Reprograme sua mente para o mundo digital 

agenda bahia
04.11.2018, 06:00:00
Atualizado: 04.11.2018, 11:05:03
Mudar a mentalidade e abrir a cabeça para a inovação ajudam a perder o medo da tecnologia (Morgana Lima)

Reprograme sua mente para o mundo digital 

Especialistas explicam o 'mindset' da nova era

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Quem vê crianças pequenas deslizando os dedinhos com destreza pela tela dos smartphones em busca dos seus desenhos animados preferidos, pensa que essa nova geração nasceu mais inteligente do que as precedentes. No entanto, para Eduardo Endo, mestre em Inteligência Artificial, a questão é menos de prodígio e mais de contexto. 

Endo, que estará em Salvador na quarta-feira, 7, para o Seminário Humanize[se], evento que encerrará o Fórum Agenda Bahia 2018, afirma que a geração Z não é mais inteligente do que a X, só está adaptada ao universo digital. Até porque, já chegou nesse  mundo conectada.

Para quem entrou algumas décadas antes na festa, o conselho do especialista vai além de adquirir todas as engenhocas que a tecnologia pode providenciar. É preciso observar, compreender e exercitar a empatia:

“Não é só tecnologia. A tecnologia está em volta e não dentro das coisas, ela facilita, mas não resolve o mundo, quem resolve o mundo são as pessoas. E o mundo está mudando, o modelo é digital e se a gente não se transformar, fica para trás”, adverte.

Nesse sentido, embora não faça milagres, a tecnologia serve para aproximar as gerações, fazendo com que os nativos e os migrantes digitais, em vez de se estranharem, se entendam e juntos, criem os novos contextos onde a inovação é um impulso alimentado - e que retroalimenta -  todo conhecimento que a humanidade já conseguiu reuniu até aqui. 

Eduardo Endo

Evolução e educação

Conrado Schlochauer, que também participará do Seminário Humanize[se], onde fará a palestra Pensamento exponencial: Uma visão Humana e participará do debate Humanize[se]: Como homem e máquina podem andar juntos na nova era tecnológica?, sugere que, para reconfigurar o mindset (mentalidade) e viver a era digital com menos angústia, é preciso estar disposto a aprender para o resto da vida.

“Minha sugestão para refocar o aprendizado, refocar o mindset, tem a ver com assumir que o aprendizado ao longo da vida é algo fundamental e vai ter de acontecer não só em cursos, mas de maneira cotidiana, rotineira, em aspectos formais e informais. A angústia para mim tem a ver com um pouco de medo. A angústia é da gente estar travado, não conseguir tomar decisões e se fechar”, afirma. 

O embaixador da Singularity University no Brasil faz ainda um convite para que as pessoas nunca deixem de ser curiosas: “É preciso ter o olhar do antropólogo, que observa o que está acontecendo sem fazer julgamentos. Quanto mais a gente tiver esse olhar de antropólogo, esse olhar interessado e curioso, melhor”.

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Revolução exponencial

Em sua palestra, Schlochauer vai abordar o pensamento exponencial e global. Ou seja, abrir a mente para a ideia de que as mudanças agora ocorrem muito mais depressa do que há 50 anos e que, portanto, não cabe mais olhar a vida e as transformações no mundo de forma linear e local.

Educar-se para os novos tempos, no entanto, ainda é um desafio. Na verdade, para Conrado Schlochauer são dois desafios: um da educação e um da aprendizagem.

“O desafio da educação tem a ver com criar um novo modelo. A gente não pode jogar fora o modelo tradicional de escolas sem ter um novo modelo. E criar um novo modelo que seja possível de ser disseminado para toda a população. Uma coisa é fazer o homeschooling (educação escolar em casa) com um grupo de pessoas, outra coisa é fazer uma iniciativa sem professores em uma graduação, como está acontecendo na França agora, isso é uma coisa. Agora, qual é o novo modelo que permite educar um bilhão de crianças de maneira contínua, com um curso adequado?”, questiona.

O segundo desafio envolve a postura de cada um, individualmente, e a coletiva. Desenvolver a capacidade de aprender por toda a vida  é uma forma de driblar a velocidade com que o mundo muda na era digital. No entanto, "é  preciso se liberar e se tornar  auto dirigível". E, se possóvel,  buscar ambientes e métodos menos formais.  

Alessandra Terumi

Para ativar a criatividade

Como entender a própria criatividade e exercitá-la no dia a dia, tomando maior consciência dos processos e gatilhos que acionam o arsenal das boas ideias? Para responder essa pergunta, Alessandra Terumi, mestre em MBI pela NHTV University, vai conduzir a oficina Criative[se], no Seminário Humanize[se]. 

“Nossa criatividade é ilimitada, precisamos conseguir acessá-la e aplicá-la com mais consciência para abordar nossos desafios atuais com novas formas de pensar”, afirma Alessandra, que vai usar o conceito Imagineering para propor as atividades da oficina.

O Imagineering, explica a especialista, é um conceito mundialmente conhecido porque a Disney o utiliza em seus departamentos de criação, design e projetos dos parques temáticos. O conceito, no entanto, foi identificado pela primeira vez nos anos 1940, na Alcoa, que buscava o desenvolvimento de um programa para explorar novas aplicações e novos usos para o alumínio. 

“É uma metodologia de inovação através da experiência. O foco é o desenvolvimento de iniciativas que visam a relevância para a sociedade por meio da inspiração a um comportamento coletivo desejado”, acrescenta Alessandra Terumi.

Os benefícios para quem é treinado no método é tornar-se capaz de cocriar uma cultura de inovação e novos modelos de negócios, entre outros. “As organizações que trabalham com Imagineers (nome dado a quem se habilita no método) têm o benefício de ter um profissional especialista em transformação, processo criativo, inovação e cocriação. Isso traz novas perguntas e diferentes respostas aos desafios que estamos enfrentando atualmente”.

Do ponto de vista do mercado, o Imagineer pode ser contratado por qualquer tipo de organização que esteja aberta às novas perspectivas e à transformação. 

“O Imagineer fomenta o pensamento criativo e o comportamento colaborativo, iniciando um processo engajador. Ele pode atuar como consultor, educador, facilitador, designer de conceitos e identidade, por exemplo”, enumera a especialista.

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Para perder o medo de mudar

Mais do que ensinar fórmulas prontas, a oficina O Mundo mudou. E você?, que será comandada pelo diretor dos MBAs da FIAP (Faculdade de Informática e Administração Paulista), Eduardo Endo, no Seminário Humanize[se], será uma proposta de provocação para que os participantes, ao sair da atividade, encarem as mudanças que estão ocorrendo no mundo com menos medo e mais espírito inovador.

“Muito se fala que o mundo está mudando, mas ele sempre mudou, desde a Revolução Industrial. Só que agora é mais rápido por conta das tecnologias digitais. A tecnologia é o meio e não a resolução dos problemas. As pessoas estão se transformando e com isso produtos, serviços, tudo precisa se transformar”, diz Eduardo. 

O especialista lembra que, ainda hoje, empresas e empreendedores criam produtos e soluções olhando para a própria geração. Mas, segundo ele,  é preciso saber como pensam as pessoas das gerações Y e Z, que englobam os nascidos no final dos anos 1980 (os millenials) e aqueles que já vieram ao mundo na era digital, a partir da segunda metade dos anos 1990.

“Aquilo que as pessoas consideram importante também mudou, assim como mudaram os comportamentos. Antes, por exemplo, as pessoas não consideravam importante que as empresas fossem sociais, ecológicas. Agora elas se importam”, lembra Eduardo.

Para ilustrar, ele cita o exemplo da Adidas, que fez uma parceria com uma ONG que recolhe plástico dos oceanos, reciclou esse plástico e usou para fazer tênis. “A marca vendeu um milhão de pares em uma semana, pelo valor da sustentabilidade agregado”.

Para Eduardo Endo, reconfigurar a mente e se adaptar aos novos tempos tem menos relação com o uso da tecnologia em si e mais com o contexto e a experiência diante da transformação do mundo. “A tecnologia não resolve o mundo, ela é um meio”, afirma.

Propostas para reconfigurar a mente:

Eduardo Endo

“Grandes executivos e designers devem olhar para quem estão criando e olhar o que tem no mundo, não olhar apenas para a inteligência artificial embutida nas coisas. O modelo está mudando, as verdades universais estão mudando e as novas gerações estão inseridas nesse contexto, aprender com as novas gerações é o caminho, através da empatia e observação”.

“A geração X pensa em segurança para ser feliz, a Z em aventura e em descobrir o novo, o que é diferente. Você vê propaganda de banco com família, casa e carro, segurança, nunca colocam um cara escalando uma montanha. Mas o cliente Z quer dinheiro para fazer intercâmbio, ver o mundo, aprender, ele não vai tomar empréstimo e se endividar paa comprar casa e carro ou ter seguro de vida”.

Conrado Schlochauer

“Não sei qual é o formato da escola do futuro. Mas acho que a gente tem de ter mais autonomia, mais capacidade de resolver problema e menos capacidade de memorizar e decorar.  Acho que o aluno tem de ser mais dono do processo, que idealmente a gente tem de ter mais vínculo com a realidade, mas eu não acho que esse modelo está pensado ainda”.

“O desafio da aprendizagem, especialmente da aprendizagem ao longo da vida é ver o que fazer com as pessoas que tem de 25 a 30 anos para a frente, que têm um modelo de aprendizagem vinculado ao processo educacional clássico. É preciso se liberar e, basicamente, se tornar mais auto dirigível. Além de buscar ambientes informais”.

O Fórum Agenda Bahia 2018 é uma realização do jornal CORREIO, com patrocínio da Braskem, Sotero Ambiental e Oi, apoio institucional da Prefeitura de Salvador, Consulado Geral dos EUA no Rio de Janeiro, Federação das Indústrias da Bahia (Fieb) e Rede Bahia; e  apoio do Sebrae e da VINCI Airports.

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