Os Carnavais de Moraes: anos 90, o apogeu do Axé Music e o desgosto de Moraes

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14.02.2021, 17:00:00
Atualizado: 17.02.2021, 09:57:39
Moraes Moreira é o homenageado do Correio Folia de 2021

Os Carnavais de Moraes: anos 90, o apogeu do Axé Music e o desgosto de Moraes

Ouça o 3º episódio da série em podcasts do Correio sobre a trajetória do ídolo na folia

Moraes Carnaval Moreira. Assim também era chamado o baiano de Ituaçu, que nos deixou em 13 de abril de 2020. Fora todo o legado deixado para a música brasileira, Moraes ajudou a construir a história do Carnaval.

Moreira é o homenageado do Correio Folia de 2021. Além de lives e matérias especiais, o Correio* está lançando uma série documental em podcasts, que lembra em detalhes a trajetória de Moraes no Carnaval e o legado deixado por ele para a festa.

A série documental de podcasts se chama Os Carnavais de Moraes.

Será uma série de cinco capítulos, que então sendo publicados desde sexta-feira (12) até quarta-feira (17) aqui, no site do Correio. Você também poderá acessar os episódios no seu aplicativo favorito de podcasts: no Spotify, no Deezer, no Apple Podcasts ou no Google Podcasts.


Clique no player para ouvir o 3º episódio de Os Carnavais de Moraes:


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Confira outras opções de aplicativo mais abaixo


Terceiro episódio

Nesse terceiro episódio, falamos da criação do maior hino do Carnaval da Bahia: a música Chame Gente, lançada em 1985 e considerada, pelo próprio Armandinho, a sua melhor composição na parceria com Moraes.

Você sabia que ela demorou quase 10 anos para deixar de ser instrumental e ganhar letra? E quais foram as inspirações de Moraes para dar vida à canção mais conhecida do Carnaval baiano?

Mas, também, tratamos do efeito da grande industrialização da festa que acabou, pouco a pouco, irritando Moraes. O mestre tornou-se o maior crítico das cordas e dos camarotes. O efeito, por fim, foi afastá-lo da folia.

Mas como a indústria do Axé Music foi se construindo? Quais foram os primeiros sinais de que artistas tradicionais, como Armandinho e os blocos afro estavam perdendo espaço? Qual foi a gota d'água para que Moraes desistisse de Salvador? Tudo isso você escuta aqui, na série documental produzida pelo Correio*.

>> Perdeu o primeiro episódio? Clique aqui para ouvir sobre a estreia de Moraes no trio elétrico

>> Também tem o 2º episódio! Clique aqui entender a influência do ijexá na música de Moraes

>> O 4º episódio fala do período de exílio de Moraes no Carnaval do Recife e seu amor pelo frevo

>> O 5º episódio trata do retorno de Moraes à Bahia e dos seus últimos Carnavais na Praça

O Correio Folia é uma realização do jornal Correio com o apoio da Bohemia Puro Malte e da Drogaria São Paulo. A transmissão é da ITS Brasil e E_Studio.


Você também pode ouvir nos aplicativos de sua preferência:


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Mas... O que é "podcast"?

Podcast é um programa de áudio, igualzinho a um de rádio. A diferença é que você pode ouvir quando, como e onde quiser. Pode ser no celular, no computador ou na TV. Se quiser, você pode pausar, voltar, adiantar ou pular os trechos, se preferir.

Para ouvir, basta tocar no player acima. Ou, se preferir, basta clicar nos links para ouvi-lo no Spotify, no Deezer, no Apple Podcasts ou no Google Podcasts. Também é possível buscar os episódios diretamente nos aplicativos.

Os Carnavais de Moraes

O repórter Vitor Villar pesquisou a carreira de Moraes e ouviu parceiros de vida e obra, como os músicos Armandinho, Paulinho Boca de Cantor, André Rio, Luciano Magno e Davi Moraes. Além deles, o antropólogo e compositor Antônio Risério e o historiador Rafael Rosa.

Por que contar a história de Moraes Moreira no Carnaval é contar a história do próprio Carnaval?

Além de todos os seus dons musicais, tão conhecido por sua participação nos Novos Baianos e por sua carreira solo, Moraes Moreira tinha o dom de revolucionar o Carnaval.

Em sua primeira participação num trio elétrico, em 1975, foi ousado: pegou um microfone que era ‘proibido’ por Dodô e cantou. Foi assim que a voz subiu o caminhão pela primeira vez em 25 anos, lançou inúmeras estrelas desde então e a festa mudou de cara.

Mas não parou por aí. Graças à ajuda dos seus ex-parceiros de Novos Baianos, participou do primeiro grande encontro de trios na Praça Castro Alves. Continuou divulgando e defendendo a história do Carnaval e do trio pipoca ao longo dos anos 80.

Ousado, realizou o sonho de Caetano Veloso e de Gilberto Gil ao adaptar o ritmo do ijexá para as cordas e, consequentemente, para o trio elétrico. Ao unir o ritmo dos blocos afoxés e o som eletrizado, lançou com Chame Gente o hino e a imagem que a partir dali todo o mundo teria do Carnaval da Bahia.

Mas também teve espaço para irritação. Moraes sempre foi crítico da comercialização do Axé Music, das cordas e dos camarotes que se espalhavam por Salvador. Irritou-se tanto que trocou a Bahia por Pernambuco, num exílio que atravessou a década de 90 e os anos 2000.

Mas, antes de se despedir de um dos seus maiores nomes, o Carnaval tinha que fazer as pazes com Moraes Moreira. Em 2010, o herói retornou às ruas de Salvador, num trio pipoca, como ele gostava, e saboreando um novo momento da folia, já com o sumiço progressivo das cordas.

Ou seja: Moraes sempre teve o Carnaval como parte de si, e a ele retornou na hora certa para resgatá-lo. Despediu-se em 22 de fevereiro de 2020, na Praça Castro Alves, a origem de tudo.

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