Tem medo de tabela? Veja como elas podem te ajudar a achar a resposta certa no Enem

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29.09.2021, 05:15:00
Atualizado: 29.09.2021, 15:31:32

Tem medo de tabela? Veja como elas podem te ajudar a achar a resposta certa no Enem

Professores dão dicas de como lidar com mais esse recurso na hora do exame

Para o estudante que senta na cadeira para prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), são muitas as questões que dão aquele frio na barriga bem no momento em que começam a ser lidas. E quando se trata daquelas que, além do enunciado, trazem uma tabela para ser analisada, o nervosismo pode ficar ainda maior. De acordo com professores que trabalham com a preparação de jovens para a prova, o receio de não conseguir extrair as informações mais importantes entre linhas e colunas, muitas vezes, impede os estudantes de ver o que, de fato, as tabelas são: instrumentos de organização que os colocam ainda mais próximos da resposta certa quando são corretamente relacionados ao enunciado.

É isso que garante o professor de Química Carlos Duplat. "Na realidade, eu costumo dizer para os meus alunos que, quando aparece uma tabela, eles precisam agradecer e não ficar assustados. Uma tabela organiza os dados e permite uma melhor visualização e comparação em relação a questões que só têm enunciado", fala o professor, salientando que conseguir relacionar as informações das tabelas com o enunciado é um desafio que até assusta, mas precisa ser superado para que o aluno não tenha sua média final prejudicada.

Relação com a tabela
Por um tempo, isso preocupou o estudante Isaac Lazzo, 21 anos, que quer fazer Medicina e não lidava bem com as tabelas. "No início da minha preparação, eu me assustava porque não estava tão habituado com o modelo de questões de tabela cobrado pelo Enem. E elas sempre carecem de mais atenção que as outras, pois têm informações cruciais e também desnecessárias que podem confundir o aluno e custar o acerto da questão", fala.

Isaac já teve dificuldades com questões que envolvam tabelas (Foto: Acervo Pessoal)

Para Isaac, essa dificuldade não é mais tão presente. Diferente de Rebeca Nascimento, 17, que também quer entrar para Medicina e acaba sofrendo para resolver perguntas com tabelas, principalmente, quando essas são da prova de Física. "Com relação à Matemática, é até um pouco tranquilo porque tem mais interpretação de dados. Só que, quando é Química ou Física, tenho dificuldade pra relacionar o enunciado com as tabelas e ainda acertar o cálculo que é necessário dentro da questão", relata. 

Mas nem só de sofrimento com a tabela o estudante é feito. Tem gente que se dá bem quando as questões vêm organizadas dessa maneira e acha até que fica mais fácil. Caso de Luís Filipe Ribeiro, 17. "Quando tem tabela, sempre fico feliz porque sei que, normalmente, é uma questão mais fácil de resolver e tenho mais material pra isso. Acho que nesse tipo de questão a gente não precisa quebrar tanto a cabeça pra elaborar e o trabalho é mais de analisar o que está colocado ali para responder", diz o estudante, que quer cursar Ciências Biológicas.

O estudante Eduardo Andrade, 17 anos, vai pelo mesmo caminho ao falar da sua relação com tabelas, que são, para ele, mais um elemento que é inserido no seu raciocínio para chegar na resposta.  "Não é o meu tipo de questão favorita, gosto mais quando vem com gráfico. Só que não tenho dificuldade também, lido bem com tabelas e sinto que me saio bem na maioria das vezes. Exceto, quando é Química", conta, aos risos. 

Eduardo costuma lidar com tabelas sem problemas (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

Onde é que tem tabela?
De acordo com Carlos Duplat, essa facilidade de lidar com as questões acompanhadas de tabela é essencial não só na Química, mas em toda a prova. Isso porque as tabelas podem estar presentes em questões de todas as quatro áreas de conhecimento como elemento organizador das informações. "Em Química, especificamente, há uma concentração em conteúdos que tenham características de substâncias. Você tem orgânica, sobretudo, na parte de petróleo, onde há uma relação com dados de temperatura de fusão e ebulição. Tem em eletroquímica, termoquímica com comparação de calores liberados na combustão de combustíveis e também em separação de misturas. São assuntos que o Enem aborda através de tabela com mais frequência", explica Duplat. 

Professor de Geografia efetivo do IF Baiano, Gedeval Paiva confirma que as tabelas podem estar em todas as áreas do Enem. No caso de Geografia, elas aparecem nos dois principais assuntos da disciplina. “Pode e deve aparecer tanto na Geografia física como na humana. Na primeira, que tem seus assuntos abordados no primeiro ano, cai a climatologia, a parte espacial com biomas brasileiros e produção agrícola. Na parte humana da disciplina, sempre há questões relacionadas à densidade populacional e divisão territorial, por exemplo”, conta Paiva.

Gedeval explica que tabelas também podem ser usadas em Geografia (Foto: Acervo Pessoal)

Na temida Matemática, não é diferente: as tabelas estão sempre presentes. Professor da disciplina, Joangelo Souza indica que elas podem aparecer em qualquer questão. "Como é uma linguagem que envolve números e operações, obviamente, a preparação cognitiva é importante porque questões com tabela ou gráfico são aproximadamente 24,3% das provas de Matemática e Ciências da Natureza. No contexto matemático, não há assuntos específicos para o uso dessa linguagem, todos são passíveis de cair desta maneira. E o aluno tem que saber extrair as informações fundamentais da tabela”, alerta. 

Na preparação
O que Joangelo informa não é uma boa nova para Isaac que, com o passar do tempo, aprendeu a lidar muito bem com as questões que vêm em tabela, mas não titubeia na hora de responder em qual disciplina esse tipo de linguagem é um desafio maior: “Em Matemática, com certeza. As questões de tabela em matemática tem um vasto campo de utilização, em inúmeros assuntos a tabela pode ser usada, como em estatística, matemática básica, funções, geometria e tantas outras. Por isso, essa variedade de possibilidades pode confundir e dificultar a vida”, diz o estudante, que não economiza nos estudos para estar pronto para esse e outros desafios da prova. 

Quem também não poupa esforços para fazer das tabelas um elemento positivo dentro da sua prova é Rebeca, o que a deixa confiante para enfrentar questões do tipo no dia do Enem. "De modo geral, acho que vai ser tranquilo porque na escola tenho visto muitas questões assim que, querendo ou não, são um treino que pode me ajudar. E, pra me preparar, ainda faço várias questões por fora de diferentes matérias que eu possa ter dificuldade, pergunto para professores e ainda vejo, na Internet, outras pessoas resolvendo e comentando", conta. 

Rebeca aposta em treino e exercícios para não ter as tabelas como um problema (Foto: Acervo Pessoal)

Além da preparação, Luis Filipe aposta no foco total para não cometer erros em questões mais simples para não ser punido pelo sistema que gera a nota do Enem. "Apesar de eu falar que sempre fico tranquilo, eu presto muita atenção porque, com tabela, um pequeno detalhe pode ser a diferença entre o certo e o errado até em questões fáceis. Então, fico muito focado nos eixos apresentados nas colunas e linhas, mas sem deixar de relacionar com o enunciado que é tão fundamental quanto e, muitas vezes, é meio que ignorado em questões como essa", afirma.

Luís Felipe quer usar o foco para não cometer erros bobos no Enem (Foto: Acervo Pessoal)

Como lidar?
Para potencializar o resultado da preparação e foco dos estudantes para lidar com as tabelas, quem mais entende do assunto dá dicas de como transformá-las em armas que atuem a favor dos jovens. Carlos Duplat alerta para a necessidade eliminar o preconceito com a tabela e se abrir para diferentes formas de linguagem. "Historicamente, os alunos apresentam um pouco de resistência a formas distintas de linguagem. E não pode ser assim porque tabela é um instrumento de consulta, que permite a comparação. Por isso, a dica que eu sempre dou é que ele faça relações entre as colunas e as linhas, dependendo de como elas se apresentarem, e, a partir daí, buscar na questão quais são informações que vai lhe dar as respostas", indica.

Já Gedeval Paiva, orienta os estudantes a não se prender ao que está dado, deixando de prestar atenção nos detalhes. "Para tabelas e gráficos em geral, é importante reforçar a atenção no momento de interpretação porque, geralmente, quando o Enem elabora a questão, ele exige duas coisas: conhecimento teórico do assunto e capacidade interpretativa daquilo que foi colocado. Isso porque, via de regra, a questão apresenta um dado muito evidente e nem sempre a questão está ligada ao que é óbvio. Então, quem vai com pressa, desatento, pode ser induzido ao erro", alerta. 

Joangelo Souza deixa uma dica antiga, mas que nunca perde valor na preparação para a prova. "É importante destacar a leitura de diferentes modos de linguagem. Se o estudante se coloca em posição de ler todo tipo de texto e extrair os pontos mais importantes disso, na hora de ver na tabela o que é ou não relevante, isso vai ser como mais um exercício que eles tanto fazem. Então, é bom ler, se expor a questões do tipo e outros textos 'normais' mais extensos que vão ajudar porque é mais exercício", conclui.

Canal reúne todos os simulados e videoaulas

O Revisão Enem é um projeto multiplataforma - impresso, digital e redes sociais - do CORREIO em parceria com o SAS, plataforma de educação, com o objetivo de auxiliar os estudantes no preparo para as provas.

O projeto traz conteúdos especiais com reportagens, artigos, dicas para a redação e de livros, filmes e séries que têm relação com o exame; além de estratégias de resolução de questões. Há também um canal especial que reúne todos os simulados e videoaulas para os alunos.

O Enem exige uma rotina intensa de estudos. Por isso, o CORREIO disponibiliza uma série de simulados interativos, com questões objetivas para os estudantes testarem os seus conhecimentos. Os alunos podem acompanhar semanalmente a resolução das questões, conferir os gabaritos e analisar seu desempenho, além de revisitar as questões no dia e na hora que quiserem.

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*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

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