PGR pede ao STF inquérito contra ministro da Educação por homofobia

brasil
26.09.2020, 19:40:00
Atualizado: 26.09.2020, 20:35:19
(Isac Nóbrega/PR)

PGR pede ao STF inquérito contra ministro da Educação por homofobia

Milton Ribeiro auxiliou Bolsonaro a atribuir a homossexualidade de jovens a 'famílias desajustadas'

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O vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito contra o ministro da Educação, Milton Ribeiro, por homofobia, após o auxiliar do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atribuir a homossexualidade de jovens a “famílias desajustadas”. A declaração do ministro foi feita em entrevista ao Estadão na última quinta-feira (24).

“O Ministro da Educação evidencia toda a carga de preconceito e atraso do governo Bolsonaro. Logo o ministro de uma pasta tão estratégica para uma nação que tenha a pretensão de soberania. Esse governo tem elementos medievais. Representei contra o ministro no MPF, ele tem que responder por crime de homofobia”, disse Miranda, segundo o Broadcast Político.

As falas do ministro caíram muito mal em Brasília. Entre os parlamentares, por exemplo,  o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) prometeu que iria ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ministro fosse investigado por homofobia. O deputado David Miranda (PSOL-RJ) também pretendia acionar o Ministério Público Federal pelo mesmo motivo. Ambos fizeram as declarações pelo Twitter.

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, divulgou nota neste sábado (26) dizendo que teve uma fala “interpretada de modo descontextualizado”. Na última quinta-feira (24), Ribeiro fez comentários considerados discriminatórios que foram reproduzidos em redes sociais. O ministro afirma que as falas foram retiradas do contexto e tiveram interpretação equivocada.

“Jamais pretendi discriminar ou incentivar qualquer forma de discriminação em razão de orientação sexual”, diz a publicação. "Trechos da declaração, retirados de seu contexto e com omissões parciais, passaram a ser reproduzidos nas mídias sociais, agravando interpretação equivocada e modificando o real sentido daquilo que se pretendeu expressar."

O Ministro pediu desculpas a quem se sentiu ofendido. "Por fim, diante de meus valores cristãos, registro minhas sinceras desculpas àqueles que se sentiram ofendidos e afirmo meu respeito a todo cidadão brasileiro, qual seja sua orientação sexual, posição política ou religiosa."


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