Sollares: festival de música eletrônica é acusado de virar arena de furtos

salvador
06.12.2021, 21:47:00
(Reprodução )

Sollares: festival de música eletrônica é acusado de virar arena de furtos

De acordo com as denúncias, as ações teriam sido, em sua maior parte, realizadas pelos próprios seguranças do evento

Expectativa: sair de casa para curtir uma balada tão esperada após quase dois anos de pandemia e medidas restritivas. Realidade: muita chuva, preços altos, do ingresso aos itens de consumo, e uma onda de furtos e roubos. É este o retrato denunciado por diversas pessoas que participaram da festa privada Sollares, um festival de música eletrônica, no último sábado (4), em Salvador. Dois dias após o evento, relatos de “assaltos” têm se avolumado no perfil da festa no Instagram. De acordo com as denúncias, as ações teriam sido, em sua maior parte, realizadas pelos próprios seguranças contratados para trabalhar no evento.

“Rapaz, muitas pessoas furtando, dando ‘baculejo’ nas pessoas para ver se tinha algo no bolso e se tivesse eles davam um jeito de levar! Roubo e tráfico o tempo inteiro, foi isso que eu vi. Não pude nem curti direito o evento por conta dessa situação, 'um olho no padre e o outro na missa' pra não sair de lá sem meus pertences!!”, escreve um participante. 

Outra desabafa: “Um absurdo . Vários amigos assaltados dentro de uma festa privada, onde a segurança deveria ser levada a sério pelo preço absurdo  que se paga no ingresso”.

Em resposta, o perfil do evento garante já estar em contato com as pessoas que reclamaram de furtos para que estes sejam averiguados juntos à polícia. 



Também no Instagram, o estudante de administração, Juan Lopo, manifestou insatisfação com as condições de segurança do evento. Em um vídeo público, ele conta que teve seu celular furtado enquanto filmava uma das atrações. “Como é que uma festa que já tem uma cultura tão famosa deixou acontecer isso? Como é que não tem segurança? Como é que tem tanto roubo, assalto? Roubaram o meu celular. Roubaram eu filmando o palco. Meteram a mão e levaram meu celular embora. O que é isso?”, questiona.



O CORREIO teve acesso a um diálogo entre uma mulher que esteve na festa, mas que não quis se identificar, com um dos organizadores do evento, identificado como Rodrigo Bouzon. Nas redes sociais, um dia após a realização da Sollares, Bouzon publicou fotos do evento e citou a chuva, celebrando o fato de, mesmo tendo sido um dos dias mais chuvosos da capital baiana neste ano, o festival permaneceu com uma “vibe intacta”. 

Questionando se é “normal” a ocorrência de furtos em festas cometidos pelos próprios seguranças, Bouzon pondera, afirmando que ele mesmo já teria sido furtado em um outro grande evento de música no Brasil, além de já ter presenciado um bombeiro cometendo este tipo de crime. "Eu já presenciei bombeiro furtando uma pessoa em um evento. Segurança aborda pessoas pegar droga e depois ele mesmo vende", diz o organizador do evento na conversa.

“Não houve nenhum assalto dentro do evento. Houve furtos. Que é normal em qualquer evento que você for no Brasil”, diz Bouzon em um trecho da conversa. A jovem também teve o celular furtado. 

“Depois dessa palhaçada que você fez na sua mídia social, fique à vontade pra resolver seu problema sozinha. Estou conversando com seu amigo desde ontem, estou falando com você o dia todo, me propus a te ajudar mesmo sem precisar, pra você me expor dessa forma?”, continua o organizador.

Durante a apuração desta matéria, a reportagem entrou em contato com a Polícia Civil para averiguar se houve contato dos organizadores ou de pessoas presentes no festival, mas não obteve resposta. Rodrigo Bouzon também foi procurado através da sua conta no Instagram na noite desta segunda-feira (6), porém não respondeu. 


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