'Vocês ficam cultuando uma mulher com rabo de peixe?', disse padre sobre Iemanjá

salvador
01.02.2019, 05:00:00
Atualizado: 01.02.2019, 10:27:54

'Vocês ficam cultuando uma mulher com rabo de peixe?', disse padre sobre Iemanjá

Confira a biografia de uma das maiores festas da Bahia

Lá pelos idos do século 20, quem vivia do mar, no Rio Vermelho, em Salvador, assumia um compromisso: pela proteção e garantia do retorno para casa, pescadores se juntavam e presenteavam a Mãe D’Água. Antes do Carnaval, bem no meio da festa de Sant’Ana, que já tinha igreja e tudo, os pescadores deram início a uma das tradições mais fortes da Bahia e do Brasil: homenagear Iemanjá no dia 2 de fevereiro

Em 1930, quando um padre bateu o pé e disse que não queria mais saber de presentes para “uma mulher com rabo de peixe” durante a festa de Sant’Ana, o destino foi selado: os pescadores se recusaram a abandonar as oferendas. Quem saiu, no fim, foi a Igreja Católica. Desde então, a Igreja de Sant’Ana fica fechada em uma das datas mais famosas de homenagem a uma divindade das religiões de matriz africana. 

De lá para cá, a festa de Iemanjá mudou, cresceu e se consolidou. Hoje, se firmou como a única, entre as grandes celebrações populares da cidade, que não tem ligações com o sincretismo religioso. Apenas ela festeja exclusivamente um orixá. 

E, em meio a isso, tem espaço para tudo: de terreiros que erguem tendas na areia para atender o público a quem vai simplesmente entregar uma flor; do presente tradicional dos pescadores até pessoas vestidas como a divindade; de intervenções artísticas a feijoadas com grandes bandas. 

Com a oferenda dos pescadores ficando cada vez mais importante, mais gente começou a vir. A cada ano, aparecem mais pessoas – do Brasil inteiro e até de fora dele. Para o antropólogo Ordep Serra, professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), a festa de Iemanjá é um dos maiores ritos de oferenda do mundo. 

“A festa foi ficando cada vez mais bonita. É um grande rito de oferendas. Na véspera, já tem gente colocando presente. De madrugada (no dia 2), já tem gente na fila para colocar seu presente junto com os pescadores. Tem uma duração enorme”, explica ele. 

Junto com Sant'Ana
Há diferentes versões sobre o início da festa de Iemanjá. A mais defendida por historiadores é a de que o culto à divindade africana no Rio Vermelho está diretamente ligado à festa de Sant’Ana, que acontecia em uma data móvel entre janeiro e fevereiro. A primeira teria acontecido em 1823 – um ano após a independência do Brasil de Portugal. Reza a lenda que o alerta de uma idosa teria salvado os moradores de um bombardeio dos portugueses. 

Essa idosa seria ninguém menos do que a própria Sant’Ana, que passou a receber procissões marítimas e terrestres. Mas imagine isso em um cenário diferente: o Rio Vermelho. Hoje um dos centros da boêmia da capital, era uma localidade distante dos centros econômicos e sociais de Salvador. Era tão afastada que era escolhida pela elite baiana como cartão postal para veranear. 

Talvez por isso, embora já houvesse Paróquia do Rio Vermelho, era comum que a Igreja de Sant'Ana ficasse sem padre de tempos em tempos. Nesse contexto, como explica a professora Edilece Couto, do Departamento de História da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em sua tese de doutorado, isso contribuiu para que a comunidade procurasse orientações de outros líderes religiosos, como de ialorixás. 

Mas foi em 1924, de acordo com a professora, que houve um dos conflitos determinantes para a mudança na festa. Isso porque a pesca, em si, andava em baixa. No mar do Rio Vermelho, o que faltava era peixe. Os pescadores, assim, passaram a ouvir um conselho frequente dos fregueses: que oferecessem um presente à Mãe das Águas. Se assim fizessem, as coisas iam melhorar. 

“No primeiro momento, ficaram temerosos de realizar aquela ‘bruxaria’, desconfiados quanto à eficácia de tal ato. Resolveram mandar celebrar uma missa na igreja e, em seguida, partiram para alto-mar a fim de oferecer o presente, composto de perfume e flores”, escreve a professora Edilece, na tese.  

Só que o negócio não deu muito certo. Os comentários dos fregueses não perdoaram: o ritual não estava sendo feito como deveria. Precisavam buscar alguém que entendesse daquilo. Foi assim que chegaram à mãe de santo Júlia Bogun, do candomblé. Ela foi a responsável por orientar o presente para Iemanjá. Segundo a historiadora, pediu um balaio grande, uma talha de barro, flores e fitas azuis e brancas, que são as cores associadas a Iemanjá. O presente foi entregue na segunda-feira gorda, último dia da festa de Sant’Ana daquele ano. 

E assim os pescadores seguiram com as homenagens duplas. A procissão para entregar o presente saía do Rio Vermelho, seguia até o Farol da Barra – onde acreditavam existir uma fonte para a Mãe D’Água – e voltavam ao Rio Vermelho, de acordo com o historiador Jaime Nascimento, coordenador de cultura do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB). 

VEJA FOTOS DA COBERTURA DO CORREIO AO LONGO DOS ÚLTIMOS 40 ANOS

Durou seis anos – até 1930, quando aconteceu o episódio divisor de águas e de festas. Naquele verão, o padre que estava à frente da Paróquia de Sant’Ana não queria dar a benção aos pescadores, que acontecia numa missa.

“O padre resolveu que aquilo não tinha nada a ver e disse: ‘vocês ficam cultuando uma mulher com rabo de peixe’. Disse para parar, mas os pescadores decidiram continuar. O padre, então, disse que não ia fazer mais nada (missa). Só que, como ali era uma colônia de pescadores, eles que ficavam ali. A saída deles enfraqueceu a festa de Sant’Ana”, explica Jaime Nascimento. 

Foi da própria tradição dos pescadores que milhares se inspiram até hoje: a partir do barco que leva o presente da colônia, outros tantos barquinhos saem da areia para depositar oferendas no meio do mar. A festa para a Mãe D’Água – oficialmente Iemanjá – ganhou tanta adesão que, para evitar a mistura, a festa de Sant’Ana foi transferida oficialmente para julho, quando acontece até hoje. Já a data da celebração para Iemanjá continuou móvel até, provavelmente, 1959, segundo a pesquisa da historiadora Edilece Couto. 

“No domingo, 1° de fevereiro, seria realizada a procissão de Sant’Ana. O dia 2, segunda-feira gorda, seria para a lavagem da igreja e a entrega do presente da Mãe d’Água”, diz a historiadora. Além disso, foi só no final da década de 1950 que a entrega do presente foi oficialmente batizada de Festa de Iemanjá. 

Nos dias que antecedem o 2 de Fevereiro, já tem movimentação na Colônia de Pescadores do Rio Vermelho
(Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Na Igreja Católica, no dia 2 é celebrada Nossa Senhora da Luz – ou Nossa Senhora das Candeias. Há quem diga que é com quem a escolha da data tem relação. Por outro lado, muita gente também acredita que uma coisa não tem nada a ver com a outra; especialmente porque não existe consenso sobre que santa católica representaria Iemanjá no sincretismo religioso. Na lista das possibilidades, há desde a própria Nossa Senhora das Candeias até Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora da Piedade.

Menos terreiros de candomblé
Mas se, entre as principais festas populares da Bahia, o 2 de Fevereiro é o único dia em que se reverencia apenas uma divindade de religiões de matriz africana, uma coisa causa estranhamento: os principais terreiros de candomblé de Salvador não participam da festa no Rio Vermelho. Procuradas pelo CORREIO, as casas confirmaram a informação. O Terreiro do Gantois, por exemplo, informou, através da assessoria, que as obrigações da casa para Iemanjá são cumpridas em outro momento do ano, de acordo com o calendário do terreiro. 

No Terreiro da Casa Branca, o mais antigo do Brasil, a situação é a mesma, de acordo com uma das ekedis ouvidas pela reportagem. A Casa de Oxumarê também tem uma data específica para oferecer o presente a Iemanjá – normalmente, o dia cai em março. 

“O dia 2 de fevereiro é mais uma festa comemorativa. É muito mais pela comunhão das pessoas que são da religião ou não, porque vão pessoas para conhecer, turistas, etc. É muito mais pela comunhão do que pelo presente, mas sei que tem casas que vêm de outras cidades e que a data do presente coincide (com o 2 de fevereiro)”, conta um dos ogãs da Casa de Oxumarê, Lázaro Castro. 

É por isso que, na avaliação do antropólogo Ordep Serra, da Ufba, não dá para apontar a festa de Iemanjá como a maior data festiva das religiões de matriz africana. O 2 de Fevereiro é, de fato, uma grande oferenda festiva, mas por parte dos pescadores. Ainda que o presente seja preparado por uma Ialorixá do candomblé e inclua rituais restritos aos iniciados na religião, ele continua sendo uma oferenda dos pescadores.  

“Tem festas magníficas nos terreiros. São muitas festas importantes, do próprio candomblé, para Iemanjá, para Oxalá, para Obaluaê. O presente (dos pescadores) fica ali naquela cabana, tem toque de atabaque e parece um xirê (roda para evocar os orixás), mas é uma celebração”, explica o professor. Inclusive, desde dezembro, em todo o Brasil, há pessoas saudando Iemanjá. 

Pelo quarto ano, a responsável pelo presente dos pescadores é Mãe Jacira de Obaluaê, ialorixá do terreiro Ilê Axê Jibayê, em Lauro de Freitas. Há 18 anos, Mãe Jacira já fazia o presente dos pescadores da Mariquita para Iemanjá, que este ano foi entregue no último domingo (27). Antes dela, quem fazia era Mãe Aíce de Oxóssi, que foi a responsável por 20 anos. 

Mãe Aíce de Oxóssi, que morreu em 2017, foi a responsável pelo presente por mais de 20 anos
(Foto: Almiro Lopes/Arquivo CORREIO)

O terreiro em que Mãe Jacira é Ialorixá, inclusive, não festeja Iemanjá no dia 2 de fevereiro. Lá, o calendário interno define uma data no mês de maio. Mesmo assim, ela sempre frequentou a festa. Desde a adolescência, acompanhava a mãe levando flores e uma oferenda no balaio: “Eu ia apreciar a festa. É o hábito de todo baiano, até porque é uma festa muito bonita”.

Desde 2016, quem faz o presente dos pescadores é Mãe Jacira de Obaluaê
(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

Umbanda na areia
Mesmo assim, nas areias do Rio Vermelho, desde as primeiras horas do dia 2, é possível encontrar tendas e barracas de terreiros atendendo o público. A maioria deles, porém, é de terreiros de umbanda. São casas que vêm de longe, como de cidades como Luís Eduardo Magalhães e Cansação, no Extremo-Oeste e no Nordeste da Bahia, respectivamente; ou de mais perto, como Feira de Santana e Pedrão, no Centro-Norte. 

Há pouco mais de 10 anos, o Centro Espírita Recanto de Luz/Casa de Aiocá, que é um terreiro de umbanda kardecista, é um dos que monta uma tenda na areia. Começou como uma vontade da dentista e médium da casa, Maria Aparecida Dourado, 52, que é filha de Iemanjá. Ela queria estar em contato com o Rio Vermelho, onde sabia que as pessoas se reuniam para a homenagem. Na época, a areia já estava cheia. Outros terreiros já estavam ali. 

“O custo é alto e o trabalho é muito grande. Tem que ter raça. Nós participamos todo ano ativamente porque é quando essa entidade (Iemanjá), que é minha mãe, vem”, revela.

Desde aquele primeiro ano, Maria Aparecida pode ser vista na areia, incorporando Iemanjá. Sem cobrar nada, distribui passes entre as pessoas na praia, com ajuda de uma pessoa que carrega uma bacia de água do mar. Através dela, diz a médium, Iemanjá conversa com quem se aproxima durante todo o dia. 

A médium Maria Aparecida recebe Iemanjá nas areias do Rio Vermelho há mais de 10 anos
(Foto: Marina Silva/Arquivo CORREIO)

Para encarar o dia, há uma preparação espiritual que dura, no mínimo, uma semana. Entre as ações, há desde cuidados na alimentação até um ciclo de orações. Nesta sexta-feira (1º), uma caravana do terreiro já chega a Salvador. Logo mais, à noite, estará no Rio Vermelho já para montar o toldo e garantir o espaço, que é concorrido. 

No dia 2, chegam cedo. O ponto de encontro é na porta da Igreja de Sant’Ana. De lá, vão até a areia cantando e orando. Já na praia, começa o toque dos atabaques. É nesse momento que a médium Maria Aparecida deixa de participar da festa e Iemanjá, a dona da festa, aporta no Rio Vermelho. “Minha mãe chega e a gente não diz quando termina”, conta, referindo-se à hora em que a divindade vai embora.

Para Maria Aparecida, um dos propósitos da participação da umbanda na festa é justamente desmitificar a religião – e, de quebra, acabar com a ideia de que a festa de Iemanjá se resume a “bebedeira e curtição”.

“A gente quer se fazer presente para perpetuar a nossa história. Se todo mundo (da religião) se ausentar, a gente vai dar o espaço para os que são contrários a isso”, reitera. 

Ela acredita que os candomblecistas são mais reservados. Por isso, não é costume da maioria dos adeptos da religião participar da festa representando os próprios terreiros. Para eles, diz, a entidade deveria vir em um momento mais íntimo. “A gente não vê dessa forma, porque Deus está em todo lugar. Esses mistérios têm que ser, na medida do possível, explicados”, afirma.

Entre os mais antigos terreiros de umbanda de Salvador, porém, a participação é rara. Segundo alguns, inclusive, não existe mais. É o caso do terreiro Força e Luz, que tem cerca de 40 anos de existência. A sacerdotisa do terreiro, Romilza Medrado, conta que, no passado, chegaram a participar da festa. Era o momento de confraternizar e encontrar com pessoas de outras religiões. Só que a festa cresceu e a areia lotou. Cresceu tanto que, para eles, ficou inviável.

Fizeram a homenagem para Iemanjá no último sábado (27), em uma celebração na praia de Stella Maris. “Para nós, homenagear um campo de força não precisa de um grande público. Quem quer ir à festa, não tem problema nenhum, especialmente porque são mais de 40 terreiros de umbanda espalhados no interior. Mas, nós temos essa facilidade de ter um campo de força (como o mar) à nossa disposição. Eles têm menos oportunidade”, opina. 

Já no Terreiro Cumoa, um grupo de membros até chega a ir ao Rio Vermelho no 2 de Fevereiro, de acordo com o sacerdote da casa, Pai Rai. Neste sábado (2), entre 20 e 30 pessoas devem sair de lá para levar flores para Iemanjá na festa. No entanto, ele garante: não estão representando o terreiro, enquanto instituição. 

A oferenda da casa para Iemanjá também segue o próprio calendário. Dessa vez, a data mais possível é o próximo sábado (9). A linha que seguem, explica ele, não costuma promover eventos fora do próprio espaço físico do terreiro. À exceção de uma festa de caboclo que acontece em julho, não há outros eventos na rua. 

Logo nos primeiros anos de fundação do terreiro, que está prestes a completar o 50º aniversário, eram comuns as oferendas na rua. Segundo ele, era devido às raízes do candomblé, de onde vieram alguns dos fundadores. 

“Com o passar do tempo, a gente foi seguindo a linha da umbanda sagrada, muito contato com (os adeptos da religião em) São Paulo. Tudo que a gente puder fazer que não vá para a rua, a gente faz. Não temos essa tradição de montar barracão na areia. Achamos bonito, vou e participo dos que estão lá, mas a gente não faz”, explica Pai Rai. 

Fortalecimento
Com candomblé, umbanda, espiritismo e tantas outras religiões, mais de 100 anos depois, a festa de Iemanjá resiste. Mais do que isso: ela cresce. Ao contrário de outras celebrações populares, o dia festivo para Iemanjá, assim como a Lavagem do Bonfim, parece se consolidar a cada ano – mesmo em 2019, que, em apenas um mês, já foram registrados pelo mês dois episódios de intolerância religiosa. 

No início de janeiro, a Pedra de Xangô foi atacada com dezenas de quilos de sal. Duas semanas depois, no dia 13, o terreiro Terreiro Ilê Axé Ojisé Olodumare, em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), foi invadido por bandidos, que agrediram o babalorixá da casa e chegaram a apontar armas para as pessoas que estavam incorporadas pelos orixás. 

“Essas duas festas (Bonfim e Iemanjá) são festas de maior amplitude. Conseguiram resistir a um fenômeno muito triste, que é esse da segregação racial a que os negros foram submetidos na Bahia”, opina o antropólogo Ordep Serra.

Para ele, a própria urbanização de Salvador foi “perversa” nesse sentido. Ela teria contribuído com o enfraquecimento de outras festas, a partir do momento em que pessoas negras e pobres ficaram segregadas em certas partes da cidade. “Normalmente, você imagina Deus como uma forma masculina. Um homem barbudo, aquela figura do Criador, de Michelangelo. Mas por que Deus tem que ser masculino? A gente descobriu, graças aos negros, o sagrado feminino – essa ideia de uma divindade mãe, mulher, generosa, às vezes representada grávida”. 

Além disso, Iemanjá se tornou uma das divindades mais queridas da Bahia e do Brasil justamente por ser quem é: uma figura feminina. Até então, na maior parte das religiões, deuses são representados como homens. "

Um desafio para os especialistas, hoje, é evitar a tal da ‘gourmetização’. É feijoada ‘vip’ para cá, festa exclusiva para lá. Segundo o historiador Jaime Nascimento, do IGHB, o caráter festivo sempre existiu, com batucadas e samba de roda. Mas esse apelo vip é uma coisa que começou em meados da década de 1990. 

Para ele, o crescimento dessas festas é “assustador”. “A feijoada é a comida que virou um prato para qualquer situação, como no Bonfim e no Carnaval. Cabe em qualquer festa. Mas tem que ter cuidado com essa comercialização, essa coisa das festas vips, enxaguadas, porque fica um componente exclusivamente comercial, desvinculado do espírito. Corre o risco de massificar o comercial e esvaziar a festa do ponto de vista religioso”, alerta. 

Oxum recebe presente primeiro, no Dique
As homenagens para Iemanjá são, por tradição, precedidas de uma oferenda para Oxum. Só que, ao invés do Rio Vermelho, o presente é entregue no Dique do Tororó. Na noite desta sexta-feira (1º), por volta das 23h, já começa a concentração de alguns grupos. Ao longo da madrugada, mais devotos chegam para homenagear a divindade. 

Quem prepara o presente é a mesma ialorixá responsável pelo de Iemanjá - Mãe Jacira de Obaluaê. Pelos fundamentos do candomblé, o presente de Oxum precisa vir antes do de Iemanjá.

De acordo com o antropólogo Ordep Serra, professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), não é de hoje que Dique do Tororó recebe oferendas. A tradição é mais antiga, inclusive, do que a festa no Rio Vermelho. 

Lá, não apenas Oxum é presenteada, como também a própria Iemanjá e Nanã. "Naquele Dique, o pessoal de terreiro conta que tem Oxum, Iemanjá e Nanã. Quem mais recebe é Oxum, como ela também recebe em Pituaçu. As três recebem presentes, porque todas são Mães D'Água", explica. 

Enquanto Iemanjá é considerada como aquela que cuida das águas salgadas, Oxum protege as águas doces - daí o fato de ser a mais presenteada no Dique. Já Nanã é o orixá das águas paradas, dos mangues e dos pântanos. 


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