Soteropolitanos reclamam de nova interdição nas praias: 'Um exagero'

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29.09.2020, 21:52:00
Atualizado: 29.09.2020, 22:28:33
((Foto: Nara Gentil/CORREIO))

Soteropolitanos reclamam de nova interdição nas praias: 'Um exagero'

Piatã, Cantagalo, Boa Viagem e Amaralina ficarão fechadas por sete dias; Guarda Municipal promete fiscalização intensa

O CORREIO foi às praias afetadas pela interdição temporária da prefeitura de Salvador para ver o movimento no dia da despedida e ouvir os banhistas sobre o novo fechamento. A maioria não reagiu bem ao saber do decreto que interdita Amaralina, Piatã, Boa Viagem e Cantagalo a partir de quarta-feira (30).

Contrariados, os banhistas discordaram da decisão e afirmaram acreditar que a medida é um exagero, mesmo que o fechamento seja somente por uma semana. Segundo o prefeito ACM Neto, outras praias também podem ser interditadas caso mais restrições sejam desrespeitadas.

Em dia livre para uso, estas regiões receberam um fluxo intenso de pessoas que aproveitaram a terça-feira ensolarada para tomar um banho de mar. Em Piatã, o movimento foi considerável, assim como nos últimos dias. Em Amaralina, apesar da ocupação numerosa, o fluxo de pessoas era inferior ao da segunda-feira, quando a praia lotou mesmo com a proibição de circulação no dia e precisou ser alvo uma operação da Guarda Civil Municipal (GCM). Já em Cantagalo e na Boa Viagem, o que se viu não foi apenas uma lotação de pessoas que - assim como em outros locais - não utilizavam máscara ou respeitavam o distanciamento social, mas também estavam sentadas em barracas e cadeiras de praia, o que está proibido no protocolo de reabertura do litoral soteropolitano e é umas da maiores preocupações da prefeitura.

Praia de Cantagalo estava cheia de barracas de praia durante esta terça (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

Banhistas contrariados

Muitos dos cidadãos não sabiam do decreto de interdição e ficaram chateados com a notícia. É o caso de Paulo da Silva, 50 anos, que está desempregado e até ouviu falar sobre, mas não sabia se a informação procedia e quais praias voltariam a ter circulação proibida. Para ele, que foi aproveitar em Piatã, a medida é exagerada e erra ao restringir a liberdade das pessoas. "Eu discordo totalmente da interdição porque esse tipo de atitude tira dos cidadãos a liberdade de fazer as coisas que fazíamos anteriormente e ainda nos culpa por isso. Existe um exagero geral ao lidar com essa situação", acha Paulo.

Quem também não gostou nada da notícia foi Maria Góis, 47. A professora também foi para Piatã e, ao saber que a praia estava entre as interditadas a partir de quarta-feira, não ficou nada contente e afirmou que as pessoas já não aguentam mais tantas restrições e que, por isso, cometem excessos. "Eu acho que todo mundo já está cansado de tanto tempo ficando em casa e não aguenta mais ter que obedecer tudo isso e passam do ponto na hora de aproveitar. Mas acho que é um exagero fechar as praias e deixar abertos outros pontos como cinema e shopping, por exemplo. Isso só faz com que o povo descumpra as leis ainda mais", declara.

Piatã teve fluxo considerável durante o dia (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

Um banhista, que não quis se identificar, na Praia de Amaralina também discordou da interdição, mas reconheceu que a situação na praia é problemática. Porém, ele acredita que o mal maior está nos calçadões e não na areia ou na água. "Eu não estava sabendo, mas eu lamento que isso tenha acontecido. Acho que, nas praias, não há muito perigo. Na areia mesmo, as pessoas estão distantes e respeitam. Mas, nos calçadões, é que está o verdadeiro problema. As pessoas ficam juntas e sem máscara ouvindo música e bebendo. Acho que isso que teria que ser resolvido. Não concordo em fechar as praias, mas vou respeitar porque é decreto, apesar de achar que pouca gente vai ficar sem ir à praia por isso", opina.

O motorista de aplicativo Valmir Martins foi na contramão da maioria dos entrevistados pela reportagem e afirmou que a ação da prefeitura é necessária. Valmir conta que costuma ver pessoas sem nenhum tipo de proteção e que ignoram a pandemia. "A galera abusa demais da flexibilização. Estou aqui há um tempo já e ninguém coloca a máscara. Eu estou sozinho, mas a maioria das pessoas vem e encontra outras e não respeita essas coisas de distanciamento. O fechamento é ruim porque a gente não vai poder vir ao mar, mas, com essa atitude das pessoas, é o certo", defende.

Apesar disso, o motorista também não crê que a medida tenha efeitos práticos. "Eles podem proibir, mas não conseguem evitar que as pessoas venham. É orla demais pra pouca gente fiscalizar. Mesmo sendo só quatro praias. Acho que não vai adiantar muita coisa", conclui.

Amaralina é uma das praias interditadas a partir desta quarta (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

Fiscalização

De acordo com o inspetor Marcelo Silva, da Guarda Municipal, a coordenação já está ciente sobre a possibilidade da população tentar acessar as quatro praias mesmo com o aviso de interdição. Para conter isso, ele conta que a guarda prepara uma logística e mobilização de agentes que vão impedir, através do diálogo, que os cidadãos estejam nesses lugares durante o período de fechamento. "A partir de amanhã, teremos equipes fixas nessas quatro praias para realizar uma fiscalização educativa e que lembre aqueles que possam tentar acessar a praia de que isto não pode ser feito e não será permitido. Além disso, teremos equipes dinâmicas que circularão entre esses lugares para apoiar em pontos mais críticos", informa.

O inspetor também disse ao CORREIO que esta ação se difere das últimas da guarda em que as pessoas eram retiradas da areia. Nesta, o objetivo é não permitir que sequer pisem na área restrita. "Caso seja necessário ir até a areia e fazer a varredura, faremos. Mas a ideia é estar presente para que a população não tenha o acesso. Vamos nos preparar para executar isso da melhor maneira possível e tornar essa operação bem sucedida", diz.

Durante esta terça-feira, a GCM, junto com a Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), que é responsável por instalar os bloqueios físicos para interdição, preparavam a logística da ação que fará com que as praias já amanheçam interditadas na quarta. 

*Sob orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

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