Weintraub chama Fies de ‘desastre’ e minimiza bloqueios em universidades

educação
07.05.2019, 17:30:00
Atualizado: 07.05.2019, 17:43:28

Weintraub chama Fies de ‘desastre’ e minimiza bloqueios em universidades

Ministro da Educação voltou a defender cortes na área de Humanas 

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Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) realiza audiência pública interativa com o ministro de Estado da Educação, para que apresente as diretrizes e os programas prioritários do Ministério (art. 397, II do RISF).   Ministro da Educação, Abraham Weintraub, faz apresentação das diretrizes e programas prioritários da pasta.   Mesa:  vice-presidente da CE, senador Flávio Arns (Rede-PR).  Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Foto: Geraldo Magella/Agência Senado

Após bloquear 30% dos recursos das universidades federais do País, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, minimizou o tamanho do contingenciamento em audiência na Comissão de Educação, no Senado, nesta terça-feira (7). Ele também chamou o Fies, programa de financiamento estudantil criado no governo Lula, de "desastre" e "tragédia".

"É sacrossanto o orçamento? Não podem economizar nem uma migalha?", disse ao ser questionado sobre a dificuldade relatada pelos reitores em manter as instituições após a redução de recursos.

"A universidade federal hoje no País custa R$ 1 bilhão. Não dá para buscar nada [para cortar]? Todo mundo no País está apertando o cinto", completou Weintraub. Ele esteve no Senado para apresentar as diretrizes e programas prioritários para a pasta, no entanto, não apresentou projetos. 

Além do Fies, ele reprovou o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec), outro programa criado na gestão petista, e voltou a defender cortes na área de Humanas. 

Com o um bloqueio de R$ 7,3 bilhões do orçamento do Ministério da Educação (MEC), o ministro negou por diversas vezes que haja corte de recursos para as universidades federais e disse que houve um contingenciamento. 

"Se a economia tiver crescimento, com a aprovação da Reforma da Previdência, se descontingencia o recurso. Não há corte, a economia impôs o contingenciamento diante da arrecadação mais fraca e nós obedecemos", disse. 

Ele ainda propôs aos reitores que marquem reuniões com o MEC para discutir a nova situação financeira das universidades federais. Ele chegou a comparar a situação do contingenciamento com a situação de empresas privadas. "30% é sobre uma parte pequena do volume total de despesa. O dono de uma empresa às vezes tem que fazer corte de 20% e sobrevive", disse. 

Questionado sobre o contingenciamento de recursos também para a educação básica, o ministro apenas afirmou que o bloqueio não é permanente e pode ser revertido com a melhora da economia. 

Também questionado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede) sobre o bloqueio de verbas para a construção de creches, que minutos antes havia sido elencado por Weintraub como prioridade, o ministro não respondeu. "Quantas creches o governo Dilma [Rousseff] cortou", se limitou a dizer.

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