Três pacientes morrem após nebulização com cloroquina no Rio Grande do Sul

coronavírus
25.03.2021, 08:13:55
Atualizado: 25.03.2021, 08:16:54
(Foto: AFP)

Três pacientes morrem após nebulização com cloroquina no Rio Grande do Sul

'Indícios apontam que método está contribuindo para piora do quadro de saúde', disse diretor-técnico do hospital

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Quatro pacientes passavam por um tratamento experimental - e sem eficácia comprovada - à base de nebuliozação com hidroxicloroquina. Desses, três morreram nesta semana em um hospital de Camaquã, no Rio Grande do Sul. A instituição investiga os casos.

O quadro de saúde das vítimas piorou e elas vieram à óbito entre segunda-feira (22) e hoje (24). Todas estavam sendo nebulizados com uma solução de hidroxicloroquina diluída em soro.

Em nota, o hospital Nossa Senhora Aparecida não confirmou que as mortes estejam diretamente ligadas ao tratamento experimental. Antes disso, porém, o diretor-técnico do local, Tiago Bonilha de Souza, apresentou uma versão diferente dos fatos.

"Não verificamos que a nebulização esteja contribuindo para melhorar o desfecho dos pacientes. Os indícios sugerem que está contribuindo para a piora porque todos os casos (de óbito) apresentaram reações adversas após o procedimento", disse Tiago em entrevista à Rádio Gaúcha.

O tratamento experimental era liderado pela médica Eliane Scherer, que foi demitida da instituição no dia 10. O hospital chegou a denunciar a profissional ao Cremers (Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul) e ao MP-RS (Ministério Público do Rio Grande do Sul) alegando 17 infrações.

O procedimento testado por Scherer não seguia os protocolos de saúde do hospital nem do fabricante da substância. "A profissional descumpria protocolos [de segurança] de forma contumaz", destacou a assessoria jurídica da instituição.

Scherer trabalhava como médica terceirizada do hospital desde março do ano passado. Ela foi contratada para atuar no pronto-socorro, mas estava aplicando nebulização de hidroxicloroquina em pacientes internados na UTI e nos leitos clínicos. Conforme o hospital, ela não tinha autorização para atuar nesses ambientes.

Entretanto, ela permaneceu ministrando a solução experimental para os pacientes que obtiveram uma autorização judicial para o tratamento experimental e os que assinaram um termo de responsabilidade.

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