Peritos da Aspra são proibidos de participarem da simulação do soldado morto na Barra

salvador
20.06.2021, 18:15:00
Atualizado: 20.06.2021, 18:35:43
((Foto: Paula Fróes/CORREIO))

Peritos da Aspra são proibidos de participarem da simulação do soldado morto na Barra

A associação solicitou o acesso dos peritos auxiliares, mas o pedido foi negado nos últimos dias

Os peritos contratados pela Associação dos Policiais e Bombeiros Militares e seus Familiares (Aspra) foram proibidos de participar da reprodução simulada dos fatos do caso da morte do soldado Wesley Soares de Góes, que está sendo realizada no bairro da Barra, em Salvador, neste domingo (20). Assim como os jornalistas, eles acompanham a prova pericial através das janelas de apartamentos do entorno. A reconstituição faz parte das investigações da morte do policial, que aconteceu no mesmo local, após um surto psicótico, no dia 28 de março deste ano.

“A gente atua em reproduções simuladas em todo o Brasil. A gente é acostumado a acompanhar de perto e quanto mais transparente a reprodução, melhor para todas as partes”, declarou Carlos Eduardo Becker da Becker & Sawitzki Perícias do Mato Grosso do Sul. A empresa foi contratada pela Aspra, que pediu ao Ministério Público da Bahia (MP) a reconstituição do fato. 

Além da BS, a Secrim de São Paulo também foi contratada pela Aspra para acompanhar a prova pericial. “Quando é um caso de repercussão nacional, a gente une as forças para um trabalho mais apurado e com melhor resultado”, disse Carlos, que estava na companhia da perita Beatriz Calixto da Secrim.    

Carlos disse que o jurídico da Aspra solicitou com antecedência o acesso dos peritos auxiliares à reconstitução. “Foi requisitado judicialmente, mas o nosso pedido foi negado nos últimos dias e, por isso, estamos vendo tudo à distância, infelizmente. Viemos com as nossas equipes do Mato Grosso do Sul e de São Paulo e fomos pegos de surpresa”, disse Carlos. 

Apesar da distância, Carlos disse que o trabalho não foi comprometido. Perguntado qual a análise do cenário até o momento, ele respondeu: “Não estamos autorizados a dar um parecer neste momento. Como se trata de um trabalho sigiloso e metódico, vamos levar tudo para ser discutido internamente nas empresas”. 

O CORREIO enviou um email à Polícia Militar questionado a situação, mas até o momento não obteve resposta. 

Caminhão
Um caminhão da Departamento de Apoio Logístico (DAL) da PM está atravessado na Avenida Almirante Marques de Leão impossibilitando que as pessoas e a imprensa acompanhem a reconstituição, marcada para às 14h. No entanto, a simulação começou depois das 15h50. Foi na Marques de Leão que, no dia 28 de março, jornalistas acompanharam e registraram o episódio que resultou na morte do soldado Wesley.  

Caminhão da PM usando para bloquear a visão da reconstituição (Foto: Paula Fróes/CORREIO)

A Corregedoria da PM informou que a simulação dos fatos busca esclarecer as dúvidas surgidas no decorrer da investigação, especialmente sobre o posicionamento exato e conduta dos policiais militares envolvidos.  Ainda segundo a Corregedoria, as respostas para os questionamentos serão fornecidas por um órgão técnico, afastado das investigações, o que, de acordo com a PM, garante a lisura e transparência do processo.

Considerando as peculiaridades do local onde acontecerá o evento, no Farol da Barra, um dos pontos turísticos mais frequentados da capital baiana, o Comando de Operações da PM montou uma operação destinada ao isolamento e contenção de pessoas e veículos, com a formação de barreiras policiais em pontos estratégicos.O isolamento da área começou às 11h.  

Além da Corregedoria da PM, a quem foi incumbida a investigação dos fatos, a operação conta com a participação do efetivo do CPRC/Atlântico, da 11ª CIPM/Barra e do Esquadrão Águia.  

Ainda segundo a nota divulgada pela PM, todos os advogados constituídos nos autos do inquérito, inclusive o representante da família do policial, foram notificados para acompanhar a simulação deste domingo, sendo garantida a participação através da formulação de quesitos ao Perito Oficial indicado pelo Departamento de Polícia Técnica da Bahia (DPT/BA).
 

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