Novo coronavírus já estava no esgoto de Florianópolis em novembro, diz pesquisa

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02.07.2020, 16:15:15
Atualizado: 02.07.2020, 16:23:38

Novo coronavírus já estava no esgoto de Florianópolis em novembro, diz pesquisa

Trabalho da UFSC com universidade espanhola descobre que Sars-CoV-2 circulou no Brasil dois meses antes da primeira confirmação oficial de covid-19 nas Américas

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Um estudo do Laboratório de Virologia Aplicada da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), realizado em parceria com a Universidade de Burgos (Espanha), concluiu que o coronavírus Sars-CoV-2 pode ter começado a circular no Brasil muito antes do primeiro caso de covid-19 no país e nas Américas. O trabalho, que ainda não passou pela revisão de pares e foi publicado na última segunda-feira no portal de artigos científicos medRxiv, encontrou o RNA do patógeno no esgoto de Florianópolis em amostras de novembro de 2019.

Isso significaria que o vírus estaria circulando na cidade pelo menos dois meses antes do primeiro contágio registrado nas Américas, já em 21 de janeiro deste ano, nos Estados Unidos. No Brasil, o primeiro caso de covid-19, de um morador de São Paulo que havia viajado à Itália durante o surto da doença no país europeu, foi confirmado em 26 de fevereiro. E em Santa Catarina, somente em 4 de março, 97 dias após a primeira amostra positiva coletada pelo laboratório da UFSC as autoridades locais reportaram o primeiro doente.

De acordo com o jornal O Globo, o estudo avaliou amostragens de esgoto bruto obtidas mensalmente entre 30 de outubro de 2019 e 4 de março deste ano. A coleta é feita regularmente para outros estudos em virologia e foi aproveitada nas investigações sobre a Covid-19. Por meio de testes RT-qPCR, que quantifica a quantidade de cópias do genoma viral, o novo coronavírus foi encontrado a partir do dia 27 de novembro.

O trabalho foi confirmado por testes interlaboratoriais independentes e utilizou vários marcadores que confirmam a assinatura genética do Sars-CoV-2, informa a autora do estudo, a virologista e professora da UFSC Gislaine Fongaro.

"Nós quantificamos as cópias do genoma do vírus. Temos certeza de que é o Sars-CoV-2 pois existem alguns marcadores no genoma do vírus. Nós utilizamos marcadores independentes, ou seja, o método partiu da proteína S (spike) do vírus, outro utilizando a porção do genoma que codifica o envelope viral e também para a enzima RdRp (envolvida na replicação viral)", afirma Gislaine, ao jornal carioca: "E nós confirmamos os resultados através de testes interlaboratoriais no Laboratório de Biologia Molecular, Microbiologia e Sorologia da UFSC".

A virologista afirma ainda que a descoberta não significa que o novo coronavírus surgiu no Brasil e prevê que, se outros países e até mesmo estados mais afetados no país, como São Paulo e Rio de Janeiro, seguirem o roteiro, terão conclusões similares.

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