‘Não consigo nem calcular o prejuízo’, diz vendedor na Feira de São Joaquim

salvador
24.05.2018, 19:56:00

‘Não consigo nem calcular o prejuízo’, diz vendedor na Feira de São Joaquim

Com greve de caminhoneiros, frutas e verduras estão faltando nas prateleiras

Prateleiras vazias chamam a atenção na Feira (Foto: Marina Silva/CORREIO)

A paralisação dos caminhoneiros, iniciada na segunda-feira (21), está provocando reflexos em diferentes setores da sociedade. Em Salvador, o setor de hortifruti é um dos mais afetados. Na manhã desta quinta-feira (24), a Feira de São Joaquim estava pouco movimentada. As frutas, verduras e os clientes sumiram e deixaram os vendedores preocupados.

A ausência de trabalho era tanta que o comerciante Antônio Carlos Fernandes, 50 anos, mais conhecido como Fernando, aproveitou até para tirar uma soneca em uma rede improvisada. A banca dele, que normalmente está repleta de frutas, hoje tinha apenas maracujá.

“Minha carga saiu ontem (quarta) de Juazeiro, mas ainda não conseguiu chegar por conta do protesto. Está trazendo frutas como uvas, manga e acerola. São 300 volumes no total. Como esse é um tipo de produto que não dura muito, se a greve durar mais dois dias, eu perco tudo. Não consigo nem calcular o tamanho do prejuízo”, contou.

Fernando improvisou uma rede onde antes ficavam as frutas (Foto: Marina Silva/CORREIO)

O comerciante contou que os clientes estão procurando pelos produtos, mas não estão encontrando. Apesar do transtorno, Fernando disse que é favorável à paralisação por solidariedade aos caminhoneiros. Ele também considera o preço do combustível abusivo.

Já Maurício Santana, 41, trabalha como carregador na Feira de São Joaquim. Sem os caminhões para descarregar, ele disse que está tendo prejuízo de mais de 50%. Os clientes que estiveram na feira também não conseguiram comprar muitas verduras, e dispensaram o carregador.

“A gente fazia entre R$ 50 e R$ 70 no dia, mas com essa paralisação estamos fazendo apenas R$ 15 ou R$ 20. Trabalho há seis anos na Feira de São Joaquim e nunca tinha visto uma greve assim”, contou.

Maurício penou para fazer algum carregamento (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Na banca do comerciante Denilson Alves, 48, é possível encontrar caju, tamarindo, umbu e mais algumas poucas frutas. Ele garante que as prateleiras que estavam vazias nesta quinta ficam repletas de hortifruti em dias normais. “Os clientes procuram, mas estamos sem os produtos. Os mais próximos me ligam antes de vir e eu aviso logo que não tem”, disse.

Os poucos clientes que apareceram na feira enquanto a reportagem esteve no local disseram que tiveram dificuldade para encontrar alguns produtos, mas que os efeitos da paralisação ainda estão começando a ser sentidos. Eles também disseram que os preços dos produtos ainda não estão abusivos, mas temem que isso mude nos próximos dias.

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