'O Centro Histórico não pode ser só um shopping a céu aberto'

salvador
16.09.2021, 21:00:12
Atualizado: 16.09.2021, 21:12:25
(Reprodução)

'O Centro Histórico não pode ser só um shopping a céu aberto'

Debate virtual do projeto 'Centro Histórico em Ação' traz moradoras para discussão



Compartilhar conteúdos que contribuam para um Centro Histórico mais vivo e pulsante, não só para turistas, mas, principalmente, para os moradores. Pautar políticas públicas aos governantes. Discussão de sonhos em contraposição a uma realidade difícil. Lideranças comunitárias, moradoras e guias turísticas se reuniram para mais um encontro virtual do projeto “Centro Histórico em Ação” nesta quinta-feira (16), pela realização do Instituto ACM e pela Associação do Centro Histórico Empreendedor (ACHE).

“Quando o turista desce na Praça da Sé e é, ou abordado por 20 pessoas ou roubado, isso me preocupa muito como guia de turismo. Como moradora, queria que as autoridades competentes me respondessem porque as etapas de restauração ainda não foram concluídas. O Centro não pode ser só um shopping a céu aberto”, argumentou Creusa Carqueja, vice-presidente e conselheira do Sindicato dos Guias de Turismo do Estado da Bahia - SINGTUR-BA.

Junto a ela, debateram Ana Caminha, líder da comunidade da Gamboa de Baixo e Articulação do Centro Antigo; Bárbara Oliveira, presidente da Associação dos Moradores do Pelourinho e Antigo Maciel e Tânia Pastore, conselheira comunitária do Centro/Brotas. A medição do debate ficou por conta de Claudia Vaz, diretora executiva do Instituto ACM e da jornalista e radialista Doris Pinheiro.

O sentimento de pertencimento e a relação disso com o cuidar da cidade também foram pautas abordadas. Para Pastore, se pensássemos a cidade como se fosse nossa própria casa, ela, com certeza, estaria em melhores condições. Moradora do Santo Antônio Além do Carmo há 20 anos, tem o sonho de que o bairro ainda seja um lugar a ofertar moradia e empregos dignos.

“Nós temos que pensar no nosso entorno como se fosse nosso lar. Nós temos inúmeras casas que estão desabando na região. Precisamos que Prefeitura e estado tenham um olhar voltado para elas no Santo Antônio. Política de preservar essas casas para que não caiam”, disse na ocasião.

E por quê não pq não instalar mais moradias para funcionários do estado ou da prefeitura no Centro? Outro questionamento feito por Creusa. “Assim, pessoas que prestam serviço aqui vão saber de fato o que acontece”. Majoritariamente destinada ao turismo, a preocupação é que as políticas públicas não levem em consideração os moradores, cada vez mais escassos na região desde a expansão da cidade na direção norte.

Em contraponto, para Creusa, ações têm sido tomadas pelo poder público nos últimos anos, que facilitam, levemente, a ocupação na região, mesmo que destinadas ao turismo. “Tem sido feito uma tentativa de acerto ao ajudar os trabalhadores informais, como o cadastro a esses trabalhadores. O policiamento também melhorou bastante”, pontuou. 

Os encontros virtuais fazem parte do projeto “Centro Histórico em Ação – Diálogos” que já reuniu especialistas nessas áreas e agora expande a discussão, com a presença das principais lideranças populares da região. Os próximos encontros da série acontecem nos dias 23 e 30 de setembro.

Sobre a ACHE

A ACHE, Associação do Centro Histórico Empreendedor, criada em 2020 visa unir empreendedores do Centro Histórico de Salvador de forma positiva e atuante no desenvolvimento e fortalecimento do turismo, do comércio, da cultura e dos aspectos sociais.

Sobre o Instituto ACM

Braço social da Rede Bahia, o Instituto Antonio Carlos Magalhães de Ação Cidadania e Memória (IACM) é uma organização privada sem fins lucrativos que tem como direcionamento estratégico atuar na promoção da cultura contemporânea, do patrimônio e da educação.

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