Violência diminui em Salvador e dispara na Região Metropolitana

bahia
26.06.2014, 07:37:00
Atualizado: 26.06.2014, 07:53:03

Violência diminui em Salvador e dispara na Região Metropolitana

Levantamento com base nas mil primeiras mortes do ano revela aumento de homicídios em 11 das 12 cidades da região

Das 12 cidades da Região Metropolitana de Salvador (RMS), 11 sofreram aumento no número de homicídios nos últimos quatro anos. É o que mostra levantamento realizado pelo CORREIO com base nas mil primeiras mortes do ano registradas no site da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Este ano, a milésima vítima foi Eduardo Jesus Oliveira, assassinado em frente de casa, no Parque das Mangabas, em Camaçari, no último dia 16.

A RMS como um todo respondeu em 2011 por 260 dos mil primeiros homicídios. Este ano, esse número subiu para 346. Só em Mata de São João, o aumento foi de 260% em quatro anos. O município – que em 2011 registrou dez homicídios entre os 1.000 primeiros do ano – desta vez participou na conta com 36 mortes, tornando-se disparada a cidade mais violenta da região, com uma taxa, em termos proporcionais, quase duas vezes maior que Simões Filho, que chegou a ser, nos últimos anos, apontado como o município mais violento de todo o Brasil.

Para o major Orlando Rodrigues, comandante da 53ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Mata de São João), o crescimento do movimento turístico em Mata de São João, que inclui destinos como Praia do Forte, Imbassaí e Sauipe pode ter cooperado com o aumento da violência, que no último ano migrou da sede do município para o litoral. 

“O grupo de Vila de Sauipe tentou invadir Porto Sauipe e houve morte dos dois lados. Os casos (de homicídios) estão pulverizados nos distritos. O ano de 2014 foi atípico no litoral: temos mais gente circulando, mais consumo de drogas, mais fornecedores e essa rivalidade é para abraçar esse comércio”, explica o major.

Segundo ele, o traficante conhecido como Bolego, de Vila do Sauipe, rivaliza com outro de vulgo De Menor, de Porto.  “Fizemos um reposicionamento da tropa por conta dessa situação, o que tem apaziguado a guerra. Cresceram as abordagens e já tivemos esse ano mais de 25 armas apreendidas”, conta.

O major acrescenta que uma possível mudança no perfil de homicídios registrados em Simões Filho pode estar respingando em outras cidades. “Uma impressão da polícia metropolitana é que, com o redução da desova de cadáveres em Simões Filho, que foi o trabalho da Polícia militar nos últimos anos, houve um acréscimo desses casos em alguns municípios, como em Mata de São João”.

Tudo igual

Por uma greve ou por outra, há quatro anos a taxa de homicídios em Salvador e RMS não sofre alteração. O milésimo homicídio deste ano foi registrado um dia antes do que no ano passado, quando a conta foi atingida no dia 17 de junho. Ou seja, o nível de violência foi mantido.

O CORREIO realiza o levantamento das mil primeiras mortes desde 2011 (confira os gráficos). Nos quatro anos, a taxa mais elevada foi em 2012, ano em que a PM fez greve de 12 dias em fevereiro, e a conta de mil assassinatos foi alcançada em 18 de maio. Em 2011, a conta foi atingida em 23 de junho.

Entre 2011 e 2014, Itaparica foi o único município da RMS com redução de violência. Nesse período, os municípios vizinhos a Salvador aumentaram sua participação na violência,  de 260 para 346 homicídios, enquanto a capital reduziu de 740 homicídios em 2011 para 654 em 2014.

Em números relativos ao tamanho das populações, a RMS  tem uma taxa de homicídios 1,5 vezes maior que Salvador. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) destacou, em nota, que, desde 2010, Salvador vem registrando quedas sucessivas nos índices de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), que incluem homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.

“Em 2014, até março, a capital apresentou diminuição de 13,7% dos CVLI. No mês de abril, no entanto, por conta da greve da PM, houve um aumento de 77,5% em relação a abril de 2013”, informa o órgão, salientando ainda que “o aumento dos índices de homicídio no estado da Bahia remonta ao século passado, pois vem crescendo desde 1999,  sendo interrompido apenas em 2011, quando houve uma redução de 5,1%. A tendência se manteve em 2013, com recuo no índice de 7,8%. Em 2012, por conta da greve da PM, o número de homicídios sofreu  aumento”.

Greve

Este ano, de fato, novamente a greve da PM  provocou um salto nos números nos dias 16, 17 e 18 de abril. No dia 16, foram registrados 41 assassinatos – o que o tornou o dia mais violento desde 2011. No dia 17, houve 28 homicídios e, no dia seguinte, 25. Até então, a média no ano era de seis homicídios por dia.

Ima projeção realizada com base nessa média mostra que, se o crescimento de mortes por conta da greve for desconsiderado, a marca de mil homicídios seria atingida no dia 29 de junho, em vez do dia 16.

Bairros

O bairro de Salvador com mais mortes violentas registradas este ano é Paripe, com 24 – três a menos que nos mil primeiros homicídios do ano passado. Em seguida aparecem São Cristóvão e Lobato (22), Sussuarana (18) e Cajazeiras e Mata Escura (17).

Apesar de estarem no topo da tabela, Paripe, São Cristóvão e Lobato reduziram o número de homicídios com relação a 2011, seguindo a tendência de toda a capital. Destaque ainda para Tancredo Neves, que registrou 26 homicídios, em 2011, e reduziu para apenas dez morte este ano.

Idade sexo e dias

A idade que mais aparece entre as vítimas é de 20 anos — 49 mortes, 6,5% dos 744 registros com idade especificada. Entre esses  que aparecem com idade, 10,6% são menores de 18 anos. As estatísticas mostram que 8% dos mortos (78) são mulheres.

Tradicionalmente, os finais de semana  registram mais homicídios. Este ano, no entanto, a quarta-feira da greve da PM (16 de abril) fez este dia da semana superar, com 176 homicídios, os domingos (162 crimes) e sábados (158).

Mata de São João: dívida motiva maioria dos crimes

Feliz nos negócios, o comerciante Daniel Carlos Bispo dos Santos, 50 anos, tinha uma tristeza: o envolvimento de dois filhos com a criminalidade em Mata de São João. Assassinado na cidade no início do mês, não se sabe ainda se sua morte está relacionada ao motivo da sua felicidade ou do seu desalento.

Daniel: um dos 36 mortos do ano
(Foto: Amana Dultra)

“Ele estava aqui no bar dele, de costas, chegaram de moto e chamaram ele pelo apelido. ‘Batata, me dá uma cerveja aí’. Quando ele virou, atiraram. Eu tenho pra mim que isso foi inveja”, conta Cátia Bispo dos Santos, 29, uma das filhas de Daniel.

O CORREIO ouviu policiais que acreditam que a morte pode ter relação com os filhos presos. “Mais de três anos que eles estão presos, como é que só agora vieram fazer cobrança? Não tem lógica”, argumenta Cátia. O delegado do município não foi localizado. Daniel foi a 34ª vítima dos 36 homicídios registrados em Mata de São João de janeiro até 16 de junho.

Considerando uma das linhas de investigação, Daniel faria parte de um perfil de crimes que vem predominando, como explica o comandante da 53ª CIPM, major Orlando Rodrigues. “Ao contrário de 2013, agora temos mortes mais relacionadas a débito com o tráfico de drogas, não disputa”.

A mudança de perfil, segundo o major, aconteceu com o assassinato de um dos líderes do tráfico da região, em março de 2013. Tiago Batista dos Santos foi morto em uma chacina no bairro de Valéria, em Salvador, deixando espaço para Val Montanha (seu rival, do bairro de Sucuiu) comandar sozinho. Quando o CORREIO esteve na cidade, ouviu de moradores que, embora tenham conhecimento dos casos recente de violência e já comecem a mudar hábitos, ainda preservam uma tranquilidade.

“Se sairmos do estatístico, a sensação de segurança é preservada quando você vê que, embora tenha tido um crescimento de 200%, digamos, são três, quatro mortes no mês”, minimiza Rodrigues (a média é de mais de seis mortes por mês).

Segundo ele, na zona rural, os casos são geralmente associados a brigas de vizinhos e crimes passionais, como a 36ª vítima, José Roque Santos dos Reis, 33, na localidade de Vila Camaçari, possivelmente morto pelo amante da esposa.

SSP destaca que vem realizando esforços para reduzir homicídios

Procurada sobre os dados levantados pelo CORREIO, a  Secretaria da Segurança Pública (SSP) respondeu por meio de nota, destacando que o órgão vem realizando grande esforço visando a redução de crimes contra a vida no estado, prioridade do programa Pacto Pela Vida, criado em 2011.

“Destaca-se a criação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com a utilização de nova metodologia e equipes específicas de policiais para a investigação de homicídios, e a criação de 13 Bases Comunitárias de Segurança no estado, em áreas críticas, que já resultaram numa redução média de 50% nos homicídios”, diz o comunicado.

A secretaria ainda informa que “outro dado que demonstra o empenho das polícias no enfrentamento a esses crimes é o crescimento de 130% das prisões por homicídios. Em 2012, o DHPP registrou 486 prisões e 1.121 em 2013. No mesmo período, também houve um aumento de 24,3%  em armas apreendidas no estado, passando de 4.118 em 2012 para 5.117 em 2013”.

A assessoria da SSP — que destacou que os boletins diários não compõem estatística oficial, embora sirvam como termômetro —  informa ainda que a Bahia apresentou redução de 7,8%, em 2013, no índice de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs - homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte) em relação a 2012.

Na RMS, o índice registrou diminuição de 12,7% na comparação com o ano anterior. Por conta dessa redução, pela primeira vez na Bahia, foi pago o Prêmio por Desempenho Policial (PDP) a 28.400 policiais. O montante chegou a R$ 42 milhões. 


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