Incêndio que está devastando Pantanal pode ter sido provocado por fazendeiros

brasil
15.09.2020, 09:55:19
Atualizado: 15.09.2020, 09:57:54
(AFP)

Incêndio que está devastando Pantanal pode ter sido provocado por fazendeiros

Acusados podem ser presos por até 15 anos

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A Polícia Federal (PF) encontrou indícios de que ao menos parte dos incêndios que estão devastando parte do Pantanal é criminosa. Em operação desencadeada nesta segunda-feira (14), o órgão cumpriu 10 mandados de busca e apreensão em fazendas e nas casas de fazendeiros, suspeitos de provocarem danos em uma área de 25 mil hectares.

Os indícios de que os incêndios foram criminosos fora encontrados através de dados de satélite de um núcleo da instituição em Brasília (DF), especializado em crimes ambientais. Além disso, a PF também sobrevoou várias fazendas no Pantanal.

“São locais inabitados, em que os incêndios não começaram de forma acidental. Nossa suspeita é de que eles colocaram fogo antes para depois abrir uma área de pastagem”, explicou o delegado-chefe da Polícia Federal em Corumbá, Alan Givigi, que coordena a operação.

Dos 10 mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal, dois foram em Campo Grande, na casa dos proprietários das fazendas, dois na zona urbana de Corumbá e outros seis nas propriedades no Pantanal.

“Em nossa equipe há peritos que vão poder comprovar a atuação nos locais dos focos de incêndios”, ressaltou o delegado.

Prisão
Os investigados podem responder por pelo menos quatro crimes ambientais: dano à floresta de preservação permanente, dano direto e indireto a unidades de conservação, incêndio florestal e poluição. Se condenados, a pena somada destes crimes ultrapassa 15 anos de prisão.

A operação desta segunda-feira (14), recebeu o nome de Matáá, palavra que significa fogo na língua indígena guató.

“Trata-se de uma área povoada por animais em risco de extinção. O fogo alastrou-se pelas áreas dos parques. É um corredor ecológico que liga os parques do lado brasileiro e também em território boliviano”, explicou o delegado, sobre os possíveis crimes ambientais cometidos pelos fazendeiros.

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