Por uma ceia de Natal com agito

victor uchôa
22.12.2018, 05:00:00

Por uma ceia de Natal com agito


Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Neste grave momento da nação, com o tal motorista alaranjado dando perdido sem trazer nada pra nós, com o pessoal do Supremo mais tonto que o peru da véspera e a Avenida Sete em polvorosa, a preocupação que verdadeiramente atinge boa parte do nosso calejado povo é uma só: como se comportar na ceia de Natal diante daquele parente que, nos últimos meses, se mostrou um belo de um cretino (substitua aqui por outros adjetivos pertinentes)?

Antes de seguir, uma observação importante, que todo mundo já traz no subconsciente, mas sempre vale a pena piscar o letreiro: cunhado nem é parente! Voltemos.

Depois de amanhã, quando Papai Noel estiver prestes a bater na porta e você for comer a contragosto aquela caçamba de passas que alguém despejou na comida, lembre-se que poucas vezes na nossa trajetória houve oportunidade tão perfeita pra gerar cizânia. Importante ter em mente que não há mal algum nisso, pois toda história só é movida por conflitos.

Quando o debate político estiver bem acalorado, caro leitor ou bela leitora, aproveite para usar argumentos que desmoralizam qualquer pessoa.

É neste momento que você pode jogar na cara de alguém, por exemplo, que aquele indivíduo defende o escanteio curto como “jogada ensaiada”. Ou sai dizendo por aí que o time contratou um “volante que sabe jogar”. E entende que, para a próxima temporada, a diretoria deve contratar uns dois “atacantes de beirada”.

Como se sabe há muito, a expressão “volante que sabe jogar” ganhou vida para definir aquele jogador da posição que, além de desarmar o adversário, tem capacidade de armar jogadas - poucos correspondem à descrição. Na verdade, a maioria não consegue sequer marcar (e os times baianos adoram uns volantes que parecem atuar com dengue, sob a desculpa de que o sujeito “sabe jogar”).

O “atacante de beirada”, por sua vez, é aquele que - salvo raras exceções - não faz gol, nem dribla, nem constrói jogadas pela ponta, nem cruza bem, nem volta para ajudar na marcação e nem deveria ter virado jogador profissional.

Parente que enche a boca, em plena reunião de Natal, para querer discursar usando expressões desse tipo, tem mais é que ser publicamente constrangido mesmo. Estes só perdem para aqueles que, de uns anos pra cá, resolveram reverberar modismos como “volância” e “momento defensivo”. Para esses, só um bombardeio de passas!

Estabelecida a discórdia, pode comer com a consciência tranquila. Vá por mim que é melhor resolver tudo agora do que guardar para a Páscoa. Daqui até lá, você vai ter muito mais a dizer. Sobre o campo de jogo ou a vida, o que dá mais ou menos no mesmo.

Quem é?
Imagine aí um amigo secreto com a presença de certo dirigente baiano. Começa a brincadeira e quem tirou o nome do cartola no sorteio tem que dar as informações para as pessoas adivinharem quem é: contratou Pedro Botelho! Acabou com o basquete! Cruzou os braços quando o time abandonou um jogo! Se deixou dominar pelos jogadores! Não sabe para que lado vai!

É também uma forma de agitar a confraternização.

Victor Uchôa é jornalista e escreve aos sábados.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas