Médica envolvida em acidente do TCA deu R$ 1 mil à família das vítimas

salvador
10.12.2018, 21:57:00
Atualizado: 11.12.2018, 08:53:20

Médica envolvida em acidente do TCA deu R$ 1 mil à família das vítimas

Filha de bióloga morta pede explicações à polícia; avó foi enterrada nesta segunda

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Médica ficou em estado de choque após acidente (Foto: Reprodução/TV Bahia)

A médica Ocridalina Maria Oliveira Virgens, que perdeu o controle de um Fiat Toro (placa PKO-8594), se chocou em um ônibus e invadiu um ponto de ônibus, atropelou e matou duas pessoas, na tarde da última terça-feira (4), em frente ao Teatro Castro Alves (TCA), no Campo Grande, procurou a família das vítimas e ofereceu R$ 2 mil.

De acordo com parentes da bióloga Carla Beatriz Santana Santos, 37 anos, e da mãe dela, a cuidadora de idosos Rita de Cássia Santana, 56, a condutora fez contato via WhatsApp e, embora tenha oferecido a quantia, depositou R$ 1 mil.

Os familiares informaram ao CORREIO que, em cada enterro, gastaram R$4,6 mil. 

A médica disse que o dinheiro deveria ser usado no sepultamento de Carla Beatriz, que morreu na ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), antes mesmo de chegar a o Hospital Geral do Estado (HGE).

Nesse domingo (9), Rita de Cássia morreu depois de cinco dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HGE. A motorista, no entanto, não retornou o contato.

Carla Beatriz e Rita de Cássia estavam juntas quando foram atropeladas (Foto: Reprodução/Vinícius Nascimento/CORREIO)

Filha de Carla, a estudante Laila Santana dos Santos, 19, afirmou ao CORREIO que a família só soube a identificação da médica porque esteve na delegacia, onde ficaram sabendo alguns detalhes do depoimento.

"Ela é medica do Samu. Tanto que num instante eles (socorristas do Samu) chegaram lá. Mas e por que ela não saiu do carro para ajudar? São duas pessoas mortas, sabe? E a polícia? Nada diz?", indagou, durante sepultamento da avó, no Cemitério do Campo Santo, na tarde desta segunda-feira (10).

O coordenador do Samu de Salvador, Ivan Paiva, informou ao CORREIO que Ocridalina não pertence ao quadro de funcionários do serviço de atendimento na capital.

Sepultamento de Rita de Cássia, nesta segunda, no Campo Santo
Sepultamento de Rita de Cássia, nesta segunda, no Campo Santo (Foto: Tailane Muniz/CORREIO)
Sepultamento de Rita de Cássia, nesta segunda, no Campo Santo
Sepultamento de Rita de Cássia, nesta segunda, no Campo Santo (Foto: Tailane Muniz/CORREIO)
Sepultamento de Rita de Cássia, nesta segunda, no Campo Santo
Sepultamento de Rita de Cássia, nesta segunda, no Campo Santo (Foto: Tailane Muniz/CORREIO)

Investigação
Para Laila, que perdeu em período de cinco dias, as maiores referências que tinha na vida - a mãe e a avó -, a Polícia Civil "precisa explicar detalhes do acidente". 

"Eu quero saber por que ela saiu de lá dirigindo o próprio carro, e por que a cena do crime foi lavada durante a perícia. Eu quero explicações, só isso", disse, amparada por uma amiga.

Procurada pelo CORREIO, a Polícia Civil reafirmou, em nota, que não passaria a identificação da motorista do Toro, ou mesmo do motorista e cobrador do ônibus envolvido no acidente, que aconteceu na esquina com a Rua Leovigildo Filgueiras, no Garcia. 

"Foram coletados os depoimentos dos envolvidos e imagens de câmeras estão sendo analisadas pela perícia. Mais informações não podem ser divulgadas, para não comprometer a apuração do caso", diz a nota. O crime é investigado pela 1ª Delegacia (Barris).

Local de atropelamentos sujo de sangue

Local de atropelamentos sujo de sangue logo após acidente, na terça (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Sonho interrompido
De acordo com Laila, a mãe costumava visitar a avó no Campo Grande, onde Rita de Cássia trabalhava em um prédio como cuidadora de idosa. Também era de costume que ela acompanhasse a bióloga até o ponto de ônibus.

A jovem disse ao CORREIO que no dia em que Carla Beatriz morreu, havia recebido a confirmação de uma aprovação para fazer pós-graduação na Universidade Federal Rural, no Rio de Janeiro.

A bióloga, que morava com a única filha em Cajazeiras, estava a caminho do Comércio, onde trabalhava como assistente de telemarketing, segundo Laila, para complementar a renda.

"Minha mãe estava feliz. A pós era o sonho dela, mas ela não teve tempo sequer de finalizar a matrícula. Ela também queria me ver formar, como assisti a formatura dela. Essas pessoas levaram minhas duas bases, com quem eu contava para tudo na vida. E vai ficar assim, por isso mesmo?", questionou.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas