Vitrine de negócios: donos de marcas comemoram vendas no Afro Fashion Day

salvador
21.11.2017, 07:57:11
Atualizado: 30.10.2018, 09:29:09

Vitrine de negócios: donos de marcas comemoram vendas no Afro Fashion Day

AFD foi palco para empreendedores exporem marcas

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Ter visibilidade e lucro com o próprio negócio é o sonho de qualquer pessoa que abre sua empresa. E o Afro Fashion Day (AFD), projeto criado pelo CORREIO para celebrar o mês da Consciência Negra, realizado no último sábado, no Porto Salvador Eventos, foi o espaço ideal para empreendedores do ramo da moda e gastronomia venderem seus produtos e divulgarem suas marcas.

Foram 1.500 pessoas circulando pelos três pisos destinados ao evento. Ou seja, 1.500 potenciais admiradores e consumidores. 

Enquanto escutava uma música, contemplava a exposição fotográfica Asas Urbanas ou assistia às palestras oferecidas, o público também tinha como opção conferir na loja colaborativa, no 2º piso, as marcas Black Atitude, Boutique Negralá, Erika Rigaud Turbantes, Goya Lopes, Guapa (Com Amor, Dora e La Abuela), NBlack, Negafulô, Outerelas, Preta Brasil, Sonbrille, Sou Diva – Tá Bom Pra Você?, Rey Vilas Boas e Turbanque. Foram 12 horas de programação.

Empreendedores da moda e da gastronomia aproveitaram o espaço para divulgar suas marcas
(Foto: Almiro Lopes/CORREIO)

As produções do Bahia Revoluções Criativas, do Instituto ACM, também estiveram na feirinha e deram visibilidade para as criações dos estudantes do projeto.

Paula Outerelo, da marca Outerelas Acessórios, disse que o retorno foi bem positivo. A criadora das peças inspiradas nas águas - com búzios e estrelas do mar - precisou ir em casa e buscar material para repor o estoque graças à procura intensa.

“Além de vender, ganhei novos seguidores nas redes sociais e clientes para futuras compras”, contou Paula Outerelo

“Os produtos que mais saíram foram os colares com cordas, que são mais autorais. Tanto os combinados com pedras, quanto com patuás”, disse. Ela revelou ainda que, após os desfiles, novos consumidores começaram a procurar o seu trabalho. “Foi superbacana receber o retorno tão imediato”, contou a designer de acessórios, que participa do projeto pelo terceiro ano consecutivo e não revelou quanto lucrou com as vendas. 

Vander Charles, o criador da grife Black Atitude, concorda. “Convidei pessoas para conhecer a loja. As vendas foram positivas considerando que foi a primeira feira que participei no Afro Fashion Day. O ambiente era legal e nos sentimos protegidos”, disse ele.

Os clientes também saíram satisfeitos. A gerente divisional da Avon, Maria Coelho, antes de subir na passarela para participar da palestra “Empoderamento e Empreendedorismo Feminino”, ao lado de Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, e da professora Ivete Sacramento, secretária municipal da Reparação Racial, aproveitou para comprar uma roupa de banho com a Cindy Biquínis e elogiou a feira. “Minha percepção foi a melhor possível, tanto pela qualidade dos produtos, quanto pela criatividade. Comprei um colar lindo e bem diferente”, contou.  

Encomendas
A responsável pela marca de óculos Sonbrille, Katiane Pereira, também saiu satisfeita. “Tivemos retorno muito grande. Imaginei que seria uma feira mais para dar visibilidade e agregar valor às marcas, mas as vendas foram bacanas, acima do esperado. E já temos encomendas”. 

O espaço foi lucrativo também para quem não é do ramo da moda. No 1º piso do Porto Salvador Eventos, foi criada uma praça de alimentação e o público pôde degustar uma variedade gastronômica coordenada pela Oquei Entretenimento. Foram vendidos crepes, abará, acarajé, beiju, sanduíche e pizza, além de água, cerveja e refrigerante.  

O administrador Fábio Veloso criou uma food bike (bicicleta para venda de alimentos), participou do AFD e se surpreendeu com o lucro obtido. “Foi ótimo, vendi praticamente tudo. Levei 200 abarás recheados e voltei com nove”, comemora.

O jovem de 30 anos, que é administrador e técnico eletromecânico, inventou a empresa Abarattto Gourmet há apenas seis meses, depois de ficar desempregado. “Prestava serviço para uma terceirizada da Petrobras. Fui demitido e, com a ajuda da minha família, lancei o meu negócio”, conta ele. Fábio vende os abarás recheados pelo valor de 
R$ 5, conta com apoio da mãe e da tia na preparação da massa e destaca o seu diferencial para conquistar os clientes: “É só recheado com camarão, sem glúten, sem farinha. A massa é pura”, destaca.

Especialistas
Alice Vargas, gerente de marketing do Sebrae Bahia, apoiador do AFD 2017, ressalta que a realização de uma loja colaborativa em um evento desta magnitude contribui muito na ampliação das marcas. “Feiras como a oferecida no Afro Fashion Day são oportunidades para dar visibilidade aos produtos, tanto para o grande público, quanto para especialistas da área.”

Ela afirma ainda que a “alma do negócio” para quem está iniciando na área, seja em moda ou gastronomia, por exemplo, é fazer os contatos: “Além de network, há a possibilidade de aprender com quem já está no mercado há algum tempo”, explicou Alice.

Criado pelo jornal CORREIO, o Afro Fashion Day 2017 foi realizado com patrocínio da Avon, apoio institucional da Saltur e da Prefeitura  de Salvador e apoio do Senac, Vizzano, Bellacor Estética, Sebrae, Ebam e Edy Diamond.


Hoje em SP, modelo vibra com passagem pelo Afro
O Afro Fashion Day ainda surge como uma oportunidade para as agências de modelos identificarem novos profissionais do ramo e, assim, movimentar a máquina da indústria da moda com a essência da Bahia.

Ana Flávia venceu o Super Models
(Foto: Divulgação)

Descobertas que geram transformações na vida de muitos, como foi o caso de Ana Flávia Santos. A top, que atualmente mora em São Paulo e participou da segunda edição do evento, ganhou o concurso Super Models of The World, da Ford Models, poucos meses depois de pisar em uma passarela: a do Afro Fashion Day.

“O Afro é um evento incrível. Amei participar, foi massa. Percebi que somos capazes de vencer padrões e que, na verdade, não existe isso de padrão de beleza”, contou a jovem, que saiu de Mussurunga para ganhar as passarelas do mundo.

A modelo de 21 anos contou como foi “grandioso e significativo” ganhar o Super Models of The World, concurso que, em 2016, desde sua criação há 34 anos, nunca tinha tido uma vencedora negra.

“Sou extremamente grata! Conheci clientes, fiz trabalhos, pessoas incríveis. Foram muitas coisas. Mudar de cidade. Trabalhar com algo que nunca me passou pela cabeça de ser”, revela Ana Flávia, que incentiva os cerca de 100 colegas selecionados para o Afro Fashion Day: “Se você é capaz, se alguém acredita em você, então se joga”.

Criado pelo jornal CORREIO, o Afro Fashion Day 2017 foi realizado com patrocínio da Avon, apoio institucional da Saltur e da Prefeitura Municipal de Salvador e apoio do Senac, Vizzano, BellacorEsté- tica, Sebrae, Ebam e Edy Diamond.

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