Quarentena provoca efeitos sobre o corpo: saiba como se cuidar

coronavírus
26.04.2020, 09:00:00
Coluna lombar é um dos principais locais em que a dor por atacar na quarentena (Foto: iStocks)

Quarentena provoca efeitos sobre o corpo: saiba como se cuidar

Efeitos podem durar (ou até começar) mesmo com fim do isolamento

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A reclusão em casa por muitos dias traz riscos e gera efeitos sobre o nosso corpo, que com certeza sairá diferente desse período de quarentena. Mas, com alguns cuidados, dá para reduzir ou mesmo evitar alguns problemas. Seja durante o distanciamento social, seja quando ele acabar. Confira:

1- Cabeça
Segundo o psicólogo Danilo Malaquias, a privação de aspectos que trazem sentido à nossa vida –relação amorosa, sucesso profissional e convívio com familiares– pode gerar problemas como irritabilidade, quadros de ansiedade e até mesmo depressão. “Mesmo depois da quarentena é possível experimentar esses sintomas, pois sair dela não representa uma retomada imediata”, diz. Ainda de acordo com ele, a alteração da rotina e a ansiedade gerada pela privação de algumas atividades prazerosas pode causar insônia e outras dificuldade de manter um sono regular. “A convivência com amigos, familiares, colegas de trabalho, é um dos fatores que auxiliam na regulação emocional. Conseguimos ver a situação de outro ângulo e isso ajuda nesse processo de regulação emocional”, diz. Para pessoas que sejam infectadas pela covid-19 e que tenham que passar pelo estresse do tratamento ou que vivam a aflição da doença com parentes próximos, há o risco também de desenvolver um estresse pós-traumático ao final da pandemia.

2- Olhos
Não tem jeito: nessa quarentena vamos ficar por muito mais tempo diante de uma tela. Trabalho, estudo, lazer e até exercícios físicos estão relacionados a televisões, celulares, computadores ou tablets. A exposição excessiva a telas pode ser prejudicial aos olhos, causando irritação, tensão ocular, secura, dores de cabeça e dores no pescoço. É preciso tentar reduzir ao máximo o uso.

3-Boca
A ansiedade da quarentena gera a famosa ‘boca nervosa’: a comida aparece como um recurso rápido e fácil para buscar prazer imediato. Sobretudo se estamos falando de doces e alimentos gordurosos. Essa reação é compreensível, e os especialistas recomendam que não nos culpemos por isso: “Para não criar uma compulsão, vale a pena buscar outras atividades que tragam prazer e não envolvam comida”, diz a nutricionista Mariana Andrade.

4-Coração
Passar o dia inteiro com o corpo relaxado, seja deitado ou sentado assistindo televisão, pode levar a uma perda do desempenho cardiovascular e, de repente, algumas atividades do dia a dia, que não demandavam esforço, como subir uma escada, podem causar cansaço. Por isso, a recomendação é movimentar-se o máximo possível, ainda que dentro de casa.

5- Lombar
Quem vinha com alguma atividade física regular, como musculação, e, de repente, parou, pode experimentar dores nas costas, sobretudo na coluna lombar, e em outras articulações. Da mesma forma, pessoas que passem muito tempo em repouso durante a quarentena e de repente se lancem a atividades domésticas repentinas, como uma faxina, podem sofrer pontos de tensão e dor.

6- Estômago
Comer em excesso alimentos prontos e industrializados aumentará a presença de aditivos estranhos no organismo, alguns até modificados quimicamente. A recomendação é preparar a própria comida a partir de alimentos frescos: “Os industrializados aparecem muito pela desculpa da praticidade. Podemos aproveitar esse período para cozinhar mais e congelar para os dias seguintes”, sugere a nutricionista Mariana Andrade.

Leia mais: O que você vai fazer quando a quarentena acabar?

7- Barriga
Para quem vinha praticando atividades físicas regulares, a parada repentina certamente levará a um acúmulo rápido de gordura. Se isso estiver associado a uma alimentação inapropriada, muito calórica, o acúmulo será ainda maior. A recomendação é procurar um profissional de educação física para que ele oriente exercícios neste período, além de buscar junto a um nutricionista uma dieta apropriada.

8- Músculos
A falta de atividade física certamente levará a uma perda de massa magra e de força, até mesmo em pessoas que eram sedentárias. A recomendação é procurar um profissional de educação física que oriente exercícios. A falta de supervisão não é recomendada, pois pode levar a lesões.

9- Ossos
Não é só o exercício físico. A falta de atividades físicas das mais simples, como caminhar ou ficar em pé por algum período, pode levar à perda de massa dos ossos: “Sem a carga, os ossos podem começar a perder cálcio e iniciar um processo de osteopenia (perda da densidade óssea)”, explica o fisioterapeuta Thiago Ribeiro. A recomendação, portanto, é se exercitar. Pequenas caminhadas já ajudam.

10- Ligamentos
Mais um risco de ficar o dia inteiro deitado ou sentado: “Sem movimento no corpo, há a redução do líquido que lubrifica as articulações, gerando limitação dos ligamentos e alterações do alinhamento biomecânico. De repente, a pessoa pode ter uma limitação para atividades simples, como amarrar os sapatos ou coçar as cotas, demandando um esforço muito maior”, explica Ribeiro.

11- Pele
O excesso de banhos, ainda mais se forem demorados e quentes, pode machucar a pele: “A pele fica ressecada e mais vulnerável a processos alérgicos e infecciosos. Outra informação importante é que os sabonetes antissépticos ressecam ainda mais a pele e não devem ser utilizados. A recomendação é tomar banhos rápidos, com temperatura morna ou fria e usar sabonetes que agridam menos a pele, como os infantis. Após o banho, aplicar hidratante sem perfume e sem corante”, diz a dermatologista Cristiana Silveira. A falta de contato diário com o sol pode reduzir os níveis de vitamina D no organismo. “A recomendação é tomar sol nas janelas e varandas. Se a pessoa for grupo de risco, como gestantes e idosos, e principalmente os acamados ou crianças pequenas, podem aumentar a ingestão de alimentos ricos em vitamina D ou usar suplementos dela se os níveis estiverem muito baixos”, recomenda.

12- Mãos

O uso excessivo de álcool em gel resseca a pele, gera micro rachaduras e pode evoluir para ferimentos. Se a pessoa tiver tendência a alergias, os quadros são ainda mais perigosos. O ideal é usar sabonetes infantis, que agridem menos a pele, e aplicar hidratante com frequência. Usar álcool em gel e depois cozinhar também é perigoso: ele demora para evaporar e, se for exposto a uma fonte de calor, pode queimar a pele. A aplicação de água sanitária é altamente recomendada para desinfetar a casa, mas ela deve ser sempre diluída em água antes de ser usada. Além disso, o ideal é manuseá-la com luvas. “É um agente que possui um poder irritativo maior que o álcool em gel. O ideal é que a água sanitária não tenha nunca contato com a nossa pele”, explica a dermatologista.

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