'Medo que julho tenha uma tragédia pior que março', diz Rui sobre pandemia

coronavírus
10.06.2021, 12:24:00
Atualizado: 10.06.2021, 18:18:07
(Reprodução)

'Medo que julho tenha uma tragédia pior que março', diz Rui sobre pandemia

Governador demonstrou preocupação com aproximação do período junino

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

O governador Rui Costa demonstrou preocupação com a situação da Bahia no próximo mês, por conta do cenário atual e pensando no período pós-São João. "Estamos com medo que o começo de julho tenha uma tragédia pior do que o mês de março", afirmou Rui, que participou nesta quinta-feira (10) de uma inauguração de policlínica em Eunápolis, no sul da Bahia. 

A situação agora também exige cautela, diz. "Estamos muito preocupados agora. Chegamos em março a 20 mil contaminados, e o que aconteceu em março? Uma tragédia", afirma. "Qual a diferença do mês de fevereiro e março para agora? Tínhamos leitos vazios na Bahia inteira, e nós tínhamos capacidade para absorver a multidão que chegou aos hospitais", considerou.

Agora, há menos leitos vazios. "Se as festas de São João provocarem uma avalanche de pessoas nos hospitais, só temos 15% de leitos disponíveis", acrescenta. "Se não conseguirmos regular em até 24h, está comprovado que a taxa de mortalidade aumenta".

Rui disse que se isso vai acontecer ou não, "depende do comportamento das pessoas" durante o período junino. "Já vimos que até pequenas aglomerações como no Dia das Mães afeta nos índices", explicou. 

Por isso, ele pediu à população que colabore evitando aglomerações. Também criticou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelo ritmo de vacinação no país. "Quero pedir ajuda de vocês porque ninguem faz nada sozinho. Precisamos da ajuda e consciência da população. Se dependesse de nós, o povo já estaria vacinado, mas não estamos porque o presidente não comprou vacina e nós temos que superar esse momento agora".

Sem ônibus no São João
Rui já anunciou em maio que durante o período junino a Bahia ficará sem ônibus intermunicipais, para desestimular festas e aglomerações. "Alguns dias antes do São João, vamos proibir a colocação de horários extras e estipular a lotação máxima dos ônibus de 70%. Nos dias mais próximos ao São João, três dias antes e depois, nós vamos suspender totalmente o transporte. Então, funcionará dessa forma para não prejudicar quem precisa fazer uma viagem por necessidade de saúde ou de trabalho, sem estimular que as pessoas se locomovam com a intenção de se aglomerarem em festas e reuniões vinculadas ao período das festas juninas”, disse.

Para ele, falta sensibilidade em quem insiste na festa. "Independente da cidade e da região, digo que nós não permitiremos qualquer festa no São João. Não entendo a falta de sensibilidade das pessoas porque fazer qualquer festa nessa situação é um desrespeito a vida humana", afirmou o governador.

Outras medidas
Além da proibição dos transportes intermunicipais no São João, outros decretos estaduais estão em vigor atualmente para controlar o avanço da pandemia no estado. Atualmente, por exemplo, há um toque de recolher das 21h às 5h até 15 de junho. Isso é válido para toda a Bahia, exceto nos municípios localizados nas regiões da Chapada Diamantina, Oeste, Irecê, Jacobina, Sudoeste e Extremo-Sul. Lá a decisão é mais severa e o toque de recolher vale das 20h às 5h.  

Pelo decreto, nas cidades integrantes das regiões de saúde em que a taxa de ocupação de leitos de UTI vier a se manter igual ou inferior a 75%, por cinco dias consecutivos, a restrição na locomoção noturna será válida das 22h às 5h. No entanto, nessa quarta-feira (9), todas as regiões da Bahia apresentavam ocupação na UTI acima de 75%, o que indica a gravidade da pandemia.   

Também está proibida a venda de bebida alcoólica em quaisquer estabelecimentos, inclusive por delivery, no período das 18h de 11 de junho, sexta, até as 5h de 14 de junho, segunda-feira. A decisão é válida para todo o estado, com exceção, mais uma vez, dos locais onde a ocupação da UTI é maior do que 75%, o que não existe, atualmente 

Na Região Metropolitana de Salvador (RMS), já está decidido que o toque de recolher será das 20h às 5h, entre a próxima sexta (11) e segunda-feira (14). De terça (8) a quinta-feira (10), o toque de recolher permanece das 22h às 5h. A venda de bebidas alcoólicas também está proibida nessa região, inclusive por delivery. Os ônibus metropolitanos tem circulação suspensa das 20h30 às 5h, durante o final de semana. Os ferrys boats não podem funcionar no sábado (12) e no domingo (13). Já as lanchinhas, nesses períodos, podem circular com o máximo de 50% da capacidade da embarcação e obedecendo o horário do toque de recolher.  

Em Salvador, os decretos municipais foram renovados pelo menos até essa sexta-feira (11). Com isso, o funcionamento dos estabelecimentos comerciais não será alterado. Teatros, casas de espetáculos e eventos com aglomerações, por exemplo, permanecem proibidos. 

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas