Karaokê, pelúcias e boate: motoristas do Uber que fazem a diferença

bazar
04.02.2019, 13:00:00
(Foto: Renato Santana/CORREIO)

Karaokê, pelúcias e boate: motoristas do Uber que fazem a diferença

Descubra quatro pessoas que transformam a viagem em uma diversão

Já imaginou entrar em um Uber e dar de cara com um monte de bichos de pelúcia? Ou ainda com um veículo que é uma verdadeira balada, com música alta e até cerveja no fim de semana? Então conheça esses quatro motoristas que rodam pelo aplicativo.

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Vá cantando
Imagine que você entra num Uber com assento massageador e karaokê, e o motorista pergunta que música você quer cantar. Isso  acontece quando você entra no Citroen C3 prata de Neyton Cavalcante (@cantenouber no Instagram). 

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Neyton começou no Uber há 2 anos, para ganhar um extra nas folgas do trabalho como motorista da prefeitura. A ideia do karaokê surgiu após ele perceber passageiros cantando junto com a rádio. Neyton comprou um tablet e um microfone para oferecer a experiência completa. Fora do carro, ele é vezeiro no karaokê. “Eu não bebo, então sempre levo um karaokê para as festas. Assim, posso aproveitar também”, conta.

Neyton Cavalcante e seu karaokê móvel
(Foto: Renato Santana/CORREIO)

O assento massageador da cadeira do carona também é um gosto dele. “Eu tinha uma cadeira de massagem em casa e pensei que seria legal o passageiro curtir isso no carro”, diz. Às vezes, rola até quebra cabeça: e quem completar ganha desconto. “O que eu ofereço não é transporte ou karaokê: é humor e emoção. Não carrego carga, levo pessoas”, ressalta.

Ele só pula a gaiatice quando pega gente em hospitais ou cemitérios. Com os mimos, ele calcula ter gastado quase R$ 1 mil. Depois deles, o faturamento mensal aumentou cerca de R$ 500.

Tem gente que combina corrida como parte de aniversário de namoro, com direito até a bolo. “Marcam comigo para levar para jantar e a surpresa começa no carro, com músicas românticas no karaokê”, comenta.

Presença de Peppa
No São João, o Renault Logan cinza de Thiago Santos ganhou bandeirolas e milho cozido. No Natal, foi a vez de botar luzes e ornamentos que normalmente são vistos em árvores natalinas. Motorista de aplicativo há 2 anos, ele recebeu o peculiar apelido de Peppa pelos amigos.

Thiago Santos e o Peppa móvel
(Foto: Renato Santana/CORREIO)

“Sou gordinho, e quando estou nervoso fico vermelho”, conta o ex-vendedor de móveis. Ele adotou a brincadeira e seu carro tem adesivos da porquinha cor de rosa nas portas da frente, bonecos da Peppa no painel, e o próprio motorista usa uma camisa com a personagem. 

A decoração natalina foi trocada este mês: o carro agora tem máscaras de Carnaval, desenhos de coqueiros e capoeira no painel, e colares havaianos no teto. Toda novidade é compartilhada em vídeos e fotos no Instagram, @voucompeppa. 

O gosto pelo atendimento diferente veio da época da loja de móveis. “Eu inha vários cartões diferentes e minha mesa era decorada. Eu gastava meu dinheiro para comprar lanche para os clientes, que esperavam até 15 minutos para serem atendidos por mim”, lembra.

Mas a decoração peculiar não agrada a todos de cara. Ele lembra que buscou um senhor no bairro da Graça que ligou para ele para confirmar se era mesmo o carro “cheio de parafernália na frente do prédio”. “Antes ele estava meio em dúvida se eu era besta, mas acho que entendeu depois”, conta Thiago, que calcula gastar cerca de R$ 100 a cada troca de tema. 

Mas a decoração é apenas parte do atendimento de Thiago. Muitos passageiros pedem ajuda nas mais variadas situações, desde quem procura conselhos amorosos aé quem tem câimbra enquanto está no carro. Ele faz o que pode. “Aqui não é só deslocar um corpo de um lugar para o outro, mas sim ser multiuso; agir como um pai, um irmão”, diz.

Rei das pelúcias
O Renault Logan branco de Atan Gama é uma brinquedoteca. Mais de 30 pelúcias que vão de Pokémon a Chaves cobrem painel e portas. A coleção vem de máquinas de shopping. O rapaz, que entrou para o app em 2018, costuma dar pelúcias de presente. Dois Pokémons foram dados para um chinezinho de 9 anos que vestia roupas do desenho. Um ursinho foi para uma moça.

Atan Gama e sua brinquedoteca móvel
(Foto: Renato Santana/CORREIO)

“Na Paralela, de madrugada, ela pegou 3 ursinhos no colo e chorou. Perguntei se estava bem e ela contou que sempre quis um ursinho, mas seus pais não tinham condição”, lembra.

Ele calcula ter gasto cerca de R$ 1 mil com decoração e pretende, ainda, instalar um globo de luz. Também registra o dia a dia no Instagram, @atan_uber.

Boate móvel
O carro da balada: assim é o Celta Preto de Paulo Jesus, que tem iluminação, WiFi, música alta e até cerveja no fim de semana. Corretor de imóveis e motorista, ele não pretende parar por aí: o próximo carro terá dois globos de luz e máquina de fumaça.

Paulo Jesus e sua balada móvel
(Foto: Renato Santana/CORREIO)

Tudo começou com luzes no chão do carro, pois muitos clientes costumavam perder coisas. Os rolés são registrados no Instagram, @uberboatpop. “A gente já tem dias tão estressantes... Nada melhor que um Uber diferente, alegre”, diz Paulo.

Durante o dia também tem gracinha: o GPS fala com sotaque pernambucano. Ele conta que gastou menos de R$ 100 com a decoração e acha que passou a ganhar mais desde os incrementos, mas não sabe quanto.

*Colaborou para o CORREIO

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