Morre o ator e comediante Lúcio Mauro, aos 92 anos

brasil
12.05.2019, 07:29:00
Atualizado: 12.05.2019, 12:55:49
Lúcio Mauro e Chico Anysio, em gravação da Escolinha, onde ele esteve entre 1990 e 1994

Morre o ator e comediante Lúcio Mauro, aos 92 anos

Paraense interpretou Aldemar Vigário, o bajulador do Professor Raimundo

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Morreu neste sábado (11), aos 92 anos anos, no Rio de Janeiro, o ator Lúcio Mauro. Ele estava internado com problemas respiratórios havia cerca de dois meses. Lúcio de Barros Barbalho nasceu em Belém do Pará, em 14 de março de 1927. Estreou na Globo em 1966. Integrou o elenco de alguns dos principais programas de humor da emissora como Chico City (1973), Os Trapalhões (1989) e Escolinha do Professor Raimundo (1990).

Lúcio Mauro entre Zico e Sônia Mamede em 1968, no Balança, Mas Não Cai
Lúcio Mauro entre Zico e Sônia Mamede em 1968, no Balança, Mas Não Cai (Acervo Globo)
O ator com Lúcio Mauro Filho, na nova Escolinha
O ator com Lúcio Mauro Filho, na nova Escolinha (Acervo Globo)
Com Chico Anysio, no Zorra Total
Com Chico Anysio, no Zorra Total (Zé Paulo Cardeal/TV Globo)
Dodi (Murilo Benício), Sabiá (Lúcio Mauro) e Fafá (Claudia Missura) em cena de A Favorita em dezembro de 2008
Dodi (Murilo Benício), Sabiá (Lúcio Mauro) e Fafá (Claudia Missura) em cena de A Favorita em dezembro de 2008 (Ivone Perez/TV Globo)

Nascido em Belém do Pará, em 1927, Lúcio Mauro iniciou a carreira artística no teatro juvenil, quando seu trabalho chamou a atenção do ator Mário Salaberry. Com pouco mais de 20 anos, Mauro (cujo nome verdadeiro era Lúcio de Barros Barbalho) ingressou na companhia de Salaberry, com a qual participou de diversas turnês pelo País. Em uma viagem, o grupos sofreu um acidente que vitimou Salaberry. Arrasado, Mauro voltou para Recife onde conheceu Barreto Júnior, comediante que tinha uma companhia humorística na cidade. Logo foi integrado ao grupo.

A experiência permitiu que fosse contratado, em 1960, pela TV Rádio Clube de Pernambuco, recém inaugurada. Foi sua estreia na televisão.

"Lúcio sempre foi muito generoso, não só com as novas gerações, mas generoso como ator"

(Bruno Mazzeo, comediante)

Foi na emissora que Lúcio Mauro participou de seu primeiro programa de humor, Beco Sem Saída. Na época, já casado com a atriz Arlete Salles, ele se mudou para o Rio de Janeiro, a convite de Walter Clark, e, em 1963, ingressou na TV Rio. Logo se transferiu para a TV Tupi, na qual participou de alguns programas do Grande Teatro Tupi até chegar na Globo, em 1966, com o humorístico TV0-TV1, ao lado de Jô Soares, Paulo Silvino e Agildo Ribeiro, entre outros.

Foi na emissora carioca que Lúcio Mauro se firmou como comediante, participando de programas como Balança Mas Não Cai (1968), Chico City (1973), Os Trapalhões (1989), Escolinha do Professor Raimundo (1990) e Zorra Total (1999).

Criou tipos inesquecíveis, como Fernandinho, cuja mulher, Ofélia (Sonia Mamede), revelava sua ignorância com frases absurdas. Mesmo assim, ele não admitia que a chamassem de ignorante. Foi um dos grandes quadros do Balança...

Quando gravávamos a "Escolinha", eram quatro [episódios] de uma vez só. Nas quatro eu ria de passar mal de com ele (Cláudia Jimenez, atriz)

Ao lado de Chico Anysio, compôs grandes parcerias como no papel de Da Julia, diretor do ator canastrão Alberto Roberto, papel de Chico. A amizade entre eles, aliás, permitia que constantemente improvisassem, utilizando cada um fatos das histórias do outro para tirar algum proveito humorístico.

Foi assim também na Escolinha do Professor Raimundo, no qual interpretou Aldemar Vigário, que exagerava ao descrever as aventuras vividas pelo mestre, vivido por Anysio.

Era muito louco para nós, que estávamos começando na profissão, ter a oportunidade de estar com alguém que a gente cresceu vendo (Marcius Melhem, roteirista e ator)

Na nova versão do programa, seu papel é interpretado pelo filho, Lúcio Mauro Filho. A estreia do humorístico, aliás, em 2015, teve uma emocionante participação de Lúcio Mauro, como o servente da escola, que mostra o caminho da nova sala de aula para o professor Raimundo, agora vivido por Bruno Mazzeo.

Lúcio Mauro Filho

Lúcio Mauro Filho deixou no Instagram uma mensagem em homenagem ao pai: "Por volta das 22 horas deste sábado, meu amado pai serenou. Ele merecia esse descanso. Lucio Mauro teve uma vida linda, uma carreira vitoriosa, 5 filhos, 5 netos, dois casamentos, com Arlete e Lu, duas mulheres fantásticas que se tornaram amigas e mantiveram essa família unida. Papai foi um pioneiro, saiu do teatro de estudante lá no Pará, foi pro Recife, fez rádio, inaugurou a televisão no Nordeste e de lá, veio para o Rio de Janeiro pra se tornar um dos maiores artistas deste país. Me influenciou em tudo".

Lúcio Mauro deixa a esposa Luiza Barbalho, com quem ficou casado por mais de 40 anos, e com quem teve três filhos: Luly Barbalho, Lúcio Mauro Filho e Luanna Barbalho. Ele teve ainda outros dois filhos, Alexandre Barbalho e Gilberto Salles, do casamento com a atriz Arlete Salles. Lúcio Mauro tinha cinco netos. O velório será realizado nesta segunda-feira, dia 13, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e será aberto ao público.

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Por volta das 22 horas deste sábado, meu amado pai serenou. Ele merecia esse descanso. Lucio Mauro teve uma vida linda, uma carreira vitoriosa, 5 filhos, 5 netos, dois casamentos, com Arlete e Lu, duas mulheres fantásticas que se tornaram amigas e mantiveram essa família unida. Papai foi um pioneiro, saiu do teatro de estudante lá no Pará, foi pro Recife, fez rádio, inaugurou a televisão no Nordeste e de lá, veio para o Rio de Janeiro pra se tornar um dos maiores artistas deste país. Me influenciou em tudo. O homem que sou, o artista, o pai de família, o amigo. Eu nada seria sem seus ensinamentos. Tivemos o prazer de trabalhar juntos, na TV, no Teatro, no Cinema e na Publicidade. Rodamos o Brasil colocando nossas vidas a serviço da arte, em “Lucio 80-30”, quando ele teve a chance de dividir o palco com os filhos. Não faltou nada. Há três anos ele sofreu um AVC. Foi forte e resistiu. Mas já não era a mesma coisa. Preso a uma HomeCare, ele lutou até suas últimas forças. Ainda teve a alegria de conhecer Liz, a neta inesperada que chegou pra promover o ciclo da vida. Estava internado há quase quatro meses. A esticada foi longa e sofrida. Agora só restava o descanso que ele tanto merece. Meus agradecimentos á todos os funcionários da Clínica São Vicente, onde papai sempre foi cuidado com carinho e profissionalismo. Á Rede Globo pela parceria e lealdade. Nós ficamos por aqui, celebrando sua existência e seguindo com seu legado. Vai com Deus meu velho. Vai se juntar a Chico, Agildo, Silvino, Rogerio, Miele e tantos outros, para juntos fazerem cócegas nas estrelas. Obrigado por tudo! Viva Lucio Mauro! ✨

Uma publicação compartilhada por Lucio Mauro Filho (@luciomaurofilhooficial) em

Repercussão

Na internet e em entrevistas, artistas comentaram a morte do ator. 

Bruno Mazzeo, comediante, em depoimento à GloboNews: "Temos que celebrar a vida de Lúcio Mauro, uma vida incrível, uma pessoa que fez o que quis, que criou uma família linda e que deixa esse legado que estamos vendo agora. Lúcio sempre foi muito generoso, não só com as novas gerações, mas generoso como ator. Você vê isso nas parcerias dele com meu pai [Chico Anysio]. Estou muito emocionado."

Cissa Guimarães, apresentadora: "Muitos aplausos para esse ser iluminado que tanto nos ensinou! Parabéns e obrigada! O céu está em festa!"

Cláudia Jimenez, atriz, em depoimento à GloboNews: "Ele tinha tudo de bom que o ser humano pode ter, era um grande talento. Quandro gravávamos a "Escolinha", eram quatro [episódios] de uma vez só. Nas quatro eu ria de passar mal de com ele. Eu o amava muito, era meu preferido da "Escolinha". Ele improvisava muito. começava a falar coisas que a gente não esperava, era como se tivesse num show. Era muito querido pelo elenco inteiro. Chico Anysio era apaixonado por ele."

Marcius Melhem, comediante e roteirista, em depoimento à GloboNews: "Lúcio era um gigante, um dos maiores que eu vi atuar, com quem tive a alegria de contracenar, um talento, [tinha] domínio das técnicas do humor e uma compreensão total do trabalho do comediante. Era muito louco para nós, que estávamos começando na profissão, ter a oportunidade de estar com alguém que a gente cresceu vendo. Era um aprendizado vê-lo trabalhar. Ele era um professor. sempre muito disponível."
 



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