Quase 3 mil focos de queima foram registrados na Bahia em 2020, segundo o Inpe

Outros 13 incêndios florestais aconteceram no estado em 2020; fogo em Barra ainda está em combate

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  • Daniel Aloísio

Publicado em 23 de setembro de 2020 às 05:15

- Atualizado há um ano

. Crédito: Foto: Divulgação/SSP

Historicamente, na Bahia, setembro é o primeiro mês do período de maior incidência de incêndios, que vai até dezembro e coincide com o período de poucas chuvas. Ainda assim, de 1º de janeiro até o dia 22 desse mês, quase 3 mil focos de queima foram registrados no estado, segundo os dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Outros 13 incêndios florestais ocorreram, cinco destes ainda em combate nas cidades de Barra, Buritirama, Cocos, Luiz Eduardo Magalhães e Correntina, todas do oeste da Bahia, segundo a Secretaria estadual do Meio Ambiente (Sema). 

A cidade com mais fogo registrado é Formosa do Rio Preto, com 291 focos, ou 10% do total registrado na Bahia. Ela está na liderança, seguida por outras 10 cidades que também estão localizadas no oeste baiano. "A região da Chapada e do Oeste baiano são as duas que concentram a maior quantidade de focos de calor. Aliado a isso, tem uma grande quantidade de matérias seca. Sem chuva, temperatura alta e focos de calor é um ambiente propício para o fogo”, explicou o secretário da Sema, o engenheiro agrônomo João Carlos Oliveira da Silva.   As 11 cidades com mais focos de queima ficam no oeste da Bahia (Infográfico: Inpe) Segundo o Inpe, as contagens de focos de queima são indicadores da ocorrência de fogo na vegetação e permitem comparações temporais e espaciais. Uma queimada pode abranger vários focos de queima, a depender do seu tamanho. Em nota, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semmarh) de Formosa do Rio Preto informou que tem monitorado a situação de queimadas no município.

"O grande número de focos de incêndios florestais registrados anualmente ocorre devido a diversos fatores: pelo fato do Formosa do Rio Preto ser o maior município em extensão territorial da Bahia, o período seco se intensifica entre os meses de agosto a outubro, possuir muitas áreas com cerrado nativo, cuja vegetação rasteira e seca nesta época do ano facilitam a propagação do fogo; cultura local das comunidades tradicionais e de muitas famílias de pequenos agricultores que colocam fogo, principalmente nesta época do ano, para renovar as pastagens", disse um trecho da nota. (Confira a nota completa no final do texto).  

A Secretaria de Meio Ambiente do estado destacou que as queimadas também são diferentes de incêndios florestais.  “A queimada é uma antiga prática florestal que utiliza o fogo de forma controlada para viabilizar a agricultura ou renovar as pastagens. Já o incêndio florestal é o fogo sem controle, que incide sobre qualquer forma de vegetação, podendo tanto ser provocado pelo homem (intencional ou negligência), quanto por uma causa natural, como os raios solares, por exemplo”, explicou a assessoria.  Incêndio  Ainda não foram identificadas as causas do incêndio registrado em Barra, que já consumiu, pelo menos, mais de 30 hectares de vegetação caatinga, o que seria equivalente a 30 campos de futebol, segundo o prefeito da cidade, Deonisio Ferreira de Assis. No entanto, com o fogo ainda não foi totalmente combatido, a área destruída deve ser bem maior. Um número oficial deve ser divulgado nos próximos dias.  “O local atingido fica na zona rural, principalmente na localidade de Poço Novo. É um espaço pouco habitado, não tem muitas fazendas, mas tem pequenos proprietários, pessoas que vivem da agricultura familiar e extração de mel. Não tivemos registros de pessoas que precisaram abandonar suas casas ou mesmo de que ficaram feridas. A fumaça não atingiu a zona urbana do município”, explicou o prefeito de Barra, cidade de pouco mais de 50 mil habitantes.  Deonisio também explicou que os incêndios em Barra, como em toda região oeste, são comuns. No entanto, essa foi a primeira vez que o fogo atingiu essas proporções. Para o combate, a brigada de incêndios da região e agentes do Corpo de Bombeiros estão no combate. Duas aeronaves com sistema de lançamento de água foram enviadas pelo Instituto Do Meio Ambiente E Recursos Hídricos (Inema) e está combatendo o fogo nas áreas de difícil acesso. 

“Estou em contato com o secretário estadual de meio ambiente, que nos disponibilizou outras aeronaves, caso venha a ser necessário. Nossa expectativa é que o incêndio se encerre nos próximos dias”, disse o prefeito. O secretário João Carlos Oliveira confirmou o contato com a prefeitura e destacou que o incêndio criminoso é passível de punição, conforme previsto na Lei de Crimes Ambientais. As penalidades vão desde a reclusão, que varia de seis meses a quatro anos ou à aplicação de multa. “O Inema publicou uma portaria no dia 21 de agosto de 2020, proibindo a queima controlada até o fim do ano, para evitar que elas saim do controle e se tornem incêndios. No caso de Barra, se for identificado que o fogo veio de uma queima controlada, o infrator pode ser responsabilizado”, disse o secretário.  Em nota, o Corpo de Bombeiros disse que os bombeiros especialistas em incêndios florestais estão desde o último sábado (19) no combate ao fogo, logo que foram acionados. “O clima é um dos fatores que influenciam os incêndios florestais. Nesta época do ano, as condições meteorológicas ficam mais propícias a potencializarem a ação das chamas, mas segundo dados estatísticos obtidos em literaturas sobre o tema, estima-se que cerca de 95% dos incêndios florestais, têm relação com a ação humana. Se cada um colocar em prática a prevenção, o incêndio será evitado ou controlado com maior eficácia”, disseram.   Bombeiros e brigadistas lutam para apagar incêndio em Barra (Foto: Reprodução/TV Bahia) Pantanal  O incêndio florestal que atinge o oeste da Bahia acontece ao mesmo tempo que o Pantanal sofre com o fogo. Lá, mais de 2,9 milhões de hectares da vegetação foi queimada, segundo o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais. É pensando no prejuízo ambiental que 25 voluntários da Brigada de Resgate Ambiental de Lençóis, que atua na Chapada Diamantina, querem ir até o local para atuar na região.  

Eles estão arrecadando fundos que possa custear a viagem. “Nós precisamos arrecadar R$ 960 mil para ficar 30 dias em campo. Mas o nosso plano é de que, quando arrecadarmos R$ 40 mil, vamos partir cobrindo os custos restantes com a nossa finança pessoal, enquanto as outras equipes continuarão tentando arrecadar mais recursos”, conta o coordenador do grupo, Augusto Galinares.   A equipe possui 25 anos de experiências em mais de 450 combates a incêndios florestais. “Somos um dos primeiros grupos do estado focado no combate noturno, que vai da 16h até 6h da manhã. Esse é o horário que se tem mais facilidade para vencer o fogo”, disse Galinares.

 Um dos incêndios que a brigada já atuou foi o que atingiu a Chapada Diamantina em 2015.  “Foi mais de um mês de combate e foi preciso que a gente fosse sustentado pela sociedade”, lembra. Agora, a equipe já conseguiu juntar cerca de R$ 9 mil. Para  ajudar, entre em contato pelo telefone (75) 99891-0904 ou o Instagram @brigadabralchapada.

Confira a nota completa da Prefeitura de Formosa do Rio Preto:A Secretaria Municipal do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semmarh) de Formosa do Rio Preto tem monitorado a situação de queimadas no município. O grande número de focos de incêndios florestais registrados anualmente ocorre devido diversos fatores: pelo fato do Formosa do Rio Preto ser o maior município em extensão territorial da Bahia, 15.634,328 km², logo o número de focos tende a ser maior que outros municípios;  o período seco se intensifica entre os meses de Agosto a Outubro, com a redução drástica da umidade relativa do ar associada a altas temperaturas configurando um estado de alerta a saúde e ao aumento de queimadas; possuir muitas áreas com cerrado nativo, cuja vegetação rasteira e seca nesta época do ano facilitam a propagação do fogo; cultura local das comunidades tradicionais e de muitas famílias de pequenos agricultores que colocam fogo, principalmente nesta época do ano, para renovar as pastagens.

Vale lembrar que o estado autoriza a queima controlada dos resíduos de desmatamento regular, licenciados também na esfera estadual, por isso, parte dos focos do período anterior ao mês de Agosto podem estar relacionada a isso.

Observa-se que em 2020 ocorreram próximo à sede alguns focos de queimadas no mês de agosto e setembro, no entanto, as áreas extensas de vegetação nativa e a maior parte está localizada distante da cidade, muitas vezes em locais de difícil acesso. Mesmo assim, o número de focos de queimadas em setembro, segundo o banco de dados de queimada do site do INPE, está menor, proporcionalmente ao território, em comparação a outros municípios e em relação a anos anteriores. 

O município só conta com uma brigada voluntária, mas está em trâmite a criação do Programa Formosa sem Fogo. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente também realiza ações de conscientização com palestras nas comunidades rurais, nas escolas (antes da pandemia), campanhas educativas na rádio local e redes sociais, fiscalização e autuações e criou a lei municipal nº 258, de 4 de agosto de 2020, proibindo as queimadas nas vias públicas e no interior de imóveis localizados na zona urbana do município.

* Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro