'Minha filha morreu, como vou ficar agora?', diz pai de bebê atropelada em Copacabana

brasil
19.01.2018, 06:29:39
Atualizado: 19.01.2018, 06:49:59
Carrinho de bebê ficou retorcido após impacto de carro na praia de Copacabana (AFP Photo)

'Minha filha morreu, como vou ficar agora?', diz pai de bebê atropelada em Copacabana

Atropelo aconteceu na noite desta quinta-feira (18). Motorista estava com carteira cassada

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A mãe da bebê Maria, de 8 meses, que morreu após ser atropelada na praia de Copacabana na noite desta quinta-feira (18), Miedes Araújo da Silva, de 23, está internada em estado grave, no Hospital Municipal Miguel Couto. A informação foi dada pelo pai da criança, Darlan Rocha de Azevedo, 27.

Ele contou que a mulher dele estava passeando com a filha e a mãe, que tinha chegado de Recife, no calçadão.  "Eu estava trabalhando, minha mulher estava passeando com minha filha no calçadão, com o carrinho de bebê, e a avó", disse. O casal tem outro filho - Maria era a caçula - e mora em Copacabana.

O motorista do HB20 preto, carro que atropelou as 16 pessoas, Antônio de Almeida Anaquim, 41, disse na delegacia que sofreu um ataque de epilepsia e teve um apagão. 

Segundo os PMs, dentro do carro de Anaquim havia medicamentos para epilepsia. Após prestar depoimento, ele foi levado ao Instituto Médico-Legal (IML) para realizar exames de saúde que poderiam comprovar problema médico. Pessoas epiléticas podem dirigir automóveis, desde que comprovem não sofrer crises frequentes.

O coronel Murilo Angelotti, comandante do 17.º Batalhão da PM, em Copacabana, informou que Anaquim relatou ter sofrido um "apagão". Testemunhas também contaram que, ao descer do veículo, Anaquim estava "meio parado" e "não esboçava reação".

Carteira suspensa
Pai da bebê morta, Darlan Rocha questionou como Antônio estava dirigindo. "Tem epilepsia e tem carteira de motorista, como pode? Ele (o atropelador) é um assassino, não era para ter carteira de motorista. Minha filha morreu, como vou ficar agora?", disse o pai, emocionado, na porta da delegacia.

Uma tia do bebê, Solange Maria Marcos, criticou o atropelador. "Na hora ele fugiu e não prestou socorro. Agora vem com um monte de remédios, vem dizer que é doente. Nunca vi uma pessoa doente ter uma habilitação. Agora vai sair daqui, dormir no ar-condicionado, enquanto o pai da Maria vai ficar chorando".

Segundo testemunhas, o veículo desgovernado atravessou tanto a ciclovia como a calçada e só parou quando já estava com as quatro rodas sobre a areia. Antes da chegada da polícia, pedestres que estavam nas imediações chegaram a agredir o motorista, que tentou fugir para se proteger. Quando os policiais militares intervieram, Anaquim foi detido e conduzido para prestar depoimento na 12ª DP (Copacabana). 

Antônio estava com a habilitação suspensa desde maio de 2014. O motorista, de acordo com o Detran, não cumpriu a exigência de devolução da habilitação. Por ter cometido crime de trânsito e dirigido com a carteira suspensa, Anaquim terá sua documentação cassada.

Vítimas
De acordo com os bombeiros, entre os feridos havia mais quatro crianças, duas em estado grave. Todas receberam atendimento de emergência no local e depois foram encaminhadas para hospitais da região pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). 

Nove feridos, entre eles sete adultos e duas crianças, foram levados ao Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, na zona sul. Segundo o hospital, a vítima mais grave internada na unidade teve traumatismo craniano. Outra sofreu fratura exposta e passava por uma cirurgia na madrugada de hoje. Outros feridos foram levados ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro da cidade.

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