Quase metade dos baianos compra mais pela internet nos últimos meses

coronavírus
27.07.2020, 05:00:00
Atualizado: 27.07.2020, 17:19:31
(Foto: Shutterstock)

Quase metade dos baianos compra mais pela internet nos últimos meses

Conheça cinco 'gatilhos' que estimulam o consumidor a comprar mais pelas plataformas digitais

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Quase metade dos baianos –48,5% – compraram mais pela internet nos últimos meses, apesar das dificuldades econômicas que foram trazidas pela pandemia. Os números são de um levantamento feito pela startup de gestão de finanças pessoais, Mobills, que ouviu entre os dias 2 e 13 de julho dois mil usuários da plataforma sobre como estão as suas finanças pessoais nesse momento de crise.

Os gastos maiores com as compras online acontecem ao mesmo tempo, em que, 51,5% destes consumidores ainda enfrentam dificuldades financeiras impostas pela crise provocada pelo novo coronavírus. De acordo com a fintech, dos 100 baianos que participaram da amostra da pesquisa, 9,1% tiveram as suas receitas totalmente perdidas e 42,4% parcialmente reduzidas.

“Durante esse período de pandemia e quarentena foi preciso que as empresas se reinventassem para atrair clientes”, conta o presidente da Mobills, Carlos Terceiro. 

“As promoções atuaram como um gatilho de vendas para o consumidor”, analisa. Entre as categorias que mais se destacaram entre os que compraram online desde o início do isolamento social estão Eletrodomésticos (23%), Eletroeletrônicos (23%), Supermercado (22%), Livros (18%), Roupas Casuais (13%), Material de construção e/ou decoração (13%), Games para jogar online e/ou videogames (11%) e beleza e autocuidado (11%). 
 

Monitoramento 
O técnico em Informática, Jackson Almeida, gastou 20% a mais, principalmente com delivery. “Até tento fugir, mas promoções em redes alimentícias me seduzem. Gastei  com serviços de delivery, sempre com lanches e comidas que substituíram o lazer tradicional de ir em um restaurante ou pizzaria”.

Jackson precisou monitorar todos os gastos para conseguir resistir às promoções 
(Foto: Acervo pessoal)

No início da pandemia, a esposa de Jackson perdeu o emprego. Ele teve o tíquete-alimentação suspenso e o salário reduzido. O susto na fatura do cartão de crédito só não veio, porque ele manteve a disciplina. “Tive que cancelar gastos no cartão de crédito, renegociar empréstimos, diminuir uso de ventilador, retirar da tomada aparelhos para economizar em despesas como energia, por exemplo”. 

Quem não foi bombardeado por ofertas por todos os lados, simplesmente por acessar um perfil de rede social? É aí que mora o risco, principalmente em momentos de ansiedade, solidão e angústia. É o que reforça a especialista em Economia Comportamental e sócia da consultoria InBehavior Lab, Flávia Ávila.

“Quando vemos constantemente ofertas com os quais nos identificamos, essas informações ficam mais latentes no nosso pensamento, o que pode gerar uma falsa sensação de que necessitamos daquele produto”.  

A educadora financeira comportamental e criadora do canal Doutora Finanças (@doutorafinancas), Meire Cardeal, concorda: “o ponto de partida é o orçamento, que deve ser revisitado, no mínimo, semanalmente”.

Para o planejador financeiro certificado pela Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar), Thiago Sampaio, o ideal é definir metas ou fazer projeção dos gastos. “O alerta tem que está ligado constantemente”, complementa.  


DICA DA SEMANA: CINCO GATILHOS QUE FAZEM GASTAR MAIS NAS COMPRAS PELA INTERNET

Viés da escassez Segundo a especialista em Economia Comportamental e sócia da consultoria InBehavior Lab.Ofertas, Flávia Ávila, apelos do tipo “temos poucas unidades” ou “somente hoje” geram nas pessoas a sensação de escassez, ou seja, que se não comprarem o produto naquele momento o produto, ou a promoção, podem acabar. “Isso faz com que a pessoa tome decisão de maneira emocional e impulsiva”, afirma. 

Aversão a perda Muitas ofertas que trazem dizeres como “Você não pode perder” ou “Não perca essa chance” podem ativar a sensação de que se a pessoa não consumir ela pode se arrepender depois por ter perdido a oportunidade. 

Viés do presente Quando a oferta fomenta que a próxima leva do produto pode demorar para chegar ou que dizem que o produto chegará na sua casa em dois dias tudo isso a preferência de poder usufruir dos benefícios de algo de forma imediata, como destaca a especialista “Assim, fazemos a compra para garantir que não teremos que esperar mais tempo”, pontua. 

Prova social Outra estratégia é fazer repost de fotos de clientes utilizando um produto da loja e divulgar comentários. “É um gatilho que faz com que a gente também queira ter acesso aos produtos e fazer parte desse grupo”, completa Flávia Ávila. 

Ancoragem Estas são ofertas que mostram o valor original do produto e o valor promocional, o que faz o consumidor equacionar melhor, quanto de dinheiro deixou de perder se fizer a compra naquele momento. “E mais uma vez, para não perdermos a oportunidade acabamos comprando o produto”. 

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