Novo CEP: pandemia acelera venda de imóveis no Litoral Norte da Bahia

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24.07.2021, 05:00:00
Atualizado: 27.07.2021, 15:22:37
Nas ruas no Litoral Norte, movimento mostra aumento do número de moradores (Paula Fróes)

Novo CEP: pandemia acelera venda de imóveis no Litoral Norte da Bahia

Não é só veraneio: região muda de patamar e passa a ser endereço oficial

Vamos para a praia? Todo dia? O conceito de busca por um lugar ao sol foi atualizado, com sucesso, no último ano. A procura por moradia permanente, à beira mar,  se refletiu em aumento na demanda de serviços públicos no Litoral Norte e em um mercado imobiliário cada vez mais efervescente. Os tradicionais villages estão sendo mais procurados do que nunca, porém passaram a dividir espaço com outros formatos de moradia, adaptadas para os mais diversos públicos.

Há quarenta anos, o empresário Mário Piva, da JMJ Empreendimentos, atua no Litoral Norte. Ele diz que começou a construir a partir de Villas do Atlântico e depois foi “subindo” até chegar em Imbassaí, onde concentra as atenções, atualmente. Nesse período, foram 14 empreendimentos para mais de 3,3 mil clientes. Em todos esses anos, conta, construiu habitações que funcionavam como “segunda moradia”, mas desde 2020 percebeu uma mudança neste conceito. “Hoje a gente trabalha com a ideia de moradia alternativa, ou primeira moradia mesmo”, conta.

É fácil compreender o que alimenta esse movimento: “medo da pandemia, a possibilidade de viver em um lugar arborizado, perto da natureza e as pessoas não se davam conta de que isso existia. Nunca mais chame de segunda moradia”, explica.

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Em Imbassaí, a JMJ está construindo um empreendimento com metro quadrado mais caro que no bairro da Graça e que já está 70% comercializado, conta o empresário. O volume geral de vendas (VGV) estimado é de R$ 150 milhões, em 24 lotes (todos já vendidos), 16 unidades com três suítes (apenas uma ainda disponível) e 160 unidades com duas suítes (com 110 vendidas). Mário Piva diz que iniciou as vendas pouco antes de março de 2020 e viu a demanda explodir.

O empresário acredita que, pelos menos nos próximos cinco anos, Imbassaí deve ser a bola da vez no mercado imobiliário baiano. Para explicar a aposta alta, ele cita a ligação entre o distrito e a Praia do Forte. “São 10 quilômetros de praias virgens. Quem não gostaria de viver em um lugar assim?”, provoca.

Confira também o episódio especial do podcast O Que a Bahia Quer Saber sobre o 'boom' do Litoral Norte! Por que tantas famílias estão migrando para as praias baianas?

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José Antonio Tanajura Filho, diretor da Jequitibá Construtora, está lançando o segundo empreendimento da empresa em Imbassaí e percebe um novo público em busca dos imóveis.

“Eu participei de muitos atendimentos comerciais e tenho claramente um público diferente, agora. Há muitas pessoas pensando em adaptações para moradia ou, pelo menos, uma estadia prolongada”, diz.

A Jequitibá lançou, no início de 2018, o Oahu, com 40 unidades e um VGV aproximado de R$ 19 milhões. Desde o lançamento até março do ano passado, a empresa comercializou 55% das unidades. Nos seis meses posteriores ao início da pandemia, foram vendidas as 45% restantes. “As pessoas que conseguiram manter a renda passaram a buscar alternativas para recuperar a qualidade de vida. Isso iniciou a corrida, primeiro pelo aluguel e depois por aquisição”, conta José Antônio.

Novos tempos
No segundo empreendimento, o Lanai, a Jequitibá fez adaptações ao aumento da demanda por moradia. “Utilizamos muito o aprendizado do primeiro projeto. Procuramos atender algumas demandas que recebemos da primeira vez. Temos opções com dois quartos, mas vamos ter duas suítes e três quartos com garden”, exemplifica. Todos os imóveis terão espaço gourmet e serão entregues com fechaduras eletrônicas, para atender quem pensa no espaço para o aluguel por temporada também.

“A tendência de valorização já existia, mesmo antes da pandemia. Era notório nos preços, na quantidade de empreendimentos viabilizados lá. Isso tudo se deve muito ao encurtamento do senso de distância”, avalia o engenheiro civil Leopoldo Leão, sócio da Leão Construtora.

Para Leopoldo, o que a pandemia fez foi intensificar esse processo e o efeito que teve no mercado da construção foi o de gerar demanda por um outro tipo de moradia. “O mais importante é a questão da qualidade de vida, ambiente de praia, contato com a natureza. É muito difícil obter isso nos centros urbanos”, ressalta.

A Leão planejou um formato diferente de empreendimento que, segundo Leopoldo, acabou casando com a demanda elevada pela pandemia. Com o lançamento do condomínio Fazendas Santa Fé, na reserva Sapiranga, é possível estar a cinco minutos da Praia do Forte e, ao mesmo tempo, desfrutar da experiência da vida em zona rural. Uma das grandes diferenças em relação ao padrão antigo de construção é o tamanho dos lotes, com média de 1050 metros quadrados, remetendo ao conceito de minifazendas ou sítios. O lançamento, com um VGV aproximado de R$ 80 milhões, está atraindo interessados de Salvador e Aracaju, mas também muita gente de Feira de Santana e até de fora do estado, diz.

A demanda pelos serviços de limpeza urbana em Camaçari é um claro exemplo dos novos tempos no município. Em doze meses, a produção de resíduos domiciliares aumentou 9,4%. Entre julho de 2019 e junho de 2020, foi de 94.805 toneladas. Já entre julho de 2020 e junho de 2021, alcançou 103.695 toneladas. Segundo dados da prefeitura, o ritmo normal de crescimento dessa demanda varia entre 1% e 2%.

“O que observamos também é que a busca por empreendimentos na orla é 80% maior do que na sede de Camaçari”, diz o prefeito Elinaldo Araújo.

Como exemplo, ele ainda cita o caso de Abrantes, que atualmente tem cerca de 4,5 mil unidades habitacionais em construção. Ao todo, Camaçari, somando-se a sede do município e os 40 quilômetros de orla, tem a perspectiva de chegar a 19 mil unidades. Deste total, quase 60% está sendo construído na orla, afirma o prefeito.

Em Mata de São João, turismo sempre foi uma grande vocação e, na medida em que as condições sanitárias permitiram, a demanda dos viajantes ocasionais para a região se manteve, explica o prefeito João Gualberto. A novidade, percebida com muito mais intensidade desde 2020, é mesmo um aumento na busca de localidades como Praia do Forte, Sauipe e Imbassaí como alternativas de moradia.

“Existe um boom imobiliário em Mata, com muita gente adotando a região como a sua primeira residência”, ressalta o prefeito. Este movimento, segundo ele, está atraindo novos empreendimentos privados na área de educação e de saúde. Segundo João Gualberto, a chegada de novas empresas, principalmente na área de educação, deverá acelerar esse processo de transformação do Litoral Norte como opção para moradia permanente.

Atendimento com unidade móvel é mais confortável para pacientes (Foto: Divulgação)

Corrida abre espaço para serviço móvel
A pandemia do coronavírus levou a um aumento de 1000% na demanda pelo atendimento móvel do laboratório Sabin na Bahia. No Litoral Norte, onde não havia o serviço, hoje existem quatro veículos, trabalhando diariamente, na realização de exames e aplicação de vacinas, com toda a segurança.

O quadro de saúde pública transformou em preferência o atendimento que antes era apenas uma opção para pessoas com dificuldades de deslocamento, conta a farmacêutica bioquímica Agnaluce Silva, gestora regional do Sabin no Nordeste. “Com a pandemia, vimos essa migração de parte dos nossos clientes para o Litoral Norte, pegando a segunda residência e transformando na primeira”, lembra.

Isso criou uma demanda para aqueles clientes que a empresa já atendia, mas também de novos clientes, principalmente em relação a testes de  covid, lembra Agnaluce. O caso é que depois de experimentarem o serviço no conforto do lar, a clientela não quis mais saber de se deslocar para realizar os procedimentos.

O custo do serviço varia em torno de R$ 60, mas Agnaluce ressalta que existe a possibilidade de descontos através de parcerias. No caso de empresas interessadas no serviços, existe a cobrança de uma taxa, que varia de acordo com o tipo de exames e contratos firmados. “Vimos que essa demanda estava muito alta e justificava um novo serviço, que vai até Sauipe”, conta.

Segundo a gestora regional do Sabin, a satisfação com as unidades móveis é tão grande que a empresa não cogita ter uma unidade fixa na região no momento. “As pessoas se sentem mais seguras com o Sabin indo até elas”, acredita.

O Boom do Litoral Norte é uma realização do jornal Correio com o patrocínio do Iberostar e da Prima Empreendimentos.
 

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