Idoso morre após ser atacado por abelhas em Irecê; especialista alerta para riscos

bahia
05.01.2021, 18:04:00
(Reprodução/TV Bahia)

Idoso morre após ser atacado por abelhas em Irecê; especialista alerta para riscos

Caso aconteceu nesta segunda, 4, no interior baiano; vítima era aposentado de 77 anos

Um ataque provocado por um enxame de abelhas acabou vitimando o aposentado Antônio de Souza Jatobá, de 77 anos. O caso aconteceu nesta segunda-feira (4), na região central do município de Irecê (BA). Após o ocorrido, Antônio, ex-taxista e fotógrafo, chegou a ser atendido por funcionários de uma farmácia da região, e a SAMU foi chamada ao local. No entanto, o idoso acabou não resistindo, após uma parada cardiorrespiratória devido à reação alérgica causada pelo ataque. 

Além de Antônio, diversas outras pessoas também foram atacadas pelo mesmo enxame. Uma das mulheres que foi vítima dos animais acabou tendo que ser conduzida para uma clínica do município. Ela não teve sua identidade revelada, mas seu estado de saúde é considerado estável, sem risco de morte. Após os ataques, a área foi completamente isolada e os procedimentos de manejo do enxame foram tomados. De acordo com a Ouvidoria do Município, não havia solicitações prévias de remoção do enxame que causou o acidente.

"A cidade de Irecê, por meio da Prefeitura, implantou o serviço de manejo de abelhas nas áreas urbanas em maio de 2019. Até a presente data já foram capturados 547 enxames em residências, estabelecimentos comerciais e equipamentos públicos (praças, quadras, monumentos). Os serviços implantados tem como finalidade prevenir acidentes contra as pessoas e animais domésticos. Com isso recomendamos que as pessoas liguem para o nosso disk-chamada/WhatsApp", afirmou o secretário de Meio Ambiente do município, João Gonçalves, após o acidente. 

Perigos
O CORREIO conversou com o médico Jorge Benevides, especialista em alergias, para saber quais são os cuidados necessários para quem for picado por alguma abelha ou qualquer outro tipo de inseto. Inicialmente, o médico ressalta que a medida mais importante é o cuidado anterior, pois pessoas que já têm outros tipos de alergia tendem a sofrer mais com esses tipos de acidente, visto que são mais suscetíveis a desenvolverem reações por conta das toxinas. 

“Na realidade, a gente tem que ter muito cuidado com as pessoas que já tem uma história pregressa com alergias. Por exemplo, os que são sensíveis a alguns alimentos, que têm rinite alérgica, que têm asma, essas pessoas possuem tendências a desenvolverem novas alergias. Às vezes as pessoas são surpreendidas por uma picada de abelha, de formiga, de marimbondo ou vespa. Nesse caso, a melhor forma de se lidar com isso, caso a reação seja leve, é usar um creme local, um antialérgico e uma pedrinha de gelo envolta em um pano ou papel-toalha, para interromper a reação local”, explica Jorge.

Já em relação aos casos mais graves, com sintomas mais incisivos, Jorge recomenda que a vítima da picada se dirija imediatamente ao pronto-socorro, pois as reações acabam sendo bastante imprevisíveis e podem levar ao óbito da pessoa que sofreu o ataque, como no caso ocorrido em Irecê. 

“Agora, se o indivíduo apresenta quadro de falta de ar, aperto na garganta, dor intensa e localizada, que às vezes se espalha para todo o corpo, ou dificuldade para deglutir, é recomendado que a pessoa se dirija imediatamente para uma emergência, pois a toxicidade da picada da abelha é muito alta. Inicialmente, a primeira coisa a se fazer é tirar o ferrão, o que elimina 30% a 40% da reação. A picada cria situações de liberação de histamina e metilina, que são substâncias tóxicas, e se espalham por toda a corrente sanguínea, gerando diversas reações no corpo, que podem até chegar em um choque anafilático, que pode causar o óbito e acaba sendo algo imprevisível”, complementa. 

Jorge finaliza recomendando que as pessoas que já sabem que possuem complicações alérgicas que tomem todos os precauções quando estiverem em áreas que são suscetíveis aos ataques. “O ideal é andar sempre com um anti-alérgico, ou uma injeção de adrenalina, para quem tem casos mais graves. Além disso, é válido também sempre se precaver, como por exemplo, em relação às abelhas, evitar comer e beber coisas doces ao ar livre. As reações são muito complexas, e podem acabar fazendo um estrago em pouco tempo”, diz. 

Caso semelhante
Uma situação semelhante aconteceu no início do ano passado com o publicitário Antônio Miranda, de 74 anos. Ao passar a virada do ano na Ilha da Itaparica, o idoso acabou sendo atacado por um enxame de abelhas que estavam em uma mangueira próxima a sua residência. Antônio acabou recebendo mais de 200 picadas dos animais, foi encaminhado ao hospital, mas acabou não tendo consequências mais graves justamente por não ter tido reação alérgica ao ocorrido.

"Eu estava em Aratuba, e inicialmente entraram poucas abelhas. Do nada, em sequência, veio um enxame gigantesco, todo pra cima de mim. Eu saí correndo e fui para debaixo do chuveirão de praia. Foram 200 picadas, fiquei desesperado. Pedi orientação para minha filha, que é médica. Inicialmente a gente não tirou os ferrões, fui direto para o hospital, fui medicado, e tudo deu certo. Por sorte, só eu que fui picado, meus sobrinhos que também estavam no momento são alérgicos, então poderia ter acontecido algo pior", relatou. 

*Sob coordenação da subeditora Fernanda Varela

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