Nota sobre a regra não falada

victor uchôa
24.03.2018, 05:00:00

Nota sobre a regra não falada


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Há uns bons anos – 2011, para ser exato -, quando o Vitória fazia uma campanha cheia de solavancos na segunda divisão do Campeonato Brasileiro, comecei a publicar um determinado questionamento nesta coluna.

À época, tinha gente que ficava meio pirada, outras pessoas levavam na gozação e alguns apontavam que eu precisava fazer uma crítica mais séria para produzir o efeito desejado.

Os anos passaram, o questionamento esmoreceu e só mostrou a cara com força novamente em 2015, mais uma vez por ocasião da Série B. Naquele momento, o alvo da dúvida não era mais o Vitória e sim o Bahia. É claro que, assim como na Toca, ninguém das bandas do Fazendão respondeu minha indagação.

Eis que chegamos a 2018 e, como a vida é assustadoramente cíclica, aquele questionamento de sete anos atrás volta à baila, atual como se criado agorinha e, mais uma vez, perfeito para o momento rubro-negro.

Passado o introito, vamos à pergunta que muito torcedor tem feito desde janeiro: será que os neodirigentes do Vitória - ou até mesmo o treinador Vagner Mancini - já avisaram aos jogadores que, nas regras aprovadas pela Fifa, nada impede que eles pulem para cortar os cruzamentos? Tenho dúvidas.

Sim, porque do jeito que o sistema defensivo (defensivo é modo de dizer) rubro-negro se comporta cada vez que um time adversário cruza a bola na área, tudo indica que eles acham que haverá punição se saltarem para afastar a pelota. É preciso deixar claro: não há.

Quando esta essencial pergunta surgiu, no já distante 2011, sugeri que se colassem umas cartolinas no vestiário informando aos jogadores que, sim, eles tinham respaldo das normas do jogo para pular quando a bola estivesse chegando à área rubro-negra.

Levaram na brincadeira, acharam que era só chacota, ninguém deu trela e, só para refrescar a memória, deu no que deu: o Vitória entregou a rapadura do acesso à Série A dentro do Barradão, tomando um dos gols do São Caetano após cruzamento na área.

Agora os tempos são outros e um time de primeira divisão obviamente não vai recorrer a cartolinas coladas na parede com fita crepe. Isto posto, atualizo minha sugestão apontando dois caminhos: 1) criar uma imagem em gif e mandar no grupo de Whatsapp do elenco. Quando os jogadores abrirem, verão o lettering a piscar: “Vale pular para cortar os cruzamentos! Vale pular para cortar os cruzamentos!”. 2) Elaborar uma apresentação de Power Point com imagens inspiracionais e fechar com letras garrafais: “Vale pular para cortar os cruzamentos!”. Mancini exibiria na preleção.

Para justificar estas iniciativas, nem preciso apelar às estatísticas, que seriam muito cruéis, especialmente se entrassem os últimos anos. Basta ver os gols sofridos pelo Vitória nas últimas três partidas, contra ABC, Bahia de Feira e Ferroviário. É tão ridículo que não dá nem para reclamar, pois fica muito claro que os atletas não foram bem informados sobre o que as regras permitem ou não.

"E do goleiro, não vai dizer nada?", alguém pode querer saber. Calma, temos de ser justos: está explícito para quem quiser ver que o arqueiro titular do Vitória também não recebeu a informação que, pelas regras da Fifa, ele pode sair do gol no tempo certo. É claro que o problema é este.

Se não for isso, o caso é bem mais grave.

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