Mané Dendê recebe investimento de mais de R$ 500 milhões

salvador
11.12.2018, 05:00:00

Mané Dendê recebe investimento de mais de R$ 500 milhões

Obra de saneamento, urbanização, moradias e intervenções sociais tem verba do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)

Quando as amigas de longa data Rosilene Alcântara, 65 anos, e Alaíde Barbosa, 62, chegaram ao bairro da Terezinha, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, “era tudo água”. Moradoras do local há mais de 40 anos, as duas aposentadas conhecem a história do bairro como ninguém - e lembram dos detalhes, desde a chegada do asfalto e dos ônibus até a água encanada. Agora, elas poderão testemunhar outra mudança na região: o projeto Novo Mané Dendê, que foi lançado, nesta segunda-feira (10), pela prefeitura de Salvador, investe mais de R$ 500,6 milhões na área que compreende o bairro onde moram.

Dona Alaíde mora na Terezinha desde os 14 anos: vai testemunhar novas mudanças
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

O programa já é considerado como uma das maiores ações de saneamento, urbanismo e intervenção social da história da capital baiana. “É um programa de saneamento básico, viário, de reassentamento e de habitação, e irá oferecer a cinco bairros novos equipamentos de lazer. Uma nova condição de vida para 45 mil pessoas”, disse o prefeito ACM Neto. A área beneficiada é a Bacia do Mané Dendê, que abrange os bairros de Alto de Santa Terezinha, Itacaranha, Plataforma, Rio Sena e Ilha Amarela.

No total, uma área de 800 mil metros quadrados, equivalente a 80 campos de futebol, ganhará as intervenções. A obra, que tem previsão de cinco anos de duração, contou com R$ 507,6 milhões de investimento, dividido entre recursos da prefeitura e de empréstimo internacional assinado em junho passado (leia mais ao lado). 

Dentre os serviços estão a macrodrenagem em três quilômetros do rio, além de seus afluentes. O serviço será feito para que a capacidade de drenagem pluvial da bacia seja recuperada, diminuindo os casos de enchentes. Toda a área receberá uma rede de esgotamento sanitário. Novas 1,8 mil casas receberão ligação e tratamento do esgoto. Segundo a prefeitura, além da rede atual ser insuficiente, ela não se conecta à rede geral e é lançada no próprio rio.

Moradia
Casas que foram construídas sobre o leito do rio ou em suas margens serão reestruturadas. Hoje, são inundáveis, ficam em encostas e fundos de vales. Cerca de mil moradias que estão nas áreas de risco e nas linhas de drenagem serão realocadas. Unidades habitacionais já estão sendo construídas pela prefeitura para receber essas pessoas.

Moradias populares já começaram a ser construídas no Alto de Santa Terezinha
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

É o caso de dona Maria Regina Santos, 76, que há 60 anos mora na Terezinha. A casa que ela construiu será afetada diretamente pelas obras. “Eu estou apreensiva. Moro ali, meu filho mora com minha nora e meu neto também está construindo uma laje em cima da minha casa. É muita história. Tenho medo”, disse ela.

Mesmo com o medo, ela gostou do projeto: “Se me derem o que me for de direito, será ótimo. O projeto é bom, mas a nossa maior preocupação é com a nossa casa”.

O terreno acidentado que agrava as condições das moradia, inclusive, é uma das características do Mané Dendê, conforme explica o projeto feito pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF). Segundo a prefeitura, a maior parte das casas da comunidade fica perto de esgotos, o que  eleva o risco de doenças, além de inundações e deslizamentos de terra. O projeto lançado busca mudar essa realidade.

Ações sociais
Também será feita a urbanização da região da Bacia do Mané Dendê, com construção de um mercado público, duas creches, um centro cultural multiuso, um terminal de ônibus, 24 praças, vias de acesso ao transporte e recuperação de nascentes. As ações sociais envolvem geração de emprego e de renda na região, capacitação profissional e equipamentos para cooperativas de reciclagem.

Seu Bartolomeu mora há quatro anos em Itacaranha: "Acredito que tem um monte de coisa para ajeitar"
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

As ações podem beneficiar pessoas como seu Bartolomeu Jesus, 59 anos. Natural do município de São Felipe e ex-morador do bairro da Capelinha, em Salvador, ele conta que se mudou para Itacaranha há quatro anos porque achou a oportunidade quando ainda trabalhava como porteiro.

Hoje está desempregado e correndo atrás de trabalho. “Tem muita coisa bonita aqui. A gente ainda tem muita dificuldade também. Acredito que tem um monte de coisa para ajeitar”, avalia seu Bartolomeu.

Projeto recebeu parte de empréstimo internacional
O projeto de intervenção social na região da Bacia do Mané Dendê, lançado nesta segunda-feira (10), vai beneficiar uma das áreas mais carentes de Salvador. Essa foi uma das razões para o local ter sido escolhido pela Prefeitura para receber as intervenções.

“É uma das áreas mais carentes, principalmente por conta da ausência de esgotamento sanitário adequado. Além disso, ainda apresenta ocupações em áreas de risco, casas em situação precária e necessidade de investimentos urbanísticos”, informou a prefeitura, em nota.

Projeto Novo Mané Dendê foi lançado nesta segunda-feira (10), em Salvador
(Foto: Betto Jr./CORREIO)

Por conta disso, o projeto recebeu, além do empréstimo, uma doação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A negociação com o banco começou em 2016. Uma doação de US$ 750 mil foi feita para a prefeitura após apresentação de informações de um estudo e estimativa de orçamento do projeto. Com o valor, a prefeitura construiu o projeto básico com a Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF).

“O valor do BID permitiu que nós pudéssemos iniciar esse projeto. Com ele concluído, pudemos partir para a negociação do empréstimo. Esse é um projeto que vai beneficiar uma área extremamente carente de Salvador”, afirmou o secretário da Casa Civil, Luiz Carreira. 

Os bairros de Alto de Santa Terezinha, Itacaranha, Plataforma, Rio Sena e Ilha Amarela - todos cortados pela bacia do Mané Dendê - foram os escolhidos para a primeira etapa do programa. 

Para a construção do projeto, cerca de 28 reuniões foram realizadas entre a prefeitura e moradores dos bairros desde 2017. Em cada uma delas, participaram, em média, 250 pessoas.

“Hoje, o Mané Dendê é um rio de esgoto. Todo o esgoto está sendo lançado no rio. O grande projeto é o saneamento. É preciso sanear toda a área da bacia. Temos que fazer, então, drenagem. Além disso, a área receberá pavimentação, iluminação e equipamentos públicos que forem necessários. Áreas muito próximas terão que ser assentadas”, disse, emocionada, a presidente da FMLF, Tânia Scofield, que falou sobre a responsabilidade de tocar o projeto.

Tânia lembrou que há verbas para que haja melhoria em habitações que não precisem sair do local. “Têm casas sem sanitário, que precisam de melhorias com telhado. Faremos um levantamento de quais casas entrarão no programa. Tudo isso está sendo discutido com a comunidade. Um trabalho social muito forte está sendo realizado”, afirmou.
 

Rio Mané Dendê corta cinco bairros do Subúrbio Ferroviário e deságua no Parque São Bartolomeu
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Conheça a Bacia do Mané Dendê
Extensão
 - Atravessa cinco bairros do Subúrbio Ferroviário de Salvador: Alto de Santa Terezinha, Itacaranha, Plataforma, Rio Sena e Ilha Amarela. O Rio Mané Dendê deságua na cachoeira de Oxum e Nanã, no Parque de São Bartolomeu, lugar de tradição e culto das religiões afro-brasileiras. Serão mais de 800 mil m² de área beneficiada pelas melhorias.

População - O Mané Dendê encontra-se no Subúrbio, região onde moram 24,55% da população da cidade. A poli-
gonal do projeto reúne cerca de 34 mil pessoas. Segundo o IBGE (2010) em torno de 80% dos domicílios destes bairros apresentam rendimento nominal domiciliar mensal de 0 a 1 salário mínimo.

Formação  - A história do território do Parque São Bartolomeu, onde fica a bacia, começa com o aldeamento Tupinambá, cuja principal atividade era de viveiro de peixes. Posteriormente, com a aldeia de São João de Plataforma, fundada pela Companhia de Jesus, instalou-se na região um sítio de engenhos de açúcar.

*Com supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier


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