'Não sou um monstro, não sou um bicho', defende-se Dona Maria; veja vídeo

salvador
30.09.2019, 13:21:00
Atualizado: 02.10.2019, 09:50:15

'Não sou um monstro, não sou um bicho', defende-se Dona Maria; veja vídeo

Líder de facção, Jasiane Teixeira é considerada a maior traficante da Bahia

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Foto: Bruno Wendel/CORREIO

"Eu não sou um monstro, eu não sou um bicho. Eu sou um ser humano qualquer". A declaração exclusiva ao CORREIO foi feita por Jasiane Silva Teixeira, a Dona Maria, apontada pela Polícia Civil como a maior traficante do estado.

Líder da facção Bonde do Neguinho (BDN), ela foi apresentada à imprensa, na manhã desta segunda-feira (30), na sede da Polícia Civil, na Piedade. Após ser descoberta em São Paulo, ela acabou presa junto com o namorado, uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Dona Maria, como ficou conhecida no meio policial ao assumir o posto do ex-marido morto em confronto com a polícia, responde a três processos criminais, todos com mandado de prisão em aberto, um deles pela morte de um agente penitenciário. Ainda segundo a Polícia Civil, ela é responsável por ordenar diversas execuções na Bahia, principalmente na região de Vitória da Conquista, Sudoeste baiano.

Após a coletiva, falou ao CORREIO sobre sua situação e negou o vulgo a ela atribuído. “Meu nome é Jasiane Silva Teixeira. Desconheço esse vulgo Dona Maria. Se eu quisesse um vulgo, não seria esse. Isso foi através de uma escuta telefônica. Meu finado marido fazendo uma brincadeira, e já saiu uma reportagem assim que ele morreu [dizendo] 'viúva de fulano de tal, Dona Maria'... Desconheço esse vulgo. Foi através de uma escuta telefônica. E a partir daí colocaram uma fama em mim da qual eu desconheço”.

Ainda de acordo com a polícia, além da Bahia, o BDN tem atuação em Minas Gerais e São Paulo. "A droga e as armas vinham da Colômbia, Venezuela, Peru e Bolívia para Vitória da Conquista, que era o centro de distribuição da facção. Tudo sob os olhares de Dona Maria", declarou o delegado Marcelo Sansão, diretor do Draco.

Ela negou ser uma das principais traficantes do país. "Se eu fosse tudo isso que falam, não estaria aqui, algemada. Estaria falando aqui na presença de advogados. Vim aqui, botar a cara, para dizer que não sou tudo isso. (...) Eu não sou um monstro, eu não sou um bicho. Eu sou um ser humano qualquer e sei que vou transformar minha vida, e que Deus vai transformar minha vida", finalizou.


Ficha corrida
Além do tráfico de entorpecentes, Dona Maria está envolvida, segundo a SSP, em dezenas de crimes como homicídios, roubos, corrupção de menores, falsidade ideológica, entre outros delitos. Ela atuava junto com o marido Bruno de Jesus Camilo, o 'Pezão', desde 2008, quando foram presos por tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo.

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Beneficiada com medida judicial que lhe garantiu liberdade provisória em 2009, quando participou da execução do agente penitenciário do Presídio de Jequié, a pedido do seu marido. No ano seguinte, Pezão também ganhou liberdade provisória e foi morar na cidade de Santa Cruz Cabrália com Dona Maria.

Ainda de acordo com a SSP, a dupla permaneceu praticando tráfico de drogas e, durante diligências, em 2014, Pezão entrou em confronto com a polícia e acabou morrendo. Jasiane conseguiu fugir de Santa Cruz Cabrália, assumiu a liderança da quadrilha e, em homenagem ao ex-companheiro, batizou o grupo criminoso de Bonde do Neguinho.

Os delegados Flávio Góis e Marcelo Sansão
Os delegados Flávio Góis e Marcelo Sansão (Foto: Alberto Maraux/SSP)
(Foto: Alberto Maraux/SSP)
(Foto: Alberto Maraux/SSP)

Baralho do Crime
Procurada pelas equipes da Polícia Civil de Vitória da Conquista, Dona Maria entrou no Baralho do Crime da SSP em 2017. "Fizemos a inclusão, pois ela mudava frequentemente de cidade e estado. Com a ampla divulgação da ferramenta na mídia, muitas denúncias chegaram, comprovando que ela transitava por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais", contou o diretor do Departamento de Polícia do Interior (Depin), delegado Flávio Góis.

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Capturada no interior de São Paulo, na última quarta-feira (25), Jasiane namorava um integrante do PCC e ordenava as movimentações da quadrilha na Bahia. Em 20 de outubro do ano passado, policiais civis de Vitória da Conquista interceptaram um avião que transportava cocaína pura. 

"A aeronave pertencia a Dona Maria e era utilizada em vôos internacionais para comércio de entorpecentes. Estamos trabalhando para prendermos o segundo escalão", informou o diretor do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), delegado Marcelo Sansão.

Após coletiva, Jasiane será ouvida e encaminhada para o sistema prisional. Por questões de segurança, a unidade onde ela ficará custodiada não foi divulgada.

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