Helicóptero é usado no combate a incêndio na Serra do Tromba, na Chapada Diamantina

bahia
11.09.2018, 13:19:00
Atualizado: 11.09.2018, 16:54:02
(Divulgação/Sema)

Helicóptero é usado no combate a incêndio na Serra do Tromba, na Chapada Diamantina

Fogo começou há dois dias no município de Piatã

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Um incêndio florestal de grandes proporções atinge a Serra do Tromba, no município de Piatã, na Chapada Diamantina na Bahia, informou nesta terça-feira a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).

Ainda não se sabe o tamanho da área atingida e nem o dano causado à fauna e à flora. O incêndio, de acordo com a Sema, já dura dois dias e ocorre em local de difícil acesso, por isso um helicóptero do Grupamento Aéreo (Graer) da Polícia Militar auxilia no combate ao fogo.

Fogo começou na base da serra e subiu com velocidade
(Foto: Divulgação/Sema)

O helicóptero, que já está no local, atua no transporte dos combatentes (voluntários e do Corpo de Bombeiros), equipamentos, ferramentas e logística necessária, e realiza combate direto através da utilização do bambi-bucket, uma espécie de bolsa para lançamento de água no combate aéreo a incêndios.

“O helicóptero é imprescindível para a atuação dos brigadistas voluntários da Brigada Voluntária Altitude Ambiental, e dos militares do Corpo de Bombeiros da Bahia. A Brigada relatou a dificuldade de acesso e a complexidade do incêndio, que iniciou na base da serra e subiu com velocidade”, diz uma nota da Sema.

O local atingido pelas chamas não tem acesso via terrestre, o que inviabilizou ações efetivas de atuação dos brigadistas e Corpo de Bombeiros. De acordo com a Sema, as nascentes do Rio de Contas, que ficam na região da Serra do Tromba, não foram atingidas pelo incêndio, cujas causas ainda serão investigadas.

“Estamos monitorando a situação junto ao Corpo de Bombeiros Militares da Bahia e equipe técnica do Inema [Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos], para garantir ações estratégicas rápidas que minimizem os danos ambientais. Chamamos a atenção para os cuidados de prevenção aos incêndios florestais que se acentuam a partir dos próximos meses”, completa o comunicado da Sema.

Boqueirão da Onça
No Parque Nacional do Boqueirão da Onça, no Norte da Bahia, onde outro incêndio queimou uma área de Caatinga equivalente a mais de 3 mil campos de futebol, o fogo está praticamente controlado, segundo informações do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).

“Começamos hoje (terça-feira) a desmobilização das equipes, tendo em vista que não se precisa mais de tanta gente para fazer o trabalho. Quinze brigadistas que vieram da Chapada já foram dispensados, e amanhã vamos desmobilizar mais ainda. Estamos apenas monitorando alguns focos para que eles não voltem a queimar a área”, declarou a analista ambiental do ICMBio Camile Lugarini, chefe do parque nacional.

Iniciado no dia 28 de agosto, o fogo, no total, mobilizou 77 brigadistas da Bahia, Tocantins, Pernambuco, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Ainda não se sabe as causas do incêndio - a perícia que apura o caso será iniciada. O fogo matou dezenas de animais, sobretudo mamíferos e répteis.

O Parque Nacional Boqueirão da Onça, com 851 hectares, é dividido em duas áreas: uma unidade de conservação permanente, de 345.378 hectares, e uma Área de Proteção Ambiental (APA), de 505.680 hectares. O parque abrange as cidades de Sento Sé, Campo Formoso, Sobradinho, Juazeiro e Umburanas.

A área atingida pelo fogo fica quase em sua integridade na região da cidade de Sento Sé, ao oeste do parque. “É uma área de serras, não pega a parte dos sítios arqueológicos que tem na região (cerca de 3 mil), mas traz muita preocupação com relação à fauna e à flora, sobretudo por causa das espécies endêmicas”, disse Lugarini.

Durante as ações de combate aos focos de incêndio foram vistas fezes frescas de onças, um sinal de que o local do incêndio é de passagem desses animais, um dos motivos principais para a criação da área de preservação.

Estima-se que no Parque Nacional do Boqueirão da Onça haja pouco mais de 30 onças pintadas e cerca de 200 onças pardas. A flora nativa apresenta grande diversidade – recentemente, 97 novas espécies foram catalogadas.

Para o pesquisador José Alves Siqueira, doutor em biologia vegetal pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o incêndio é criminoso. “Não há fenômeno climático que justifique essa tragédia”, disse.

“O prejuízo é incalculável, há uma quantidade enorme de espécies que não são vistas a olho nu e que são perdidas por causa de um incêndio desses, todas essenciais ao bioma Caatinga. Para voltar a área original, agora só daqui a 40 a 70 anos”, estima.

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