'Parecia que estava adivinhando', diz mulher de taxista morto em assalto

salvador
27.11.2017, 16:43:00
Atualizado: 28.11.2017, 17:58:54
Mensagem de luto em carro de taxista que foi ao enterro (Milena Teixeira/CORREIO)

'Parecia que estava adivinhando', diz mulher de taxista morto em assalto

Dias antes, taxista, que havia acabado de ser avô, pediu à esposa para 'cuidar dos meninos'

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

(Foto: Almiro Lopes/CORREIO)

O corpo do taxista Milton Silva dos Santos, 53 anos, foi sepultado nesta segunda-feira (27), no Cemitério Jardim da Saudade, em Brotas. Ele morreu depois de ser baleado em um assalto na noite de sexta-feira, no bairro de São Cristóvão, em Salvador. "Parecia que ele estava adivinhando, porque ele mandou eu cuidar dos meninos uns dias antes", diz Margarida, esposa de Milton.

Segundo os familiares, Milton já tinha o táxi há cerca de 20 anos. Ele costumava rodar nas regiões da Rodoviária, Hospital Roberto Santos e no Imbuí. Foi justamente do Imbuí que ele saiu para fazer uma corrida até São Cristóvão, onde aconteceu o crime. 

O motorista deixa também três filhos já adultos e um neto, que tinha acabado de nascer. Ele era torcedor do Bahia e, durante o enterro, o hino do time foi cantado. "Meu velho foi embora", chorava a filha. "Não achei que fosse enterrar meu pai (tão cedo)", lamentava o filho, Maurício. Quando o caixão do pai era descido, ele pediu uma última bênção ao taxista.

Colegas taxistas compareceram ao sepultamento, muitos com mensagens de luto nos carros.

Crime
Milton começou a corrida no Imbuí, onde três homens e uma mulher entraram no veículo, e seguiu até São Cristóvão, onde o grupo anunciou o assalto. O taxista parou o carro e saiu correndo, mas um dos bandidos atirou, atingindo a vítima quatro vezes: três na região torácica e outro no braço direito. O taxista foi socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde passou por cirurgia, mas acabou não resistindo.

Segundo o porta-voz da Comissão dos Taxistas da Bahia, João Adorno, a vítima, que dirigia um Corsa sedan (placa NYV-6588 e alvará A-4237), foi atingida por pelo menos quatro tiros. A ocorrência do HGE confirma os quatro tiros - três na região torácica e outro no braço direito.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas