Zona 30: redução do limite de velocidade busca um trânsito mais seguro em Salvador

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28.05.2021, 06:00:00
Iniciativa quer mostrar aos condutores que baixa velocidade não é sinônimo de trânsito ruim (Shutterstock)
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Zona 30: redução do limite de velocidade busca um trânsito mais seguro em Salvador

Iniciativa quer mostrar aos condutores que baixa velocidade não é sinônimo de trânsito ruim

Desde 2014, quando a Prefeitura de Salvador entregou a obra de requalificação da orla da Barra à população, o espaço se tornou um dos locais favoritos dos soteropolitanos para uma caminhada, corrida ou até mesmo um passeio de bicicleta, patins ou skate. Um dos fatores que contribuiu para esse favoritismo foi a segurança proporcionada aos pedestres pelo piso compartilhado, somado à redução do limite de velocidade do trecho para 30 km/h. O mesmo conceito foi aplicado a trechos do Rio Vermelho e Pituba, através da campanha Trânsito Calmo. 

Agora, durante o Maio Amarelo, campanha que visa debater temas pertinentes à redução de sinistros no trânsito, a Prefeitura anunciou que as regiões do entorno da Igreja do Bonfim e na área do Greenvile, em Patamares, também terão a velocidade reduzida com o objetivo de permitir um trânsito mais seguro, principalmente para pedestres e ciclistas, além de mostrar que redução de velocidade não tem relação com tráfego ruim. 

De acordo com o superintendente da Transalvador, Marcus Passos, a iniciativa conhecida como Zona 30 foi concebida na Alemanha. Ela vem sendo adotada nas principais cidades do planeta, devolvendo as vias para as partes mais vulneráveis do trânsito.

“É uma tendência mundial e Salvador não poderia andar na contramão. Esta ação visa mostrar aos condutores de veículos automotores que a redução de velocidade não significa trânsito ruim, e sim que ele vai continuar fluindo com mais segurança, principalmente para pedestre e ciclista. Estamos trazendo toda uma engenharia de trânsito para garantir a harmonia entre todas essas partes”, afirma o superintendente da Transalvador, Marcus Passos

Estudos 
Apesar do aspecto lógico, já que a redução de velocidade é capaz de evitar ocorrências no trânsito, uma série de estudos nacionais e internacionais mostrou que sinistros acima dos 30 km/h reduzem as chances de sobrevivência do pedestre. “Diversos estudos realizados trouxeram dados que indicam, por exemplo, que colisões entre veículos e pedestres em velocidades entre 50km/h e 60km/h a chance de sobrevivência de quem está a pé é quase zero”, explica Dante Rosado, que é coordenador da Iniciativa Bloomberg de Segurança Viária Global no Brasil, entidade parceira da Prefeitura de Salvador.

“Por isso é necessário pensar todo um desenho urbano que possa agregar carros, motos, bicicletas e pedestres garantindo a segurança de todos e isso passa pelo limite de velocidade”, diz Dante Rosado

No projeto, a redução de velocidade é aliada a ferramentas como lombadas e faixas elevadas, que ajudam a cadenciar o fluxo de veículos e incentiva a circulação de pedestres. Além disso, há também campanhas educativas que reforçam os direitos e deveres de cada pessoa que compõe o trânsito na cidade. 

Entendendo que o excesso de velocidade nas vias da capital baiana ainda representa um dos maiores obstáculos na redução de sinistros, Salvador tem investido em campanhas de conscientização.  Mirian Bastos, gerente de Educação para o trânsito da Transalvador e coordenadora do Comitê Vida no Trânsito de Salvador, destaca que as ações sobre o papel de cada um no trânsito são voltadas tanto para os condutores quanto para os pedestres. “Temos fortalecido as campanhas educativas com diversas ações estruturantes principalmente na fiscalização e consolidação de dados sobre o perfil do trânsito na cidade”, explica.

“Em 2010, nós tivemos 266 mortes de trânsito e conseguimos avançar muito ao longo dos últimos 10 anos. Hoje, Salvador tem o desafio de reduzir ainda mais os indicadores negativos nesta segunda década. Esse trabalho de humanizar o trânsito busca mostrar que respeitar o código de trânsito e ter cuidado com a vida são as melhores formas que a sociedade tem para contribuir”, finaliza Miriam Bastos. 



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