'Quem manda no Vitória sou eu', diz Paulo Carneiro ao falar de repasse da CBF

e.c. vitória
16.06.2020, 15:58:00
Atualizado: 16.06.2020, 16:04:08
Paulo Carneiro comanda o Vitória desde abril do ano passado (Arisson Marinho/ CORREIO)

'Quem manda no Vitória sou eu', diz Paulo Carneiro ao falar de repasse da CBF

Presidente do Leão justificou o motivo de não ter destinado o auxílio da entidade para o time feminino

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

O presidente do Vitória, Paulo Carneiro, voltou a falar nesta terça-feira (16) sobre a decisão do rubro-negro de não ter repassar às jogadoras o valor de R$ 120 mil concedido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aos times que participam da Série A1 do Brasileirão feminino. O aporte foi feito com o objetivo de ajudar as agremiações com pagamento e manutenção das atletas durante a pandemia de covid-19.

Em entrevista à Rádio Sociedade, o dirigente do Leão falou que “o futebol feminino tem apelo demagógico” e que não tem previsão de repassar o valor para as atletas. “Eu vou pagar quando eu quiser, quando achar que devo. O caixa do Vitória é único, não é convênio público”, bradou. 

O CORREIO já havia relatado a situação do time feminino no mês passado, no dia 21 de maio, assim como outros veículos da imprensa. Naquela ocasião, algumas jogadoras já haviam denunciado o descaso do clube em relação ao assunto. ““Ninguém recebeu nada e não falaram nada. Primeiro, eles falaram que iriam pagar no final de abril. Depois, no início de maio. E não tem um centavo nas contas até o momento. Não entrou nada e eles nem sequer justificam”, afirmou uma jogadora que preferiu não se identificar. 

Paulo Carneiro aproveitou o momento e falou sobre as denúncias das atletas. “Eu tô me lixando para as denúncias anônimas. Denúncia anônima não tem credibilidade, não vale nada”. Depois, justificou afirmando que entrou no Vitória com o clube cheio de dívidas e não teria obrigação de repassar o valor da CBF no momento.

“O Vitória na hora certa que tiver a prioridade vai pagar. Enquanto não tiver não paga e ponto final. O fato de ter mandado pra isso ou pra aquilo não me tira o direito de eu saber o que é bom para o meu clube. Não é a CBF que paga as contas do Vitória. Eu tomo as decisões e não adianta. Podem ficar esperneando até amanhã de manhã, porque quem manda no Vitória sou eu”, declarou Paulo Carneiro. 

Ainda em maio, a CBF informou ao CORREIO que não pode interferir na administração das agremiações. “Os clubes das séries A1 e A2 do Brasileiro Feminino receberam da CBF auxílio financeiro emergencial para cumprirem suas obrigações relacionadas à modalidade, especialmente, para assegurar o pagamento e manutenção das atletas. O cálculo foi feito pela média dos salários registrados das atletas para as competições que disputam. Porém, a entidade não tem ingerência na administração interna dos clubes”, explicou a entidade em nota enviada pela assessoria de comunicação. Depois das declarações recentes de Paulo Carneiro, no entanto, o comitê de ética da confederação foi acionado para avaliar a situação. 

Único clube da Bahia na primeira divisão, o Vitória está representado pela equipe sub-17 no Brasileiro, ainda não pontuou e ocupa a penúltima colocação após cinco rodadas. O campeonato está suspenso por causa da pandemia do novo coronavírus. Vice-campeão brasileiro da Série A2 em 2018, o rubro-negro reduziu os investimentos na modalidade após a queda do masculino para a Série B, que pôs o clube em crise financeira, e desmanchou o time adulto feminino no final de julho do ano passado.

O CORREIO apurou que o Vitória ainda estava devendo o salário do mês de julho de 2019 às atletas desse elenco desfeito e que usou parte do auxílio emergencial enviado pela CBF para quitar essa dívida, cujo valor total era entre R$ 20 mil e R$ 25 mil. No entanto, quem ainda está na Toca não recebeu nenhum benefício financeiro, a exemplo das quatro jogadoras do antigo grupo, que seguem no clube por estarem se recuperando de lesão. Elas estão sem salário, que varia entre R$ 600 e R$ 1,3 mil, desde agosto do ano passado. Uma delas, precisa passar por cirurgia e ainda não teve o procedimento aprovado pela diretoria do Vitória. 

Vale lembrar que, ainda durante a campanha para voltar ao comando do Leão, o presidente Paulo Carneiro, que já está no novo mandato há pouco mais de um ano, afirmava que as mulheres não deveriam jogar no Barradão. "A primeira coisa que vou fazer [se eleito] é tirar o futebol feminino de lá. Porque não é lugar... Ou joga futebol masculino ou joga futebol feminino, tem que ser em lugares diferentes", disse ele em entrevista ao canal Bar FC, no YouTube.

Há dez dias, sócios e conselheiros da Frente Vitória Popular (ECV Popular) lançaram o projeto ‘Eu Apoio as Leoas’, que tem como objetivo arrecadar fundos para apoiar o futebol feminino do clube. O dinheiro, a ser dividido entre as 27 atletas do plantel atual que deve disputar a Série A1, virá através da venda de camisetas com temas relacionados ao Leão.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas