Vendedora de drinks da Gamboa tem barraca destruída e pede ajuda para voltar a trabalhar

salvador
10.05.2022, 05:30:00
Ruana pede ajuda para voltar a trabalhar com drinks na Gamboa (Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

Vendedora de drinks da Gamboa tem barraca destruída e pede ajuda para voltar a trabalhar

Conhecida como Ruana, Gleice tem três filhas para sustentar

Se você chegar na Gamboa, em Salvador, e perguntar sobre Gleice Araújo Silva, é bem provável que os moradores do bairro não consigam associar o nome a um rosto conhecido. Mas, se você quiser beber os drinks da Ruana, tenha certeza que a maioria das pessoas vai conseguir te guiar até o local: uma barraca na beira do mar. Depois de perder a estrutura duas vezes por conta da ferrugem e da maré alta, porém, ela precisa de ajuda para voltar a trabalhar. 

Criada na Gamboa, com pais e avós também nascidos no local, Gleice, 31 anos, logo recebeu o apelido de Ruana por um fato inusitado.

“Sou Ruana porque nasci na rua. Quando minha mãe sentiu as dores do parto, as maternidades estavam em greve, ela já tinha ido em umas duas maternidades e não tinha conseguido atendimento. Nasci em cima da camisa do meu pai no meio-fio”, conta.

A mãe de Ruana trabalhava como baiana de acarajé. Foi com a figura materna que a soteropolitana aprendeu a trabalhar com vendas, de forma autônoma, para conseguir levar o sustento para casa. Por sinal, ela tem três filhas, de 5, 6 e 7 anos, à sua espera. Ela vendia uma variedade de comidas até perceber que precisava de um diferencial.  

“Fazia drinks em casa para mim, para o meu marido e visitas. Comprei minha primeira barraca e pensei: 'tenho que pensar em algo diferente pra vender, pra ter meu dinheirinho e me manter'. E aí pensei em drinks, porque aqui no bairro não tinha isso.  Comecei a pesquisar na internet e fui aprendendo, criando e estou aqui até hoje. Graças a Deus as pessoas super gostam e vem dando certo”, detalha Ruana. 

O cardápio de drinks é variado, entre roskas, nevadas e coquetéis. Uma bebida de 600 ml é vendida por R$ 15, mas os preços variam entre R$ 10 e R$ 30. “As pessoas adoram porque é um valor mais acessível. Todo mundo aqui na Gamboa conhece minha barraca e adora os meus drinks. O mais famoso é a nevada de morango: tomou, se apaixonou”, comenta a comerciante. 

Atualmente, o estabelecimento de Ruana está inativo. Desde que começou a vender drinks, em 2018, a baiana já perdeu duas barracas. “A primeira ficou toda enferrujada, a gente desmontava para guardar e ela começou a se partir. Meu pai me deu outra no início de 2021, mas também era de ferro e o sal começou a corroer, por mais que a gente tomasse os cuidados”, explica.

A segunda barraca, que o pai de Ruana comprou por R$ 1,7 mil, foi ficando enferrujada e, para não desmontar e perder tudo de novo, ela decidiu amarrar bem a estrutura e deixá-la na praia mesmo. Entretanto, numa noite choveu e ventou muito, a maré subiu e levou todo o ferro com ela. 

O marido de Ruana, que era militar do exército, também está sem emprego. “A gente vai se virando aqui como pode, vou fazendo um cachorro quente pra tirar um dinheirinho”, conta. 

Segundo a vendedora, pescadores e pessoas que já trabalham perto do mar há muito tempo recomendam que ela compre uma barraca de inox para evitar a ferrugem, porque o material é mais resistente ao salitre. “Geralmente, as pessoas quando precisam de alguma coisa para os barcos em inox vão nos ferros velhos e conseguem pegar mais barato, o quilo sai por R$ 20”.

Ruana fez o orçamento para construir uma nova barraca de inox e o serviço ficou em torno de R$ 4,2 mil. Pelo valor ser muito alto, não consegue arcar com tudo sozinha e, por isso, criou uma campanha para pedir ajuda.

“É com essa barraca que pago minhas dívidas, ajudo o meu esposo dentro de casa. Como todos sabem, tenho três filhas e não posso ficar parada. Aqueles que puderem me ajudar ficarei muito grata”, escreveu a moradora da Gamboa nas redes sociais. 

Para ajudar Ruana a comprar outra barraca, é só entrar em contato através do Instagram @drinksdaruana ou realizar um Pix para o número (71) 99276-1767.

*Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo 

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