarece.

No dia 03 de fevereiro, logo depois da festa, inclusive, o Projeto Fundo Limpo voltará ao Rio Vermelho na perspectiva de retirar da praia o que o mar devolver. “Fazemos um apelo, inclusive aos tripulantes de embarcações, que não joguem cascas de frutas no mar, pois embora degradáveis, elas não servem para alimentação de animais marinhos”, pontua.

Com uma postura parecida, o titular da Secretaria da Cidade Sustentável e Inovação (Secis), o engenheiro ambiental André Fraga, defende que não se leve oferenda material alguma e que troque flores e outros presentes por orações, agradecimentos e boas vibrações. “Alguém pode até pensar que flores são inofensivas, mas não se leva em consideração o impacto de tantas flores no mar. Essa atitude não ficará impune na natureza”, explica, lembrando uma conversa mantida com a ialorixá Mãe Stella de Oxóssi, quando ela ainda habitava sua forma física, e ela dizia que orientaria seus filhos a não fazerem oferendas materiais ao orixá das águas salgadas.

Fraga lembra que, uma vez na praia, a festa também pode ser uma oportunidade de retirar da areia e da água o material plástico ou descartável. “A praia não é lugar de latas, garrafas, plástico ou produtos que não sejam próprios desse ambiente”, completa. 

Voluntários retiram das águas do Rio Vermelho os colares de plástico e demais oferendas que impactam no meio ambiente do local (Foto: Mauro Akin Nassor)


Dentro dessa perspectiva de uma festa com conservação da natureza e respeito ao ambiente marinho, o Grupo Nzinga Salvador iniciou a campanha “Iemanjá protege quem protege o mar”. A programação do evento, que será realizado na sede da instituição Nzinga Salvador,  localizada no próprio Rio Vermelho, inclui uma série de atividades que se estendem até domingo (03), entre elas, treino de capoeira Angola, visitas monitoradas a sítios históricos da Capoeira, mostra de vídeo e rodas de conversa.

A campanha, que acontece há 13 anos, sugere a eliminação de produtos poluentes na festa de Iemanjá. Este ano, por ser uma comunidade de capoeiristas, a Nzinga Salvador coloca a capoeira no contexto histórico de defesa dos terreiros, contra o racismo religioso.

A programação completa do evento está disponível aqui 


 

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