Polícia apreende armas e drogas durante operação contra 'paredão' no Arenoso

salvador
14.10.2021, 18:39:53
Atualizado: 14.10.2021, 23:34:16
(Divulgação / SSP-BA)

Polícia apreende armas e drogas durante operação contra 'paredão' no Arenoso

Materiais foram apreendidos durante policiamento no bairro da capital nesta quinta (14)

Equipes da Rondesp Central apreenderam dois fuzis, uma submetralhadora, uma carabina, uma espingarda e 22 balanças em um imóvel, nesta quinta-feira (14), no bairro do Arenoso, em Salvador. Os itens foram localizados durante policiamento para combater a realização de festas do tipo ‘paredão’ na capital.
 
Ao chegar ao local, os policiais flagraram cerca de oito homens armados que atiraram contra eles e fugiram logo em seguida. Segundo informações da Polícia Militar, foi descoberta a existência de uma quadrilha com atuação na região do Arenoso.
 
No imóvel, também foram apreendidos dois cadernos com anotações de ‘paredões’, dois carregadores para os armamentos, 2 mil pinos de cocaína, cerca de 15kg de maconha em tabletes, aproximadamente 2kg de pasta base, roupa camuflada, três coldres, itens utilizados na confecção de lança perfume, além de embalagens para armazenar drogas.
 
A ocorrência foi registrada no Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco).

Foto: Divulgação / SSP-BA

“Podemos dizer que o tráfico é o maior patrocinador dos paredões, sempre regados a muitas drogas e indivíduos que praticam crimes”, disse o coronel Adalberto Piton, comandante do policiamento regional da capital. No caso do Uruguai, as vítimas não tinham passagem pela polícia ou envolvimento com o tráfico.

O coronel da PM ainda destacou o uso dos armamentos potentes encontrados em meio ao material. “Isso tem sido utilizado contra nossos homens e faz com que a gente deva fazer um combate mais direcionado e qualificado”, afirmou. As investigações continuam no Arenoso.

Paredões proibidos
O governador Rui Costa anunciou no final da tarde desta quarta-feira (13) que o estado não vai mais permitir festas do tipo "paredão" na Bahia. A decisão foi informada após a morte de seis pessoas em um tiroteio em uma festa do tipo no bairro do Uruguai, na noite de ontem.

"Não vamos permitir mais nenhuma festa de paredão na Bahia. Para festas serem realizadas fechando ruas, as prefeituras precisarão autorizar e comunicar à Polícia Militar previamente. Caso não haja autorização prévia, a PM deverá apreender os equipamentos sonoros", disse Rui. 

O governador afirmou que a violência cresceu por conta da miséria e disse que o tema precisava ser debatido de maneira mais ampla. "Insisto, a gente precisa fazer esse debate nacionalmente sobre o crime organizado, marco legal, tráfico de drogas. Para quem é consumidor, as pessoas se sentem ofendidas... Mas é fato. Quem está financiando a morte desses jovens infelizmente é o fluxo financeiro do comércio das drogas. A gente goste ou não. O debate precisa ser amplo".

Balanço da Operação Sílere
De acordo com balanço da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur), os bairros que mais registraram denúncias por poluição sonora ao longo do ano foram Itapuã, Paripe, São Marcos, Pernambués e Pituba. Foram 33.030 denúncias e 9.732 vistorias desde janeiro de 2021. Na área do Uruguai, palco da recente tragédia, 20 operações foram realizadas, onde foram feitas 60 vistorias e realizadas 14 operações de equipamentos sonoros.

Subcoordenadora de poluição sonora, Márcia Cardim reforça que todas as ações do órgão em parceria com as polícias civil e militar e Transalvador são respaldadas pela Lei Municipal 5.354/98, que dispõe sobre a utilização sonora em Salvador. Quem for flagrado descumprindo a lei, pode receber multa que varia de R$1.094 a R$175 mil dependendo dos índices encontrados na hora da medição, além de ter o equipamento sonoro apreendido.

“Somente no Uruguai foram 27 denúncias registradas, a maioria de residências, veículos e áreas públicas. Sobre os paredões, não estão autorizados durante a pandemia. Nenhum tipo de evento em logradouro público”.

Antes da pandemia, os eventos tinham que ser licenciados pela Central de Licensiamento de Eventos, que analisavam o impacto que ele teria para o logradouro público. Mas, segundo a subcoordenadora, nunca foi licenciado um paredão em logradouro público.

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