Morre em São Paulo a atriz e diretora Nadja Turenko

Teatro e Dança
19.09.2016, 11:25:00
Atualizado: 19.09.2016, 16:54:01

Morre em São Paulo a atriz e diretora Nadja Turenko

Nadja era considerada uma das atrizes mais consagradas do teatro baiano

Morreu na madrugada desta segunda-feira (19), em São Paulo, a atriz e diretora Nadja Santana Turenko. A atriz lutava contra um linfoma não-Hodgkin, tipo de câncer que atinge o sistema linfático e mesma doença que acometeu a ex-presidente Dilma Rousseff e os atores Reynaldo Gianecchini e Edson Celulari. Ela descobriu o câncer em agosto do ano passado.

Nadja estava internada no Hospital A.C.Camargo Câncer Center, onde fazia seu tratamento, e morreu às 5h20 de hoje. Segundo Bisa Almeida, cunhada da atriz, ela será velada por familiares e amigos na Igreja Messiânica da Vila Mariana, em São Paulo. Em seguida, será cremada. Suas cinzas serão levadas para Salvador, onde haverá uma última homenagem durante cerimônia íntima para amigos.

(Foto: Arquivo CORREIO)

"Gianecchini costumava ligar para dar apoio a ela. Ontem ela havia recebido a visita do atores baianos Wagner Moura e Laila Garin no hospital. Ela chegou a fazer um auto transplante em fevereiro, mas não obteve sucesso e tomou uma carga muito forte de quimioterapia. Nadja ficou muito debilitada, perdeu peso e teve outras complicações", explicou Bisa emocionada ao CORREIO.

Em nota, o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, lamentou a perda da colega e trabalho e amiga. "Os palcos estão em silêncio. Reverência e homenagem eterna a esta grande atriz, esta mulher incrível. Digna, talentosa e muito disciplinada. Uma das meninas mais incríveis que tive o prazer se dirigir. A dor é que vai ter sempre um papel nas minhas peças esperando por ela. O consolo é saber que tive o prazer de conviver com esta grande figura. Que lutou até o fim com uma coragem impressionante. Que os deuses do teatro lhe recebam com uma grande festa Nadja Turenko. Evoé!", disse.

Nas redes sociais amigos e alunos também lamentaram a morte. "Nadja foi nossa companheira. Esteve ao nosso lado nos momentos difíceis. Uma mulher corretíssima, corajosa, inteligente e que nos queria bem. Nos deu de presente Três Mulheres e Aparecida. Eu também estou arrasada. Mas, sei que ela partiu tranquila e acredito em novos caminhos, melhores caminhos", escreveu Rita Assemany.

"Queria escrever algo, queria contar que foi massa ser aluno dela de Mímica Corporal Dramática na Escola de Teatro da UFBA, mesmo ao meio dia. Queria dizer que ABISMO DE ROSAS ainda ecoa em mim. Queria escrever sobre a minha admiração pela pessoa, pela atriz, pela disciplina. Mas não consigo", disse Marcelo Dalcom.

"Dos poucos momento juntas sempre muito amor envolvido. Confesso que a ficha não caiu ainda... Luzes , muitas luzes para você que era uma estrela. Te amo no azul onde estiver! Descanse em paz minha linda!", homenageou a cantora Juliana Ribeiro.

Carreira
Apesar de ser natural de Belém, no Pará, Nadja tinha forte relação com a Bahia. Ela deu aulas durante 12 anos na escola de teatro da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e era considerada uma das atrizes mais consagradas do teatro baiano.

"Nadja morou cinco anos em Paris e foi a percussora da mímica corporal dramática do Brasil. Ela trouxe, inclusive, professores franceses algumas vezes para participar de seminários aqui", disse Bisa Almeida emocionada.

Nadja se formou em Mímica Corporal Dramática pela Ecole de Mime Corporel Dramatique, de Paris, e era membro permanente da companhia inglesa Theatre de L’Ange Fou. Durante sua carreira, a atriz também trabalhou como roteirista e atuou em 33 espetáculos, três longas e dois curtas-metragens, seriados e publicidade em TV.

Ela também recebeu prêmios de Revelação do Ano na Bahia e Melhor Direção no Festival de Guaramiranga, com o espetáculo “Clarices”.

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