Mães de vítimas de quadrilha de PMs pedem justiça: 'Morremos com nossos filhos'

salvador
17.10.2017, 05:01:00
Atualizado: 17.10.2017, 11:43:24

Mães de vítimas de quadrilha de PMs pedem justiça: 'Morremos com nossos filhos'

Amigos foram sequestrados e, após pedido de resgate, torturados e mortos; em vídeo, mãe conta o que diria a autores

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"Eles sofreram muito antes de ser mortos. Isso não se faz nem com um animal". A declaração é da dona de casa Maria Luíza Gomes Vidal, 65 anos, mãe de Marcos Borges Vidal, uma das vítimas, segundo a Polícia Civil, de uma quadrilha que tinha como integrantes vários PMs, entre eles, o soldado Marcos Vinicius de Jesus Borges Ciriaco e o PM reformado Juraci Belo Santos, que estão presos.

Leia a reportagem principal: PMs presos por sequestros e mortes tinham casa de tortura em Canabrava

Vidal foi torturado e morto junto com o amigo, o agente penitenciário Andrew Trindade Vieira. Os dois foram sequestrados no bairro da Federação, em Salvador, e os assassinos chegaram a pedir resgate às famílias, em 13 de outubro de 2016. Com o insucesso das negociações – chegaram a pedir R$ 100 mil para liberá-los –, enviaram a foto de Andrew morto, na estrada do CIA, em Simões Filho, Região Metropolitana de Salvador.

“Eu queria ficar cara a cara com eles e perguntar: por que fizeram isso com o meu filho e o amigo dele? Que levassem tudo, as joias, o dinheiro, mas deixasse os dois vivos. Eu e a mãe de Marcos morremos junto com os nossos meninos. Era o meu único filho e hoje sou um cadáver vivo porque não tenho forças para viver”, disse ao CORREIO a dona de casa Edileuza Santana Trindade, 59, mãe de Andrew (veja depoimento completo no vídeo acima).

Andrew foi sequestrado na Federação junto com amigo; ambos foram torturados e mortos há um ano (Foto: Reprodução)

Dona Maria Luiza e ela dizem não temer os suspeitos pelo crime e afirmam que vão continuar a buscar justiça, custe o que custar. 

“Nem que use as minhas últimas forças, mas farei de tudo para vê-los apodrecerem atrás das grades. Não medirei esforços. Não tenho medo deles. Já me tiraram o que mais tinha de precioso”, declarou Edileuza.

“O que mais me dói é o fato de eles terem algemado meu filho e Andrew, sem dar chance de defesa”, completou Maria Luíza.

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