‘Ih, grupo errado!’: evite ter dor de cabeça no zap e no trabalho

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12.06.2017, 05:00:00
Atualizado: 12.06.2017, 09:30:58

‘Ih, grupo errado!’: evite ter dor de cabeça no zap e no trabalho

Enviar mensagem por engano em grupo de trabalho pode causar problemas

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O áudio de Catarina Amaral, estudante de Contabilidade, deveria ter sido compartilhado com uma amiga, mas por descuido foi parar no grupo de WhatsApp (aplicativo gratuito para a troca de mensagens) do trabalho, com cerca de 40 membros. Do nude à corrente de oração, enviar um conteúdo por engano em um grupo que deveria ser voltado para assuntos corporativos pode ser sinônimo de constrangimento ou pior, de demissão.

No caso de Catarina, ela percebeu a tempo. Apesar do assunto ser particular - um comentário sobre um paquera -, ela teve jogo de cintura e pediu aos colegas que o conteúdo fosse ignorado. Dos 40 membros do grupo, apenas três reproduziram o áudio e, mesmo com questionamentos, a estudante cortou o assunto. “Eu fingi que nada tinha acontecido e não entrei em detalhes, fiquei na minha.” 

Ilustração: Morgana Lima

 Quando isso acontece, não há muito a fazer, segundo a professora Maria Aparecida Araújo, CEO da empresa de consultoria Etiqueta Empresarial. “Toda vez que a gente não age em conformidade com o que é esperado devemos pedir desculpas.” Ela alerta que, dependendo da gravidade do conteúdo, a consequência vai existir. “Não há como um simples pedido de desculpas anular o efeito negativo dessa ação”, completa. Para Maria, isso pode causar um dano à credibilidade que levará tempo para ser esquecido.

De acordo com Luiz Wever, presidente da Odgers Berndtson, companhia internacional especializada em consultoria, no caso dos headhunters (recrutadores), a possibilidade de não utilizar o WhatsApp para assuntos de trabalho é quase impossível. “É um aplicativo em que podemos marcar conversas e pedir informações complementares de forma mais simples”, diz. É importante, portanto, ter cautela. “Você não tem como voltar atrás e precisa ter responsabilidade tanto com o seu caso quanto com quem pode comprometer.” O segredo é o mesmo para evitar que conteúdos sigilosos da empresa se tornem públicos.

Cautela
Depois do vacilo, Catarina passou a ter mais cautela. Isso porque a forma como o conteúdo chegou ao grupo de trabalho foi inesperada. “Eu enviei um áudio para uma amiga e ela pediu que eu encaminhasse para outra. Como o nome dessa pessoa começa com a mesma letra que o nome do grupo, enviei sem querer”, lembra. Agora Catarina está mais atenta e preferiu ter mais moderação nos seus posicionamentos na rede.

Ligia Marques, consultora em etiqueta, marketing pessoal e mídias sociais, orienta que é preciso pensar duas vezes antes de escrever algo que possa causar problemas. “Antes de enviar a mensagem é preciso responder às perguntas: isso pode me comprometer de alguma forma? Posso enviar o que escrevi para qualquer pessoa? Isso compromete a imagem da minha empresa de alguma forma? Gostaria que falassem isso de mim?” Segundo Ligia, esses são cuidados que valem para e-mails ou qualquer outro tipo de mensagem.

Quando o conteúdo é uma crítica a alguém e essa pessoa acaba lendo, Maria indica que a retratação deve ser pública e cara a cara. “Primeiro é preciso dizer que não se expressou bem e depois é necessário procurar a pessoa”, recomenda. Porém, o mais importante é evitar que isso aconteça. “A palavra de ordem é ter cuidado redobrado. E além disso, você não deve abrir a boca para falar mal de ninguém.” Segundo Maria, até comentário com uma única pessoa pode ser  motivo para ficar em maus lençóis entre colegas.

Como usar o Whatsapp para o trabalho

Sigilo: Informações confidenciais devem ser evitadas no aplicativo. Prefira ter essas conversas pessoalmente.

Produtividade: Apps de texto podem auxiliar o trabalho. Marque reuniões, tire dúvidas e peça informações complementares. Otimize o tempo.

Bom senso: Se você está em um grupo de trabalho, deve se comportar de acordo com o ambiente. Evite excessos e conteúdos desnecessários.

Sem hora extra: Se cobranças aparecem fora do expediente, não é obrigatório responder, exceto se for urgente.

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