Profissionais do ramo de eventos fazem protesto em Salvador: 'queremos voltar'

salvador
13.09.2020, 10:53:00
Atualizado: 13.09.2020, 12:48:27
Manifestação teve participação de diversos segmentos da área de eventos: desde produtores até garçons e técnicos de som (Foto: Equipe Rapox/Divulgação)

Profissionais do ramo de eventos fazem protesto em Salvador: 'queremos voltar'

Cerca de 150 pessoas saíram de Ondina em direção ao Farol da Barra pedindo o retorno dos eventos

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Só na Bahia, a classe de profissionais do ramo de eventos estimam que mais de 400 eventos foram transferidos para 2021 e 2022. Fora os incontáveis cancelamentos - e não estamos falando daquele da internet. O baque da pandemia foi agressivo contra esse setor e por isso diversos trabalhadores da categoria fizeram neste domingo (13) uma passeata pela retomada dos eventos em Salvador.

O ato saiu do Clube Espanhol e foi em direção ao Farol da Barra. Carregando uma faixa com a hashtag #UnidosPelosEventos, a passeata teve profissionais de várias áreas: de produtores até camareiros, motoristas e garçons como Edson Silva, 28, que chegou cedinho para a concentração e sequer se assustou com a forte chuva que caiu em Ondina.

"Foi até uma oportunidade de sair de casa. Minha renda reduziu muito, não estamos aguentando mais. Eu fazia esse trabalho de garçom 3, 4 vezes numa mesma semana e isso ajudava muito. Está abrindo tudo, tem que liberar os eventos também", disse Edson.

Também garçom, Reinaldo Rocha diz que não aguenta mais ficar sem trabalhar. Ele conta que viveu os últimos seis meses à base de doações decestas básicas e alguns auxílios financeiros que conseguiram bancar o aluguel.

"Queremos retornar à vida ativa. Temos filho, família. Ai de mim se não fossem as pessoas que me ajudaram. Não sei o que faria", conta.

De bandeja vazia, Reinaldo foi até a passeata que iniciou em Ondina e terminou no Farol da Barra (Foto: Susy Moreno/Divulgação)

A organização do evento estima que 150 pessoas participam do ato que teve o objetivo de  chamar a atenção sobre a importância do setor para a economia e fazer reinvindicações consideradas urgentes para sobrevivência das categorias.

A ideia é incitar as autoridades para a concepção de um programa para a retomada dos eventos, a criação de uma linha de crédito voltada para o setor e a garantia de uma renda mínima aos profissionais até o fim da pandemia.

A abertura de diálogo é algo fundamental para o técnico de som Elson Alves, que atua no ramo desde 1989. Parado praticamente desde o final do carnaval, Elson aponta que é dos eventos que consegue tirar o sustento de sua família e que boa parte da categoria já não sabe o que fazer.

"Não temos outra forma de renda e é por isso que estamos aqui hoje. Não queremos ajuda, auxílio, queremos voltar a trabalhar", disse Elson.

Técnicos de som posam para foto em frente ao Farol da Barra no final da passeata (Foto: Susy Moreno/Divulgação)

A Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc Brasil) estima que o país recebe cerca de 590 mil eventos anualmente e 98% das atividades previstas foram canceladas por conta da pandemia. Estima-se que a indústria de Eventos impacta mais de 50 setores da economia e movimenta, anualmente, no país, mais de R$ 930 bilhões, o que representa quase 13% do PIB - índice maior que o das indústrias automobilística, farmacêutica e a petrolífera -, com a geração de 25 milhões de empregos diretos e indiretos. 

Durante a passeata, os manifestantes exibiram uma “carta de reinvindicações” para documentar a situação de desespero que se encontra grande parte dos profissionais do setor, que tiveram suas atividades e rendas interrompidas desde o início da quarentena.

Grupo de 150 pessoas caminhou com bandeiras e faixas pela Avenida Oceânica (Foto: Equipe Rapox/Divulgação)

Em Salvador, a Prefeitura começou o processo de reabertura de locais de entretenimento. A partir da próxima segunda-feira (14), será liberado o funcionamento de cinemas, teatros e do Centro de Convenções. Os cinemas poderão funcionar todos os dias, das 12h às 23h. Serão liberados apenas 100 frequentadores por sessão.

O mesmo número de público será permitido no teatro, que poderão funcionar com horário livre mas precisando respeitar o intervalo de uma hora entre cada sessão. Assim como no cinema, deverá haver um distanciamento mínimo de duas poltronas entre aquelas que puderem ser utilizadas. Os assentos que não puderem ser usados precisam ser identificados e isolados.

"Os resultados de Salvador no combate ao novo coronavírus têm sido excelentes nesses seis meses de medidas contra a doença. Quando anunciamos a reabertura de alguma atividade é porque temos plena convicção de que isso pode acontecer com segurança. A taxa de ocupação das UTIs, por exemplo, tem reduzido continuamente e já está abaixo de 40%", disse ACM Neto, prefeito da capital. 

Os centros de convenções e eventos terão horário e dias livres de funcionamento. Será obrigatória a organização do fluxo de movimentação, para evitar cruzamentos entre as pessoas e aglomerações. O uso de máscaras será obrigatório, inclusive para apresentadores e palestrantes. Ficam proibidas feiras e similares. 

A capacidade de ocupação é de uma pessoa a cada seis metros quadrados, com limite de 100 por salão de evento, sempre respeitando o distanciamento mínimo de 1,5m entre os cidadãos. A medição de temperatura deverá ser feita na entrada. O credenciamento de expositores, palestrantes e todos os demais participantes das convenções e eventos deverá ser feito de forma prévia e virtual. 

A autorização será apenas para seminários, congressos e outros eventos em que as pessoas ficam sentadas e podem manter o distanciamento. As casas de espetáculo estão liberadas para funcionar, mas os show continuarão proibidos. 


Sobre as reivindicações, o governo do Estado informou, através da assessoria de comunicação que a liberação para eventos acima de 100 pessoas deve ocorrer gradualmente, na medida em que as taxas de ocupação de leitos e de disseminação forem reduzindo no estado.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas