Nota dez ou nota zero? Volta às praias testa cooperação dos baianos

salvador
21.09.2020, 14:30:00
Atualizado: 21.09.2020, 20:14:13
Banhistas aproveitam o banho de sol e de mar em Piatã (Foto: Marina Silva/ CORREIO)

Nota dez ou nota zero? Volta às praias testa cooperação dos baianos

Parte das regras estabelecidas pela prefeitura foi cumprida, e outra parte ignorada

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Se a ida às praias fosse uma prova, a população de Salvador não teria passado com louvor. A prefeitura autorizou a reabertura da maioria delas a partir desta segunda-feira (21), depois de seis meses fechadas, e apresentou cinco questões para os banhistas. O Município prometeu fiscalizar, mas pediu a cooperação dos cidadãos. Será que a gente gabaritou?

A primeira questão foi o distanciamento social. Nota dez. O protocolo diz que as pessoas devem evitar aglomerações, mas como o apelo do público foi fraco nesse primeiro dia, quem foi tomar banho de mar conseguiu ficar à vontade e distante dos outros banhistas. Foi assim na Barra, Ondina, Rio Vermelho, Pituba, Piatã, e Amaralina, que não tem autorização para funcionar às segundas-feiras, mas que estava com movimento.

Mulher aproveita o banho de sol com distanciamento em Amaralina (Foto: Marina Silva/ CORREIO)

A segunda questão foi o uso de máscara. Nota zero. O equipamento só pode ser retirado para o banho de mar e recolocado ao retornar para a areia. Quase ninguém cumpriu essa regra. As turistas de Minas Gerais, Caroline Farias, 32, e Rafaela Nogueira, 32, também jogaram para cima a recomendação.

“O uso da máscara é importante, nós sabemos disso. Usamos no carro, mercado, padaria, e na rua, mas na praia estamos isoladas. Todo esse espaço na areia e estamos apenas nós duas, então, relaxamos um pouco”, justificou Caroline.

Uso de máscaras foi raridade (Foto: Marina Silva/ CORREIO)

A terceira questão foi o consumo de alimentos nas praias. Nota cinco. A prefeitura proibiu a venda de produtos nas areias, tanto de comerciantes fixos como de vendedores ambulantes, para evitar aglomerações. Cooler e caixas de isopor também não são permitidos. O CORREIO flagrou algumas pessoas burlando essa regra. Sabe como?

Os banhistas não levaram cooler, mas a prefeitura não falou nada sobre mochilas. Em Amaralina, uma olhadinha para um lado e para o outro, e um homem sacou um pacote de biscoitos. Mais adiante, uma mulher tirou uma garrafa de dentro da sacola. Água ou cerveja? Não sabemos, mas não importa. O consumo de bebidas está proibido independentemente do que seja. Nota zero pra eles.

Esportes coletivos estão proibidos (Foto: Marina Silva/ CORREIO)

A quarta questão foi a pratica de esportes coletivos. Nota cinco. O protocolo diz que estão permitidas atividades com até duas pessoas. Em Amaralina, um grupo de seis homens resolveu jogar bola na areia. Houve situações similares em outras praias da cidade.

Já a quinta questão foi o uso de sombreiros e cadeiras. Nota dez. Os equipamentos estão proibidos e, ao menos nesse primeiro dia, foram as cangas que dominaram as areias e em raras exceções a equipe do CORREIO identificou desrespeito à regra.

(Marina Silva/ CORREIO )

Baixa procura
O público, que compareceu em massa no fim de semana, quando o passeio estava proibido, ficou tímido no primeiro dia de liberação oficial. No trecho entre o Farol da Barra e o Cristo, região movimentada da cidade, poucas pessoas estiveram na areia. Para a cabeleireira Solange Anunciação, 46 anos, a razão foi o trabalho.

“Como é segunda-feira, muita gente está trabalhando, isso explica em parte o movimento baixo, apesar dessa região também ser muito movimentada dia de segunda. Além disso, tem muita gente que ainda não se sente seguro para sair de casa”, disse.

Ela contou que aproveitou a folga para matar a saudade do mar. “Eu adoro praia. Amo um banho de mar, então, estava doida para vir. Se eu soubesse que a gente ficaria tanto tempo sem tomar um sol, teria aproveitado mais em janeiro”, brincou.

Casal aproveita o tempo firme para observar o ar (Foto: Marina Silva/ CORREIO)

As praias foram liberadas, mas São Pedro pareceu contrariado no começo da manhã. Nuvens carregadas surgiram no céu da cidade e resolveram testar a vontade da população de tomar banho de mar. No final, o sol venceu a disputa e ao meio-dia a sensação era de que havia um para cada habitante.

O pequeno Davi, 3 anos, foi quem mais adorou a novidade. “A gente marcou de trazer ele para a praia e uma semana antes começou o negócio da pandemia. Desistimos, claro. Ele teve que se contentar com a bacia mesmo”, contou a mãe do garoto, Maria Júlia Ferreira, 28 anos, que disse adorar o mar, mas esperou o momento certo para voltar. Apesar da prova de amor, ela também não gabaritou.

De acordo com a Guarda Municipal, na praia da Ribeira, uma das cinco localidades que não estão autorizadas a abrir às segundas-feiras por conta do histórico de grande movimentação de pessoas nesse dia, pela manhã 30 pessoas foram orientadas pelos agentes a deixar a faixa de areia, nas imediações da Cabana do Bogary. 

A Guarda Civil entra numa nova etapa de ordenamento nesse momento de reabertura e de maior flexibilização. As praias da capital baiana ficaram fechadas por seis meses e nosso apelo é para que a população cumpra as determinações, de forma que todos possam curtir sem deixar de lado os cuidados com a própria saúde e de quem está ao lado”, destacou o diretor de Segurança Urbana e Prevenção à Violência da Prefeitura, Maurício Lima.

Confira o funcionamento das praias:

Fechadas: Porto da Barra, Buracão, e Paciência.  

Abertas de terça à sexta-feira: São Tomé de Paripe, Tubarão, Ribeira, Amaralina, e Itapuã;

Abertas de segunda à sexta-feira: Todas as praias não citadas anteriormente;

Fim de semana e feriados: Todas as praias de Salvador fechadas;

Confira as regras de reabertura das praias de Salvador: 
- O distanciamento mínimo de 1,5m entre os frequentadores deve ser observado durante todo o período de permanência nas praias; 

- O uso de máscara é obrigatório para acesso e durante toda a permanência nas praias, inclusive durante a realização de atividades físicas, com exceção feita às atividades aquáticas, momento em que o distanciamento mínimo recomendado entre as pessoas deve ser de 2m; 

- Além da permanência na faixa de areia e no mar, são permitidas atividades esportivas individuais ou em duplas, desde que os participantes usem máscaras durante todo o período; 

- Fica vedada a prática de qualquer modalidade esportiva que envolva mais de quatro participantes, a exemplo de futebol, e de atividades que gerem contato físico; 

- Recomenda-se que para a realização de atividades com uso de bolas e equipamentos lançados, os praticantes devem higienizar as mãos antes do início da atividade e limpar adequadamente os objetos utilizados antes do início e durante os intervalos; 

- Não são permitidas atividades que gerem aglomerações como piqueniques, luaus, eventos, etc.; 

- Fica proibido qualquer forma de comércio ambulante nas praias, inclusive de alimentos e bebidas; 

- Fica proibido o uso de cadeiras, ombrelones, guarda-sóis, sombreiros, caixas térmicas, instrumentos musicais e equipamentos sonoros.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas