'Não achei justo’, diz funcionário demitido de hospital após dançar Que Tiro Foi Esse?

salvador
01.02.2018, 11:00:00
Atualizado: 02.02.2018, 13:40:48

'Não achei justo’, diz funcionário demitido de hospital após dançar Que Tiro Foi Esse?

Quatro maqueiros foram desligados após gravarem vídeo dançando hit

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

A música "Que Tiro Foi Esse?", da carioca Jojô Toddynho, que caiu no gosto da galera e inspirou diversos vídeos Brasil adentro, empolgou também quatro maqueiros do Hospital Santa Izabel, no bairro de Nazaré, em Salvador. Os funcionários caíram na onda, encenaram ao som do hit dentro das propriedades da unidade médica e... Que tiro! Acabaram demitidos. Sem se identificar, um dos maqueiros disse ao CORREIO, nesta quinta-feira (1º), que já superou a demissão.

"Justa, justa eu não achei. Mas a ordem veio lá de cima, eu vou fazer o quê? Paciência", disse ao comentar sobre a demissão dele e de outros três colegas. Segundo o maqueiro, tudo não passou de uma brincadeira. As imagens acabaram circulando nas redes sociais e, na última terça-feira (30), os quatro colegas foram demitidos. Segundo a Santa Casa da Bahia, gestora da unidade, a gravação "vai de encontro a um dos pilares da existência" do hospital, que é o "atendimento de excelência ao paciente". 

"A gente não tinha nenhuma intenção de prejudicar ninguém. Os colegas chamaram e eu participei. Mas já tá feito, agora é correr atrás e superar", pontuou ele, acrescentando que foi responsável por gravar as cenas em que dois deles aparecem utilizando uma cadeira de rodas de propriedade do hospital.

Em nota, o Santa Izabel afirmou que respeitou todos os direitos dos funcionários mas que as demissões se justificavam, pois, conforme a unidade de saúde, os quatro deixaram pacientes aguardando por seus serviços. Eles não foram demitidos por justa causa, segundo o hospital. 

"Acho que sabem o que fizeram. É aceitar. Ainda não falei com os colegas, mas também nem tem muito o que falar. A gente quis fazer o vídeo dançando e fizemos. Foi isso", salientou o maqueiro, que trabalhou por 13 anos na unidade.

Desempregado, o rapaz afirmou que não pretende voltar a trabalhar na área. "Eu agora vou me dedicar a fazer os cursos que sempre quis fazer, que são de técnico em radiologia ou enfermagem. Gosto da área de saúde", afirmou.

Procurado pelo CORREIO, outro maqueiro que também participou do vídeo disse que preferia não falar sobre o assunto, mas que achou injusta a demissão.

Veja aqui o vídeo:

Nas imagens, aparecem dois maqueiros dançando a coreografia - os outros dois colegas participaram filmando e dirigindo o vídeo.

O CORREIO publicou ontem uma enquete para ouvir os leitores sobre a decisão do hospital. Após quase 6.300 votos registrados até a manhã desta quinta-feira (1º), 56,4% dos votos julgaram a demissão como uma punição exagerada. Outros 34% acharam o desligamento da empresa justa e 9,5% votaram na opção que "as pessoas estão chatas". Vote aqui.

O CORREIO voltou a procurar a Santa Casa da Bahia, que disse manter a mesma decisão sobre o desligamento dos funcionários.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas