Não tem internet em casa? Veja como driblar problema e estudar para o Enem

enem
24.07.2019, 05:00:00
Atualizado: 26.08.2019, 11:10:01
(Arisson Marinho/CORREIO)

Não tem internet em casa? Veja como driblar problema e estudar para o Enem

De acordo com o Inep, 72% dos baianos que fizeram o exame em 2018 afirmaram não ter acesso à web

Parafraseando um famoso meme, “parece ironia estudar offline na era da tecnologia”. Se para alguns estudantes a ideia de se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sem acesso regular à internet não passa de uma história contada por seus pais ou avós, outros candidatos convivem atualmente com esta realidade.

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que, no Enem de 2018, cerca de sete em cada 10 baianos inscritos para o exame afirmaram não possuir acesso à internet no questionário socioeconômico preenchido no momento da inscrição para a prova.  

Estes estudantes têm que criar estratégias para poder usar as informações da redes e competir com os candidatos que têm facilidade para acessar a web. A estudante e auxiliar administrativa, Luciana Reis, 18 anos, por questões financeiras, não possui wi-fi em casa. Por conta disso, se desloca diariamente para o Instituto Cultural Beneficente Steve Biko, onde estuda, para poder realizar seus estudos. 

“Minhas aulas no curso só começam às 18h30, mas às 14h eu já estou lá para poder acessar a internet pelo computador do instituto. Neste período eu assisto videoaulas, faço exercícios e leio notícias para me manter informada, como se eu fosse a minha própria professora”, explicou Luciana, que se formou no ensino médio no ano passado e tem o sonho de passar no curso de Direito na Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Luciana chega mais cedo em instituto para usar a internet (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Luciana já tentou estudar pela Biblioteca Central, nos Barris, mas desistiu da ideia por conta da poeira no local. Então, mesmo sem ter acesso à internet em casa, o jeito é encontrar artimanhas para ter acesso a rede e encontrar os assuntos para poder se preparar para o Enem.

Os mesmos dados do INEP, em relação ao Enem de 2018, mostram que 49% dos baianos não possuem computadores em casa. Entretanto, o mesmo levantamento aponta que 97,5% têm ao menos um celular em casa. Então, para muitos, os aparelhos móveis são a melhor forma de estudar pela internet.

“Como eu tenho celular, às vezes peço para compartilharem a internet comigo e quando tenho acesso a algum lugar com wi-fi, pesquiso e tiro print para acessar depois. Além disso, no trabalho, quando eu encontro algum tempo livre, eu sempre o uso para estudar através do computador da empresa. Já quando eu não encontro alguma atividade para fazer, treino minha redação”, explicou Luciana.

O curso pré-vestibular promovido pelo  Instituto Steve Biko, onde a jovem estuda, é uma alternativa para jovens estudantes negros de baixa renda. No local, os alunos podem acessar a internet em computadores e também optar pelo método mais analógico e estudar na biblioteca. 

Atualmente estudando em um curso técnico de enfermagem, Liliane de Oliveira, 29, também tem aulas no instituto. A jovem ainda não decidiu se vai cursar psicologia ou história, mas se prepara para o Enem. Como não tem internet em casa, ela tem que pedir o wi-fi do vizinho para poder estudar, mas a rede nem sempre está disponível. Sendo assim, ela recorre ao próprio instituto e a bibliotecas para navegar na web.

“Eu vou ou para a Biblioteca dos Barris ou para a Faculdade de Economia da UFBA, que tem wifi”, relatou a estudante. Apesar da disponibilidade de computadores na biblioteca, Liliane conta que tem que usar o celular para estudar porque os equipamentos do local sempre estão cheio.

Outra estudante que precisa lidar com a limitação no acesso à internet é Camila Cerqueira, 17, que está terminando o terceiro ano no Colégio Estadual Rotary. A adolescente, que deseja cursar psicologia na UFBA, teve o wi-fi cortado, por dificuldades financeiras, na casa onde mora com a avó. Para Camila, a retirada do acesso à rede dificultou os estudos para o Enem.

“A internet é fundamental porque ela permite o acesso a diversos conteúdos. Posso ter acesso à PDFs, videoaulas e atividades e outros. Eu também posso tirar dúvidas, na internet as respostas vem mais rápido”, revela a estudante que, muitas vezes, tem que recorrer ao 3G do celular para estudar.

Alternativas
Além do instituto Steve Biko, há outras possibilidades para quem deseja receber aulas presenciais para reforçar os conhecimentos obtidos. O Governo da Bahia, por meio da Secretaria Estadual de Educação (SEC), possui o programa “Universidade para Todos”, que disponibiliza mais de 11 mil vagas, em 143 municípios, para um cursinho pré-vestibular, para estudantes de baixa renda. 

Já os vestibulandos soteropolitanos têm a oportunidade de participar do “Programa Ingressar”, promovido pela Prefeitura Municipal de Salvador (PMS), que oferece 800 vagas em um curso de preparação para o Enem. Para se inscrever nas aulas é necessário ter entre 16 e 29 anos de idade, morar em Salvador, e ter cursado o 3º ano do ensino médio em instituições públicas ou bolsistas de unidades privadas de ensino, além de egressos da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

O acesso gratuito à internet é disponibilizado em locais como a Biblioteca Central, onde é necessário fazer um cadastro para acessar a sala de cidadania digital. A Biblioteca Juracy Magalhães Jr possui quatro computadores no Centro Digital de Cidadania (CDC) que podem ser usados por todos da comunidade. É só chegar e acessar.

Outras bibliotecas como a Monteiro Lobato e a Thales de Azevedo também possuem este serviço. Entretanto, o tempo nas máquinas é geralmente limitado, por conta da alta demanda. 

Dicas
É sempre bom lembrar que, além do digital, ainda é possível estudar de maneira analógica, com livros, revistas, artigos e provas anteriores. O professor de biologia Anderson Moreira explica que o acesso a esses outros métodos de estudo são facilitados em bibliotecas e escolas.

“A maioria dos livros são feitos por autores renomados e possuem uma grande qualidade a abrangência. Também se pode buscar periódicos reconhecidos pela comunidade científica, como a Scientific American Brasil, Ciência Hoje e a Nature. Já para encontrar provas anteriores e praticar com elas, geralmente as escolas onde o Enem é aplicado distribui os exemplares que sobraram”, explica.

Já para a área de linguagens, a professora Paula Barbosa ressalta que a ausência da internet acaba por se tornar um obstáculo, mas que pode ser contornado. Com esta dificuldade, para a educadora, o remédio é ter força de vontade. 

“Materiais de estudo impressos, incluindo os textos literários e a história da arte, são uma ótima ferramenta. Além disso, o conhecimento acerca da cultura brasileira pode ser um ingrediente importante na receita da aprovação. Leitura de jornais e revistas especializadas em algumas áreas também contribui muito. Módulos de cursos trazendo questões também não devem ser descartadas”, defende.

Outra alternativa é os estudantes se reunirem, formarem grupos de estudo. É isto que defende o professor de matemática Alexandre Lima. Além disso, frequentar as aulas regularmente e sempre tentar extrair o máximo do professor é uma ótima opção.

“É sempre bom formar grupos de estudos, com no máximo quatro pessoas, pois quando tem muita gente pode acabar tirando o foco dos estudos. Geralmente sempre tem alguém com mais facilidade em um determinado assunto e essa pessoa ajuda os outros. Além disso, essas equipes podem fazer ‘vaquinhas’ para comprar livros e revistas”, explica.

Aplicativos para celular
Quem possui celular, pode aproveitar os momentos em que está conectado a uma rede wi-fi e baixar alguns aplicativos. O CORREIO reuniu 10 apps gratuitos que podem te ajudar na hora de estudar para o Enem:

  • Gabaritando ENEM

Este aplicativo oferece simulados e resumos - sempre com os gabaritos.

  • Redação ENEM Nota 1000

Ele conta com uma lista de mais de 50 redações que ganharam a nota máxima de 1000 pontos no exame. Com esta lista, você pode aprender o que escrever para garantir a aprovação.

  • Enem Game

O aplicativo Enem Game é um jogo com perguntas e respostas que ajuda os estudantes a se preparem para a prova de um jeito diferente. Com mais de 5 mil questões, o vestibulando aprende brincando.

  • Passei! ENEM 

Neste app há simulados com mais de 500 questões de provas anteriores do exame.

  • GoConqr

Com o objetivo de facilitar a aprendizagem, o aplicativo oferece aos usuários uma experiência de ensino colaborativa, por meio de grupos que reúnem estudantes e educadores.

  • Formulando

Este é para a galera que quer praticar as áreas de exatas. Nele há diversas atividades com questões de cálculo. 

  • Prepara ENEM 2019

Nele está presente todas as provas e questões já aplicadas pelo Enem, além de simulados.

  • Resumão Enem

Com resumos e games interativos, o aplicativo testa seus conhecimentos e te dá a oportunidade de estudar de maneira inovadora.

  • Liceu Enem

Lá há questões de provas antigas e simulados para o estudante por em prática os conhecimentos adquiridos.

  • Enem Game 

É um jogo de perguntas e respostas que prepara você para a prova do Enem. Um aplicativo que descomplica seus estudos e faz você aprender se divertindo.

Simulados CORREIO
Além dos aplicativos, o CORREIO oferece simulados completos, produzidos com a ajuda de professores renomados, para você por em prática seus conhecimentos. Clique nos links abaixo e tenha acesso à todos os simulados produzidos pelo jornal desde 2017.

2017

1° Simulado: Ciências Humanas e suas Tecnologias

2° Simulado: Ciências da Natureza e suas Tecnologias

3° Simulado: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

4° Simulado: Matemática e suas Tecnologias 

5° Simulado: Ciências Humanas e suas Tecnologias

6° Simulado: Ciências da Natureza e suas Tecnologias

7° Simulado: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

8° Simulado: Matemática e suas Tecnologias

2018

1º Simulado: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

2º Simulado: Ciências Humanas e suas Tecnologias

3º Simulado: Matemática e suas Tecnologias

4º Simulado: Ciências da Natureza e suas Tecnologias

2019

1º Simulado: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

2º Simulado: Ciências Humanas e Suas Tecnologias

3º Simulado: Matemática e Suas Tecnologias

* Com orientação do chefe de reportagem Jorge Gauthier


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