Na régua: Conheça cabeleireiros que são verdadeiros artistas

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05.12.2018, 12:01:00
Atualizado: 05.12.2018, 14:45:11
(Fotos: Renato Santana)

Na régua: Conheça cabeleireiros que são verdadeiros artistas

Cabeleireiro, barbeiro, designer... As figuras de Salvador que fazem a cabeça da galera com estilo e visual urbano

Eles cuidam das cabeças de homens e mulheres de Salvador e fazem essas pessoas se sentirem mais bonitas. O BAZAR conversou com quatro cabeleireiros (ou designers de cabeça ou hair stylist ou barbeiros) e conta um pouco de suas histórias. São especialistas em cabelos afro ou que começaram a fazer arte na cabeça de seus clientes e, agora, fazem sucesso. Conheça um pouco mais de Leo Santos, Alvberto Alves, Aline Corujas e Yuri Estilos.

Foto: Renato Santana/CORREIO

Leo é dono de um salão em Brotas e chega a atender cerca de 50 pessoas por dia (Foto: Renato Santana/CORREIO)

Estrela de Brotas
Há cerca de 15 anos, Leo Santos resolveu mudar de vida: foi do balcão de uma lanchonete para a escola de cabeleireiro Yraci Machado. “Eu e meu irmão recebemos um pagamento e decidimos usar o dinheiro para o curso”, lembra. Nessa decisão começou a história de Leo com cabelos.

Inicialmente, ele trabalhou em salões em shoppings. “As revistas e álbuns de onde tirávamos referências não tinham muitos cabelos afros, mas eu sentia a necessidade de aprender”, comenta. No mesmo ano, o cabeleireiro abriu um salão no Parque Bela Vista, em Brotas, com seu próprio nome (@leo_santos_cabeleireiro) e voltou seu trabalho, principalmente, para os moradores do bairro. “Passei a pesquisar muito sobre procedimentos corretos, já que nosso tipo de cabelo é frágil e me senti na obrigação de elevar a autoestima do nosso povo”, relata.

Foto: Reprodução/Instagram

Os desenhos na cabeça são famosos na cidade, o que só faz crescer a fila de espera (Foto: Reprodução/Instagram)

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A carreira começou a deslanchar e Leo se tornou referência no assunto. Tanto que, certa vez, chegou a atender 70 pessoas em um só dia. Normalmente, em dias mais cheios, 50 pessoas passam pela cadeira. Por isso, é bom se preparar para a fila, na qual a espera pode chegar a algumas horas. E nem adianda tentar marcar com muita antecedência. As reservas só podem ser feitas no mesmo dia pelo telefone (71 98618- 6597). O corte custa entre R$ 15 e R$ 25.

Foto: Renato Santana/CORREIO

(Foto: Renato Santana/CORREIO)

Um dos orgulhos de Leo é ter encorajado homens a cuidarem do visual. Antes de se especializar em cabelos afros, a maioria da clientela era feminina. Hoje, o jogo virou. 

“Aqui a gente tem público de todas as classes, meio que se tornou um espaço de discussão”, conta o cabeleireiro. E os temas passam longe das revistas de celebridades, indo de política às questões raciais, de gênero e sexualidade. Nada passa despercebido. “Vêm pessoas muito interessantes aqui e a gente consegue fazer o que era difícil, como a classe A ouvir a classe C, por exemplo”. É um ambiente de diversidade. “Da porta para cá não tem espaço para preconceito”. É lugar para todo mundo se sentir bonito. “Acredito que incentivo a vontade das pessoas de estarem mais bonitas”, opina.

Foto: Reprodução/Instagram
Ao longo de seus 15 anos de carreira, Leo se especializou em cabelos afro por acreditar que eles precisam de cuidados especiais (Foto: Reprodução/Instagram)

E se ele é inspiração para amigos e clientes, é porque se inspira em quem veio antes. “Uma das pessoas que eu admirava era Valdir Cabeleireiro (morto em 2016) e sou fã de Eduardo Muller, que considero o melhor do Brasil”, comenta. Leo também confessa que outra fonte de inspiração são os cortes de negros dos Estados Unidos. “Eles têm muita liberdade de ousar”, finaliza.

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Yuri Lopes é mais conhecido como Yuri Estilos, responsável pelo visual de Leo Santana (Foto: Renato Santana/CORREIO)

Queridinho de Leo Santana
O barbeiro Yuri Lopes Santos é mais conhecido por Yuri Estilos. O jovem de 26 anos começou a carreira sem muitas pretensões no bairro de Itinga, quando tinha apenas 15. “Estava conversando com um colega e tive a ideia de fazer o pé do cabelo dele, eu não sabia nada, mas ele foi corajoso e deixou”, se diverte. Yuri diz que nessa idade já desenhava algumas coisas em casa e que os amigos sabiam desse talento. Foi o suficiente. “Ele comprou uma gilete e eu fui em casa pegar um lápis de olho de uma tia para desenhar o pé do cabelo dele”, rememora.

Foram os primeiros passos da carreira promissora. Depois disso, começou a cortar cabelo de parentes e vizinhos na varanda da casa da avó no mesmo bairro onde morava. “Um tio meu me deu uma máquina, eu fazia cada barbaridade na cabeça dos meninos”, diz. “Eu cheguei a pagar para cortar cabelo, na época”, lembra. 

Foto: Reprodução/Instagram
O corte com desenhos e pigmentação é uma das especialidades de Yuri (Foto: Reprodução/Instagram)

Foi aí que começou a trabalhar em barbearias, ou da vizinhança ou própria. Uma de suas primeiras barbearias foi responsável por seu apelido, a Yuri Estilo Black, que ficava em Itinga. A demanda por aprender foi crescendo e Yuri começou a estudar a arte de cortar cabelos. “Comecei a me aperfeiçoar com os melhores barbeiros do Brasil, Seu Elias, Dill Black, Eduardo Muller. Além disso, fiz cursos da Embeleze e aprendi muita coisa vendo vídeos no YouTube”, conta. De tanto que aprendeu, passou a ministrar cursos. E foi assim que virou uma referência no degradê e pigmentação para finalizar cortes de cabelo e barba. 

Foto: Renato Santana/CORREIO

(Foto: Renato Santana/CORREIO)

As coisas ainda ficaram melhores para Yuri quando ele se tornou o queridinho do cantor Leo Santana. “Fiz uma conta no Instagram (@yuri_estilos) e marcava um amigo dele nas postagens.” Leo cortava o cabelo em São Paulo e Yuri sabia que o cantor gostava do estilo que ele fazia. Além disso, na época era difícil encontrar em Salvador e região alguém que fizesse igual. 

Foto: Reprodução/Instagram
O jogador Marinho também é cliente do barbeiro que acaba de abrir uym empreendimento em Itinga (Foto: Reprodução/Instagram)

Um dia, Leo chamou Yuri na casa dele e pediu para o garoto fazer seu corte. Com a divulgação do cantor, a conta de Yuri no insta saltou de apenas 280 seguidores para dois mil. Atualmente, o rapaz é seguido por quase 32 mil pessoas. 

Não foi apenas o número de seguidores que cresceu. A agenda começou a ficar concorrida e os serviços que já custaram R$ 1,50 agora variam entre R$ 20 e R$ 40. Yuri acaba de abrir uma nova barbearia, a Estilos Barber Shop, que fica na rua Milton Coelho, no final de linha de Itinga.

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Aline Corujas é artista visual e cabeleireira, começou a cortar cabelos por acaso e segue na carreira trocando ideia entre uma tesourada e outra (Foto: Renato Santana/CORREIO)

Cabeleireira artista
“Corta pra mim, Aline!” Foi assim que a artista plástica Aline Corujas, 25, deu um tempo nos pincéis e na cerâmica e passou a cortar cabelos. “Nunca foi um plano, aconteceu. Eu cortava meu próprio cabelo com máquina e, às vezes, pedia ajuda para amigos que moravam comigo para fazer desenhos. Daí eles começaram a pedir para eu cortar os cabelos deles”, lembra. Foi de onde surgiu o nome de sua conta no Instagram (@cortapramimaline).

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Os cortes são entremeados por bate-papo e o resultado é sempre uma "obra de arte" (Foto: Reprodução/Instagram)

A máquina que cortava o cabelo dela e dos amigos era da mãe. “Até que ela descobriu e pediu de volta. Pesquisei o valor de uma máquina e a mais barata era R$ 30”, lembra. Usou a da mãe pela última vez e foi a primeira que cobrou a alguém: o valor exato para comprar a máquina. “Dali em diante, passei a cobrar o mesmo valor para qualquer pessoa”.

E quem estiver disposto a cortar o cabelo com Aline precisa entender que o esquema é diferente de um salão convencional. O processo de corte é criativo, como pintar um quadro, quase como um abraço. Ela recebe os clientes em sua casa e dedica, no mínimo, uma hora para cada um deles. Daí rola um bate-papo, pode ter um cafezinho, o corte e, no fim das contas, pode até virar uma amizade. “E o tempo é bastante fluido, às vezes dois clientes se encontram aqui, ou o último e o primeiro se encontram. Já vi alguns projetos muito legais sendo criados na minha sala”, comenta.

Foto: Renato Santana/CORREIO
(Foto: Renato Santana/CORREIO)

“Eu trabalho com pessoas que encontram com suas subjetividades e isso é muito potente”, conta. Pelas indicações de amigos e outros clientes, Aline acabou atraindo pessoas com algumas afinidades. “E eu adoro meu público, que é quase sempre de mulher, mãe solo, gente em transição capilar, gays, lésbicas...”, declara.

Foto: Reprodução/Instagram
(Foto: Reprodução/Instagram) 

Aline sabe que seu público bem desenhado é um reflexo de como construiu seu trabalho. “Sou artista e entendo meu lugar de privilégio. Eu não consigo fazer o degradê que barbeiros especializados fazem, por exemplo”, aponta. O corte custa R$ 70, tanto para homens quanto para mulheres. Para marcar um horário, basta conferir a agenda que ela disponibiliza no Instagram. Para quem quer fazer mais coisas no cabelo, um alerta: “Eu não tranço, não faço dreads, porque isso envolve questões de ancestralidade e acredito que existem pessoas muito mais capacitadas que eu para isso”.

Foto: Renato Santana/CORREIO

Alberto corta, pinta, trança... Já atendeu famosas e assinou beleza de alguns desfiles (Foto: Renato Santana/CORREIO)

Cabeça das famosas
O cabeleireiro Alberto Alves, 34, trabalha com cabelos há, pelo menos, 17 anos. Começou cedo, cuidando da sobrinha. “Minha mãe tomava conta dela e eu ajudava”, lembra. Mas foi só há três anos que resolveu abrir o próprio salão. “Queria um lugar com estrutura para atender meus clientes”, diz. Na lista, artistas como Carlinhos Brown, Ellen Oléria, Larissa Luz e Lellêzinha do Dream Team do Passinho. 

Antes de encarar as tesouras profissionalmente, Alberto fez hipismo e jogou basquete. Atualmente, divide os atendimentos em seu salão (@studio_albertoalves) com a dança, com trabalhos de maquiagem, de modelo e com a faculdade de moda, que está concluindo. 

Foto: Reprodução/Instagram
As tranças são marcas de auto estima para algumas de suas clientes (Foto: Reprodução/Instagram)

Ao longo da carreira, Alberto foi se especializando em cabelos afros e se tornou uma referência no assunto em Salvador. Não por acaso, estava à frente da equipe responsável pelos cabelos dos 63 modelos que desfilaram no Afro Fashion Day. “É muito bom sentir que as pessoas têm essa segurança comigo”, comenta. No entanto, ele diz que não tem restrições. “Pelas várias formações que passei, também trabalho com cabelos lisos, loiros e orientais”, diz. Foi ele quem encarou o desafio de fazer tranças usando 70 metros de fibras coloridas nas cabeças de algumas modelos. 

Foto: Renato Santana/CORREIO

(Foto: Renato Santana/CORREIO)

Nem sempre Alberto se relacionou bem com o cabelo crespo. O dele, no caso. “Mas há mais de 15 anos não faço nada além de tratar e cortar, sendo que eu mesmo corto”, pontua. “Acho que todo mundo tem direito de escolher se vai tratar quimicamente ou não, mas na época em que eu alisei era muito novo. Na época, os adolescentes faziam várias coisas para se inserir em grupos”, lembra.

Alberto faz questão de ressaltar a importância que o cuidado com os cabelos tem na autoestima das pessoas. “Ajuda elas a verem o que é mais importante esteticamente e algumas vezes politicamente também”, pontua. 

Foto: Reprodução/Instagram
(Foto: Reprodução/Instagram)

Quem quiser cuidar dos cabelos com Alberto, basta olhar os contatos do profissional na sua conta no Instagram e agendar um encontro. Os serviços custam a partir de R$ 50 (corte). “Cada serviço tem um preço e varia com relação ao tamanho e o tempo necessário para execução”, finaliza.

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