Noivo é preso uma semana antes do casamento por ligação com facção na Bahia

salvador
27.04.2018, 15:41:00
Atualizado: 27.04.2018, 18:22:50
Presos esconderam os rotos durante a apresentação (Foto: Alberto Maraux/ Divulgação SSP)

Noivo é preso uma semana antes do casamento por ligação com facção na Bahia

Segundo a polícia, ele era um dos líderes da quadrilha que agia em Salvador e em mais quatro cidades

Cléber Santos da Silva, 36 anos, estava fazendo os últimos preparativos para o casamento, mas a cerimônia, marcada para domingo, 5 de maio, precisou ser cancelada. Por volta das 6h de quarta-feira (25), o noivo levou um susto ao abrir a porta do apartamento em que morava, no Morumbi, bairro nobre de São Paulo, e dar de cara com investigadores da Polícia Civil da Bahia.

Segundo a polícia, Cléber, mais conhecido como Kel, e outro homem identificado como Edson Silva Santana, o Jegue, 33 anos, são líderes de um braço da facção criminosa Bonde do Maluco (BDM). A quadrilha liderada por eles tem atuação em Salvador e nos municípios baianos de Simões Filhos, São Sebastião do Passé, Cruz das Almas e Ubaíra.  

Cléber estava noivo e era procurado pela polícia (Foto: Alberto Maraux/ SSP)

Edson também mudou de nome quando chegou em São Paulo (Foto: Alberto Maraux/ SSP)

Os investigadores contaram que os dois amigos moravam no mesmo prédio e foram presos na mesma manhã. Alguns dias antes, Kel distribuiu os convites do casamento. Todos com o nome de Tiago Santos Alves, uma identificação falsa que ele criou para manter a nova vida.

Cléber contou para os policiais que pagou R$ 5 mil pela falsificação do RG, CPF, Carteira de Habilitação e até de um título eleitoral. Os dois amigos foram morar em São Paulo em 2012, depois que fugiram do Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador, onde cumpriam pena por tráfico de drogas.

Foi lá que eles mudaram de nome. Edson passou a se chamar Ednei dos Santos Pedroso, enquanto Cléber adotou a identidade de Tiago. Em São Paulo, os amigos conheceram as namoradas e passaram a morar com elas em apartamentos alugados, no 101 e 31, no mesmo prédio.

Os dois casais ostentavam vida de luxo circulando com veículos como uma moto BMW, avaliada em R$ 80 mil, além de carros como Elantra, HB20 e Vitara. A polícia não indiciou as namoradas por acreditar que elas também foram enganadas.

Presos durante a apresentação (Foto: Gil Santos/ CORREIO)

Quadrilha
A prisão de Kel e Jegue era o principal objetivo da megaoperação Cangalha da Polícia Civil que resultou na detenção de 13 pessoas nos estados da Bahia, São Paulo e Sergipe. Os dois baianos presos em São Paulo são apontados como líderes do grupo.

De acordo com a delegada do Draco (Combate ao Crime Organizado), Andréa Ribeiro, os dois eram responsáveis por gerenciar a distribuição de armas e drogas da quadrilha, escolhendo as rotas e as formas de transporte.

“Essa investigação começou há um ano, em abril do ano passado. O objetivo principal era a prisão dos dois líderes e foi uma ação em conjunto com a Superintendência de Inteligência da SSP. Chegamos até eles através de escutas telefônicas e do trabalho de campo. Eles (Kel e Jegue) eram responsáveis por distribuir as drogas e armas para os comparsas que atuavam na Bahia”, contou a delegada.

Delegadas comentam o caso (Foto: Alberto Maraux/ SSP)

A polícia ainda está trabalhando na identificação das contas bancárias e dos bens da quadrilha para determinar o montante que os bandidos movimentavam. Enquanto os dois amigos eram presos em São Paulo, investigadores baianos e de Sergipe prendiam, em Aracaju, Edmilson Rosas Lima.

Segundo os investigadores, Edmilson era um dos integrantes da quadrilha e foi flagrado com drogas e documentos falsos, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. A irmã dele é ex-mulher de Kel.

Duas armas foram apreendidas (Foto: Alberto Maraux/ SSP)

Bahia
Além das prisões em São Paulo e Sergipe, foram presos mais três suspeitos em Simões Filho: Hamilton dos Santos, o Miltão, Jeffeson de Almeida dos Santos, o Geo, e Edmar de Santana Silva, o Mar.

Já em São Sebastião do Passé os investigadores encontraram uma submetralhadora 9mm com Vinícius Lima Marques. Ele foi preso junto com Ana Paula Macedo da Silva, a Paulinha, e Rondineli de Jesus Silva, o Coroinha, identificados como membros da quadrilha.

Uma pistola 9mm foi localizada no momento da prisão dessa parte do grupo. Segundo a polícia, a arma pertence a um traficante conhecido como Pinto, que conseguiu escapar.

A polícia afirma que a quadrilha tem ligações com o grupo de Venício Bacellar Costa, o Fofão, que está preso desde agosto do ano passado. Por isso, mesmo preso, os investigadores cumpriram outro mandado de prisão contra ele e outros três homens: Marílio dos Santos, o Gordo Marílio, Gênesis Moabe da Glória, o Moabe, e Leandro da Conceição Santos Fonseca, o Gringo. Todos já estão cumprindo pena no Presídio de Serrinha e agora vão responder por mais esse crime.

Policiais prendem um dos suspeitos (Foto: Alberto Maraux/ SSP)

Balanço
No total foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos três estados, com 13 prisões em flagrante. A delegada contou que existem outros mandados para serem cumpridos para outros membros da mesma quadrilha, mas não informou detalhes para não atrapalhar a investigação.

Todos os presos vão responder por tráfico de drogas. Eles vão permanecer nos próximos dias na sede do COE, no Aeroporto Internacional de Salvador. Kel é natural de Nazaré das Farinhas, e Jegue, de Simões Filho. Em Salvador, a quadrilha agia no bairro do Arenoso. Os dois já haviam sido presos outras duas vezes antes da fuga ocorrida em 2012.

Material apreendido com a quadrilha (Foto: Alberto Maraux/ SSP)

Com a quadrilha, a polícia ainda afirmou ter apreendido uma submetralhadora calibre 9mm, uma pistola calibre 9mm, documentos falsos e quatro veículos: BMW, Elantra, HB20 e um Vitara.

Deram apoio nas ações equipes dos departamentos de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Polícia Metropolitana (Depom), Polícia do Interior (Depin), Crimes Contra o Patrimônio (DCCP), Coordenação de Operações Especiais (COE) e Polícia Interestadual (Polinter). Cerca de 100 policiais participaram da operação, que contou também com apoio das polícias de São Paulo e de Sergipe.

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