Túmulos abertos no Vaticano em busca de garota desaparecida estão vazios

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11.07.2019, 23:08:21
Atualizado: 11.07.2019, 23:41:06
(Foto: Vatican Press)

Túmulos abertos no Vaticano em busca de garota desaparecida estão vazios

Duas alemãs estariam enterradas ali, mas as criptas não tinham nada

O Vaticano fez nesta quinta-feira (11) uma operação para tentar dar fim a um mistério que já dura décadas. A polícia do local abriu dois túmulos para ver se o corpo de uma garota que desapareceu há 36 anos estava escondido ali. Uma carta anônima trazia a denúncia de que o corpo estaria em um daqueles túmulos. 

Houve uma oração antes do ritual de exumação. Os dois túmulos são de duas princesas alemãs do século 19. Depois das lajes serem retiradas, contudo, a surpresa: não havia nenhum osso nas duas covas, as criptas estavam vazias. Não só a menina procurada não estava lá, como os corpos das princesas Sophie von Hohenlohe, morta em 1836, e o de Charlotte-Frédérique de Mecklembourg, falecida em 1840, também não estavam.

"As buscas tiveram resultados negativos: nenhum resto humano nem uma urna funerária foram encontrados", anunciou o diretor de comunicação do Vaticano, Alessandro Gisotti. "Não havia nada".

A garota desaparecida, Emanuela Orlandi, era filha de um ajudante dos papas e foi vista pela última vez quando tinha 15 anos. Ela saiu para uma aula de música em Roma e não voltou mais. 

Supostos sequestradores chegaram a pedir a libertação do turco Ali Agca, que tentou matar o Papa João Paulo II em 1981 e estava preso em Roma. Só assim liberariam a menina. A polícia concluiu que se tratava de uma invenção deles, um blefe para tentar soltar o turco. O desaparecimento de Emanuela permaneceu um mistério. Ela pode ter sido raptada e morta por razões ligadas ao Vaticano ou ter sido vítima de algum esquema de tráfico humano.

O irmão dela, Pietro Orlandi, acompanhou a operação. Ele é ex-funcionário do Banco do Vaticano e acusa constanmente a Santa Sé de uma lei do silêncio para fazer com que o caso seja esquecido. A Santa Sé nega e hoje relembrou que mantém relação próxima com familiares da garota, especialmente a mãe, que hoje tem 88 anos e mora na Cidade do Vaticano.

A carta que motivou a ação hoje trazia uma fotografia do túmulo conjugado, com a frase "Procure onde o anjo indica". Diante do resultado negativo, Gisotti diz que  "estão sendo verificados documentos concernentes  às intervenções estruturais ocorridas na área do Campo Santo Teutônico, em uma primeira fase no final do século XIX, e uma segunda fase mais recente entre os anos sessenta e setenta do século passado".

Participaram do processo de abertura e fechamento do túmulo cerca de 15 pessoas, incluindo um perito nomeado pela família Orlandi, o Promotor de Justiça e seu assistente, Alessandro Diddi, além do comandante da Gendarmaria do Vaticano, Domenico Giani. Também estava presente o professor Giovanni Arcudi, que cuidaria dos restos mortais que poderiam ser encontrados.

O diretor editorial do Dicastério de Comunicação do Vaticano, Andrea Tornielli, afirmou que "este caso manteve a Itália em alerta desde o desaparecimento da menina de 15 anos em 22 de junho de 1983". E acrescenta: "O arquivo de Orlandi é citado com frequência e relacionado a outros casos: o ataque a João Paulo II em 1981, a organização criminosa romana chamada 'o bando de Magliana', os arquivos relacionados ao banco do Vaticano ou um caso escuro de abuso sexual. Mas todas essas hipóteses nunca foram corroboradas com nenhuma evidência".

Emanuela teria hoje 51 anos.

Desaparecimento
Emanuela sumiu em 22 de junho de 1983, depois de deixar a escola de música de Santo Apolinário, em Roma. Desde então, começaram as buscas para tentar localizá-la. 

(Foto: Divulgação)

Em 2012, a família pediu para que se investigasse restos ósseos não identificados que foram encontrados ao lado do túmulo do líder da máfia romana, Enrico de Pedis, na Basílica de Santo Apolinário. Foi concluído que os ossos não eram de Emanuela.

Em 2018, ossos encontrados no porão da Nunciatura de Roma também foram especulados como sendo de Emanuela. Novos exames mostraram que eram ossos de antes de 1964 e, portanto, não podiam ser da garota.



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