Vinci e BNB assinam contrato para reforma do Aeroporto de Salvador

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29.06.2018, 18:02:00
Atualizado: 29.06.2018, 20:45:54

Vinci e BNB assinam contrato para reforma do Aeroporto de Salvador

Contrato de financiamento de R$ 516 milhões são para primeira fase de melhorias

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Júlio Ribas, CEO da Vinci, e Romildo Carneiro Rolim, presidente do BNB, durante assinatura de contato (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Há tempos uma velha conhecida do Aeroporto Internacional de Salvador é motivo de reclamação entre os passageiros e de dor de cabeça para quem administrava o espaço. Agora, a escada rolante que vivia quebrada está com os dias contados para se aposentar.

A Vinci, concessionária que assumiu o comando do local desde fevereiro deste ano, anunciou que o equipamento será retirado do local junto com outras mudanças previstas para o aeroporto que já estão em andamento e serão concluídas até outubro de 2019.

Na manhã desta sexta-feira (29), o CEO da concessionária, Júlio Ribas, e o presidente do Banco do Nordeste (BNB), Romildo Carneiro Rolim, assinaram o contrato de financiamento de R$ 516 milhões para a primeira fase da reforma.

Ribas iniciou o evento citando o escritor baiano Jorge Amado e disse que a Vinci lida com o sonho de pessoas. Segundo ele, cerca de 8 milhões de passageiros devem circular pelo Aeroporto de Salvador em 2018, e afirmou que o objetivo da reforma é tornar a o espaço mais seguro e confortável para todos.

“Poucos lugares materializam mais sonhos que um aeroporto. Em 2002, apenas 36 milhões de passageiros viajavam pelo Brasil. Hoje, já passamos dos 100 milhões. No mundo, são 3,5 bilhões. São viajantes em busca de descanso, lazer ou de negócios, e é nossa obrigação oferecer um ambiente agradável para todos”, disse.

Ele agradeceu o empenho e o apoio da prefeitura de Salvador e do governo da Bahia nas ações da empresa. Ribas disse que Salvador é uma das principais portas de entrada para o Nordeste e afirmou que as reformas terão impacto no turismo e na economia, na medida que deve atrair mais visitantes para o estado.

Pistas de pouso e decolagem também serão reformadas
Pistas de pouso e decolagem também serão reformadas (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)
Representantes de empresas e governos acompanharam assinatura de contrato
Representantes de empresas e governos acompanharam assinatura de contrato (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Financiado
O dinheiro para a reforma será concedido com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), do BNB, e será uma das maiores operações da instituição na região em 2018. O prazo do financiamento é de 20 anos.

O presidente do BNB contou que esse será o primeiro financiamento integral sem garantia específica (do tipo non-recourse) do setor aeroportuário do Brasil. Segundo Rolim, a instituição tem cerca de R$ 30 bilhões para investir no Nordeste através do FNE, sendo que até o momento R$ 19 bilhões já foram empregados em obras na região.

“Desses R$ 30 bilhões, metade vamos investir no agronegócio e a outra metade, R$ 14,5 bilhões, em infraestrutura. Nesse projeto de logística destacam-se a modernização, reforma e expansão de dois aeroportos importantes para a economia da região Nordeste, o de Salvador e o de Fortaleza”, disse.

A primeira fase das obras no Aeroporto de Salvador foi iniciada no dia 19 de abril de 2018 e inclui trabalhos de ampliação e adequação da infraestrutura da área das aeronaves, construção de uma nova área de embarque e renovação do terminal de passageiros.

Reformas
Apesar de estar em reforma, o aeroporto está longe de se parecer com um canteiro de obras. Tapumes que sobem do chão até o teto isolam completamente a área onde os operários estão trabalhando. A cor neutra disfarça as intervenções e fazem eles se parecerem com paredes comuns.

Foto: Evandro Veiga/CORREIO

Os tapumes são itinerantes, ou seja, serão instalados em diferentes regiões do aeroporto na medida em que as obras forem avançando. Por conta das intervenções, as lojas que ficam na área de embarque internacional, por exemplo, foram transferidas para o outro lado do saguão.

Passageiros que circulavam pelo espaço nesta sexta-feira fizeram algumas reclamações, deram sugestões de melhorias, mas quando questionados pela reportagem disse que não tinham percebido que o espaço já está passando por obras. Segundo a concessionária, a reforma não vai interromper o funcionamento do aeroporto.

Mudanças
Na prática, as mudanças serão em todas as áreas. Do lado de dentro do aeroporto, a troca do sistema de ar-condicionado deve acabar com as reclamações de que o local é abafado e pouco ventilado.

No caso dos banheiros, a concessionária garante que a reforma vai resolver o problema das torneiras. Alguns sensores estão com defeito, o que  faz com que algumas delas não funcionem. Além disso, eles vão se tornar mais amplos e os elevadores também serão reformados.

Estão previstas também alterações estruturais. A área de check-in, por exemplo, vai mudar de lugar, assim como as lojas. A concessionária não forneceu números, mas disse que a quantidade de pontos comerciais e de banheiros também vai aumentar.

No total, o aeroporto vai crescer cerca de 20 mil m² na área de embarque para atender as novas mudanças. Do lado de fora, a empresa afirmou que vai ampliar também o número de fingers (pontes de embarque) do terminal, de 11 para 17 pontos. Além disso, vai reformar as pistas.

Impactos
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio-BA), Carlos Andrade, participou do evento e contou que a reforma já era aguardada. Ele acredita que as mudanças terão impactos diretos no turismo, comércio e no setor de serviços.

“É de suma importância esse investimento na Bahia porque a modernização do aeroporto é muito importante, tanto para o comércio como para o serviço e o turismo. O turismo é o nosso foco e o aeroporto é a porta de entrada para os visitantes, por isso, apoiamos essas mudanças porque entendemos que ela dará um salto de qualidade nesse aspecto”, disse.

Durante o período de pico, as obras empregarão cerca de 800 trabalhadores. A Vinci Airports assumiu oficialmente as operações do aeroporto no dia 2 de janeiro de 2018 e o período de concessão será de 30 anos. Até lá, a empresa aposta nas reformas, os empresários esperam os retornos financeiros e os passageiros sonham em voar com mais conforto. Um conjunto de expectativas que começaram a ganhar vida agora.

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